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June 11, 2019

Viva a Marinha do Brasil! ADSUMUS!


Por Luiz Gonzaga Coelho Júnior.:


Celebração do 154 Aniversário da Batalha do Riachuelo na Embaixada do Brasil em Porto Príncipe, Haiti. Foto de José Márcio Batista. 11/06/2019.

Hoje o e-Gonomics não publicará nenhum conteúdo sobre economia ou política externa. Decidi render uma singela homenagem a uma instituição ímpar no Brasil, merecedora de todos os reconhecimentos de sua importância para nosso país, a Marinha do Brasil.

Hoje é um dia particularmente especial, data em que celebramos os 154 anos da Batalha Naval do Riachuelo, levada a cabo na Guerra do Paraguai (1864-1870) em 11 de junho de 1865. Trata-se da batalha mais importante desse episódio da história militar da América do Sul, ocorrida no Arroio Riachuelo, localizado na Província de Corrientes da Argentina, que mudou o curso desse conflito debilitando sobremaneira as forças navais inimigas. Na ocasião, a força naval brasileira era comandada pelo Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, o conhecido Almirante Barroso, importante ícone dessa honrada instituição.

Porém não pretendo escrever este modesto texto para compilar fatos que ao longo da história brasileira destacaram a importância dessa força, que remonta à chegada da Família Real em 1808 quando os pioneiros da Armada Portuguesa escoltaram Dom João VI, sua Família e a Côrte Portuguesa em sua Transferência para a então colônia nas Américas, dando início à formação institucional do nosso país.

Minha intenção é, senão, registrar um breve testemunho da importância da Marinha e seu Corpo de Fuzileiros Navais não somente na minha vida e da minha família, mas também  na vida dos meus colegas de Embaixada, proporcionando inestimável apoio ao nosso trabalho, durante nossa missão permanente no Haiti como integrantes do Serviço Exterior Brasileiro.

Aqui tive a oportunidade de conhecer expressivo contingente de militares que integram o destacamento do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, desde quando cheguei ao Posto em novembro de 2018. Esses militares têm como missão principal  garantir a segurança do Embaixador, sua residência oficial, chancelaria, bem como apoiar e garantir a segurança dos funcionários e suas famílias.

A história dos Fuzileiros Navais no Haiti remonta à Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), criada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em 10 de setembro de 2004. Seu objetivo foi restaurar a ordem no país, após insurgência resultante da deposição do então presidente Jean-Bertrand Aristide. O contingente militar da MINUSTAH foi integrado por militares das forças armadas de vários países, sob o competente comando do Brasil. Os Fuzileiros Navais brasileiros tiveram destacado protagonismo nas operações levadas a cabo pela Missão da ONU, em diversas disciplinas. Com o término da missão em 2017, o Governo do Brasil houve por bem manter contingente de Fuzileiros Navais na Embaixada, o que permitiu assegurar as melhores condições para o desenvolvimento do trabalho diplomático.

A presença, capacidade profissional, dedicação e, especialmente, a amizade desses militares, não obstante as enormes e variadas dificuldades que caracterizam o Haiti em sua problemática, permitem que os profissionais do Serviço Exterior Brasileiro possam operar com foco, concentração, objetividade, eficiência, explorando ao máximo suas capacidades para bem servir aos interesses do Brasil no país e na região.

Apenas para citar um exemplo que bem ilustra o quão essencial é contar com a presença dos Fuzileiros Navais como integrantes do staff da Embaixada, recordo as inúmeras ocasiões em que foi necessário seguir protocolos de segurança, logística e procedimentos diante de recorrentes turbulências sociais que já fazem parte da rotina da cidade de Porto Príncipe e seu entorno, tudo competentemente planejado pelo Comando desse destacamento. Lamentável, pois o povo haitiano é alegre, musical, colorido, bem humorado, criativo, inovador e muito batalhador, sempre buscando o melhor para sua gente, todavia sempre se deparam com a falta de oportunidades e organização para encontrar o caminho mais virtuoso que lhes permitam prosperar e modificar essa realidade.

Os Fuzileiros Navais trazem com eles valores que permeiam no ambiente em que atuam. São eles a lealdade, a camaradagem, o espírito de corpo, a solidariedade entre si e ao próximo, amor à Pátria, disciplina, compromisso, responsabilidade, senso de missão, respeito aos símbolos nacionais, sobretudo ao Pavilhão Nacional, sagrado em todas as liturgias militares e fora delas também. Sempre dispostos ao sacrifício pessoal em prol dos deveres para com a Nação, são excelentes administradores da coisa pública e dos insumos necessários para o cumprimento ótimo do seu trabalho e de sua missão.

A palavra de ordem dos Fuzileiros Navais é “ADSUMUS”! Tem origem no latim e seu significado é "estamos presentes, estamos aqui, estamos juntos”. Ao utilizá-la a intenção é de marcar presença e atenção constantes, demonstrar prontidão e estado de atenção aos acontecimentos. Assim são os Fuzileiros Navais em sua vocação de bem servir ao Brasil!

Também gostaria de registrar que no seio da minha família pude conviver com algumas referências da Marinha, como tios e primos oficiais da Armada. Também tive a satisfação de nutrir sólidas amizades com integrantes da Marinha. Outra oportunidade marcante foi haver nascido, crescido, estudado, no bairro do Catete, na cidade do Rio de Janeiro-RJ, onde transitei com relativa frequência ao longo da rua Almirante Tamandaré, Patrono da Marinha.

Resta-me somente felicitar a Marinha do Brasil e seu Corpo de Fuzileiros Navais pelo transcurso do presente dia, rezar para que a Divina Providência, de quem sou devoto, siga protegendo seus integrantes. ADSUMUS!

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LGCJ.: