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May 12, 2019


VENEZUELA



VENEZUELA. REUTERS. 11 DE MAIO DE 2019. Guaidó busca cooperação do Pentágono para resolver crise política da Venezuela

CARACAS (Reuters) - O líder da oposição venezuelana Juan Guaidó afirmou, neste sábado, que pediu que seu enviado aos Estados Unidos se reunisse com oficiais do Pentágono para “cooperar” em uma solução para a crise política do país da América do Sul.

Guaidó, líder da Assembleia Nacional controlada pela oposição, acrescentou que recebeu recado da China de que o país se juntaria aos esforços diplomáticos entre países europeus e latino-americanos, conhecido como Grupo de Contato da Venezuela, para negociar um fim para a crise.

Em janeiro, Guaidó invocou a constituição da nação da OPEC para assumir a presidência interina, argumentando que a reeleição do presidente Nicolás Maduro, em 2018, não era legítima. Ele foi reconhecido pela maioria dos países ocidentais e da América Latina, mas Maduro manteve o apoio dos aliados China, Rússia e Cuba.

Os esforços de Guaidó de depor Maduro para assumir o poder e convocar novas eleições estagnou nas últimas semanas, depois de uma fracassada tentativa de revolta militar em 30 de abril. Guiado disse a um jornal italiano esta semana que “provavelmente” aceitaria intervenção militar dos EUA, se o país a propusesse.

“Nós instruímos nosso embaixador Carlos Vecchio a se reunir imediatamente com o Comando do Sul e seu almirante para estabelecer uma relação direta”, disse Guaidó, em um comício em Caracas, neste sábado. “Dissemos desde o início que usaríamos todos os recursos à disposição para fazer pressão”.

Representantes do Comando do Sul dos Estados Unidos e Vecchio não responderam imediatamente a pedidos por comentários. Oficiais da administração Trump disseram várias vezes que “todas as opções estão na mesa” para derrubar Maduro, que chama Guaidó de marionete dos EUA querendo tirá-lo do poder com um golpe.

O Comando do Sul afirmou em uma publicação no Twitter na quinta-feira que estava preparado para discutir “como pode apoiar o futuro papel” de líderes das forças armadas venezuelanas que “restaurarem a ordem constituição, quando forem convidados por Guaidó.

O Ministério da Informação da Venezuela não respondeu imediatamente ao pedido por um comentário. O Ministro da Defesa, Vladimir Padrino, disse no sábado que um barco da Guarda Costeira dos EUA havia entrado em águas venezuelanas, o que ele disse que “não seria aceito”.

Um porta-voz do Comando do Sul disse na sexta-feira que um barco da Guarda Costeira dos EUA conduzia uma “missão de monitoramento e detecção de drogas” em “águas internacionais” no Mar do Caribe, em 9 de maio.

Guaidó falava em um comício em apoio a legisladores da oposição que foram presos, refugiados em embaixadas estrangeiras em Caracas, e ameaçados nos últimos dias em meio a uma abrangente repressão de Maduro contra o Congresso depois da revolta de 30 de abril.

A maioria dos países latino-americanos, assim como a União Europeia, expressou oposição a uma potencial intervenção militar na Venezuela. O chefe de política externa da UE, Federica Mogherini, disse na semana passada que o grupo ode contato está preparado para começar “uma missão no nível político” em Caracas.



EUA - CHINA



EUA. CHINA. REUTERS. 12 DE MAIO DE 2019. Porta da China para negociações comerciais com EUA estará sempre aberta, diz mídia estatal

PEQUIM (Reuters) - A porta da China para negociações comerciais com os Estados Unidos estará sempre aberta, mas o país não vai ceder em questões importantes de princípio, disse a mídia estatal neste domingo.

Não há vencedores na guerra comercial e a China não quer brigar, mas não tem medo disso, afirmou o jornal do Partido Comunista, Diário do Povo, em edição que será publicada na segunda-feira, mas cujo texto foi reproduzido pela agência estatal de notícias Xinhua, neste domingo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o colega chinês, Xi Jinping, provavelmente vão se reunir durante uma cúpula do G20 no Japão no final de junho para discussões comerciais, afirmou o assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, neste domingo.

Falando ao “Fox News Sunday”, Kudlow afirmou que nas últimas semanas a China recuou de alguns de seus compromissos e que o obstáculo agora nas discussões comerciais entre ambos os países é assegurar que Pequim defina em lei as mudanças que prometeu fazer.

EUA. CHINA. REUTERS. 11 DE MAIO DE 2019. China continua “cautelosamente otimista” em discussões com os EUA, apesar de novas tarifas
Por Yawen Chen e David Lawder

BEIJING/WASHINGTON (Reuters) - China e Estados Unidos concordaram em realizar mais reuniões sobre comércio em Pequim, disse o vice-premier Liu He, enquanto o presidente americano Donald Trump ordenou o começo do processo de impor tarifas a todas as importações restantes da China.

Liu expressou otimismo calculado sobre a possibilidade de chegar a um acordo, mas disse que havia “problemas de princípio” nos quais a China não recuaria.

“As negociações não foram interrompidas”, disse Liu, principal negociador da China nessas discussões, em Washington, na sexta-feira, de acordo com a televisão estatal, neste sábado. “Pelo contrário, eu acho que pequenos obstáculos são normais e inevitáveis durante negociações entre dois países. Olhando para a frente, ainda estamos cautelosamente otimistas”, disse Liu.

Mas o otimismo de Liu foi fragilizado pelo secretário de Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, que disse à CNBC na sexta-feira que não haveria mais conversas planejadas com a China “por enquanto”.

E no sábado, Trump publicou no Twitter: “Uma maneira fácil de evitar tarifas? Faça seus bens e produtos no bom e velho Estados Unidos. É muito simples!”.

Os Estados Unidos subiram o tom na escalada da guerra de tarifas com a China na sexta-feira ao elevar a tributação em US$ 200 bilhões dos produtos chineses em meio a conversas de última hora para resgatar um acordo comercial. Trump havia adiado o início das novas tarifas, enquanto as negociações entre Washington e Pequim progrediam.

Na sexta-feira, Trump emitiu ordens para aumentar as tarifas, dizendo que a China “quebrou o acordo” ao recuar em compromissos que havia prometido durante meses de negociações.

A China se opõe com veemência às últimas elevações de tarifas dos EUA e, como nação, precisa responder a isso, disse Liu a um pequeno grupo de repórteres chineses em um vídeo.

“No momento, os dois lados chegaram a um entendimento mútuo em muitas coisas, mas, francamente, também há diferenças. Acreditamos que essas diferenças são problemas significativos de princípio”, disse Liu. “Nós absolutamente não podemos fazer concessões em questões de princípio”.

Ele acrescentou que as discussões continuariam em Pequim, mas não deu detalhes. Mas, sublinhando a falta de progresso nas conversas, Trump ordenou a elevação de tarifas.

As medidas de Trump colocariam aproximadamente US$ 300 bilhões de importações chinesas sujeitas a tarifas punitivas, disse o representante comercial americano Robert Lightizer, em um comunicado na sexta-feira. Lightizer disse que uma decisão final não foi tomada sobre novas obrigações, que viriam depois de um aumento de tarifas no começo da sexta-feira, de 10% a 25%, em US$ 200 bilhões de importações chinesas.

Detalhes das diferenças com a China

Três diferenças permanecem entre os dois países, de acordo com a versão da China sobre as últimas conversas.

Uma é sobre tarifas, disse Liu, de acordo com a transcrição de uma entrevista publicada pelo Phoenix, uma emissora de televisão de Hong Kong próxima a Pequim. A China acredita que as tarifas foram a gênese da disputa comercial, e que, se os dois lados quiserem chegar a um acordo, todas as tarifas têm que ser eliminadas, disse Liu.

A segunda é sobre aprovisionamento, em que houve um consenso inicial entre os líderes dos dois países na Argentina, ano passado. Os dois lados agora têm visões diferentes em relação ao volume, disse Liu. O terceiro é sobre o quão equilibrado o texto do rascunho do acordo entre eles tem que ser, disse.

“Toda nação tem sua dignidade, então o texto precisa ser equilibrado”, disse Liu.

Fontes afirmaram à Reuters, esta semana, que a China apagou seus comprometimentos no rascunho do acordo que dizia que mudaria suas leis para resolver problemas essenciais dos Estados Unidos: roubo de propriedade intelectual dos EUA e segredos comerciais; transferências forçadas de tecnologia; políticas de concorrência; acesso a serviços financeiros; e manipulação de moeda.

Liu negou as acusações de que a China teria recuado nas promessas, dizendo que o país pensar ser normal fazer mudanças antes de um acordo final. Os dois lados têm visões diferentes sobre a maneira de articulá-lo, disse.

Liu afirmou que espera que esse problema seja resolvido, então seria desnecessário “exagerar” nesse ponto. Parecido com Liu, a imprensa estatal chinesa afirmou que o país não recuaria em seus interesses essenciais.

“A China claramente exige que os números do acordo comercial sejam realistas; o texto precisa ser equilibrado e expressar em termos que são aceitáveis para o povo chinês e não prejudiquem a soberania e a dignidade do país”, disse o jornal oficial do Partido Comunista, Diário do Povo, em um comentário, no sábado.

A guerra comercial tem sido um fardo para a economia chinesa.

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. Trump inicia processo para aumentar tarifas sobre importações remanescentes da China

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou nesta sexta-feira que o representante comercial do país inicie o processo de aumento de tarifas sobre todas as importações remanescentes da China, informou o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) em comunicado.

O comunicado do representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, disse que o valor dos produtos sujeitos a nova rodada de tarifas é de aproximadamente 300 bilhões de dólares.

Segundo o texto, detalhes sobre o processo de um período de aviso público e comentários a respeito das tarifas serão publicados em breve no Registro Federal, e mais detalhes estarão disponíveis no site do USTR na segunda-feira.

Reportagem de Eric Beech

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. China e EUA concordaram em realizar mais negociações comerciais, diz vice-premiê chinês

(Reuters) - A China e os Estados Unidos concordaram em ter mais negociações comerciais em Pequim, disse o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, à mídia estatal do país nos EUA nesta sexta-feira, após uma rodada de discussões em Washington descrita por ele como “honesta” e “construtiva”.

Liu disse não acreditar que o possível acordo comercial tenha “se desintegrado” e que pequenos contratempos são inevitáveis. China e EUA têm muito entendimento mútuo, mas ainda possuem diferenças em relação a “questões básicas”, disse Liu.

A China não pode fazer concessões sobre essas “questões básicas”, acrescentou o vice-premiê. Mas Liu afirmou estar cautelosamente otimista sobre futuras conversas.

A China se opõe fortemente à última rodada de aumento de tarifas pelos EUA, e como nação, tem que responder a isso, disse ele, sem dar detalhes.

Reportagem de Yawen Chen e Ryan Woo em Pequim

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. Reação negativa do mercado a tarifas de Trump endossa visão de que Fed pode cortar juro
Por Jason Lange e Ann Saphir

MERIDIAN/SÃO FRANCISCO (Reuters) - A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aumentar as tarifas sobre produtos da China alimentou as apostas de mercado nesta sexta-feira de que o Federal Reserve cortará as taxas de juros no final deste ano e um membro do Fed sugeriu que estaria aberto a essa possibilidade se os dados econômicos deteriorarem.

Desde janeiro, o Fed sinalizou que espera manter as taxas inalteradas enquanto avalia as condições da economia, incluindo inflação abaixo do ideal e crescimento do PIB e do emprego mais rápido do que o esperado.

Em contraste, Trump e outros altos funcionários do governo pediram repetidas vezes para o Fed reduzir os juros para impulsionar o crescimento econômico, que deverá desacelerar neste trimestre em relação ao ritmo anual de 3,2 por cento do trimestre passado, com a perda de vigor do efeito dos cortes de impostos do ano passado.

Mas, nesta sexta-feira, perguntando se as novas tarifas dos EUA poderiam levar a um corte nas taxas, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, não descartou a possibilidade.

“Dependendo da gravidade da resposta, poderia”, disse Bostic a jornalistas. “Isso realmente depende. Depende do que as empresas decidem fazer e então depende de quanto tempo as tarifas estão em vigor.”

As projeções do Fed publicadas em março sugerem que a maioria dos formuladores de política monetária espera que as taxas fiquem estáveis até o final do ano. O chairman do Fed, Jerome Powell, previu no início deste mês que as recentes leituras mais fracas de inflação foram ditadas por fatores transitórios e reiterou sua opinião de que não há necessidade urgente de elevar ou baixar os juros.

O dado de inflação divulgado nesta sexta-feira sugere que as pressões sobre os preços continuam fracas.

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. Bolsas dos EUA interrompem série de perdas após comentários de Trump sobre comércio
Por April Joyner

NOVA YORK (Reuters) - As bolsas de valores dos Estados Unidos se recuperaram nesta sexta-feira, quebrando uma série de quatro dias de perdas, após o presidente norte-americano, Donald Trump, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, dizerem que as negociações comerciais entre Washington e Pequim foram construtivas.

O Dow Jones subiu 0,44%, para 25.942,37 pontos. O S&P 500 ganhou 0,37%, para 2.881 pontos. E o Nasdaq teve variação positiva de 0,08%, a 7.916,94 pontos. Na semana, o Dow caiu 2,12%, o S&P 500 cedeu 2,17% e o Nasdaq recuou 3,03%.

No pior momento do dia, o S&P 500 caiu 1,6%, mas se recuperou após Mnuchin falar de forma positiva sobre as negociações de dois dias entre os dois países.

O mercado acelerou ganhos após Trump ecoar esse sentimento em uma série de tuítes. Mas o S&P 500 devolveu parte dos ganhos perto do fim da sessão, depois de Mnuchin dizer que nenhuma outra negociação comercial estava planejada, segundo a CNBC.

A despeito da alta desta sexta-feira, tanto o S&P 500 quanto o Nasdaq amargaram a pior semana do ano.

“O mercado percebeu as declarações (de Mnuchin e Trump) são mais políticas do que indicativas de mudança na estratégia”, disse Oliver Pursche, estrategista-chefe da Bruderman Asset Management. “Nada mudou em termos de nossa tese de investimento. No curto prazo, a China precisa de um acordo comercial mais do que os EUA. Mas, no longo prazo, os EUA precisam mais do que a China. Efetivamente, é um bom equilíbrio.”

As ações do Uber caíram 7,6% no pregão de estreia.

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. Trump diz que negociações comerciais com China continuarão; tarifas podem ou não ser removidas

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira que as negociações comerciais entre Estados Unidos e China continuarão no futuro e que as tarifas dos EUA podem ou não ser removidas, dependendo do resultado das negociações.

A mensagem de Trump, publicada no Twitter, enviou um sinal para os mercados financeiros de que, apesar de um revés significativo entre os dois lados na última semana, as negociações em Washington na quinta e nesta sexta-feira não resultaram em colapso total.

“Ao longo dos últimos dois dias, os Estados Unidos e a China mantiveram conversas francas e construtivas sobre o status das relações comerciais entre os dois países”, disse Trump no Twitter, elogiando sua relação com o presidente chinês, Xi Jinping, e dizendo que as negociações continuariam.

“Enquanto isso, os Estados Unidos impuseram tarifas à China, que podem ou não ser removidas dependendo do que acontecer com relação a futuras negociações!” acrescentou o presidente norte-americano.

Reportagem de Jeff Mason

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. Negociadores de EUA e China concordam em se reunir de novo em Pequim, diz editor do Global Times

(Reuters) - Negociadores dos Estados Unidos e da China concordaram em se encontrar de novo em Pequim no futuro para mais discussões comerciais, afirmou nesta sexta-feira o editor do jornal chinês Global Times.

“Soube de fonte confiável (sic) que as negociações entre China e EUA não acabaram. Ambos os lados acreditam que as negociações são construtivas e continuarão com as consultas. Os dois lados concordam em se reunir de novo em Pequim no futuro”, disse Hu Xijin no Twitter.

O Global Times é um tablóide publicado pelo People’s Daily, do Partido Comunista.

Reportagem de Kanishka Singh em Bengalore

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. Trump diz que não tem pressa para assinar acordo com China à medida que guerra comercial se agrava
Por Susan Heavey e Yawen Chen

WASHINGTON/PEQUIM (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira que não tem pressa em assinar um acordo comercial com a China, no momento em que Washington impôs um novo conjunto de tarifas sobre as importações chinesas e os negociadores encerraram o segundo dia de conversas na tentativa de alcançar um acordo.

Nesta sexta-feira, os Estados Unidos elevaram suas tarifas sobre 200 bilhões em produtos chineses para 25%, ante 10%, elevando as preocupações dos mercados financeiros sobre uma guerra comercial que já dura 10 meses entre as duas maiores economias do mundo. A China deve retaliar.

As tarifas entraram em vigor apenas algumas horas antes do representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer; do secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin; e do vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, realizarem um segundo dia de negociações em Washington. A reunião terminou após cerca de 90 minutos.

“Foram discussões construtivas. É tudo que posso dizer”, disse Mnuchin a repórteres ao deixar o escritório de Lighthizer.

Pela manhã, Trump defendeu o aumento das tarifas e disse que estava “absolutamente sem pressa” para finalizar um acordo, acrescentando que a economia dos EUA ganhará mais com as tarifas do que com qualquer acordo.

“As tarifas trarão MUITO MAIS ganhos para o nosso país do que até mesmo um acordo tradicional fenomenal”, disse Trump em uma das publicações no Twitter.

Apesar da insistência de Trump de que a China absorverá o custo das tarifas, as empresas dos EUA as pagarão e, provavelmente, as repassarão aos consumidores. Os gastos do consumidor respondem por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA.

Trump, que adotou políticas protecionistas como parte de sua agenda “América Primeiro” e criticou a China por práticas comerciais que rotulou como injustas, disse que as negociações comerciais, que deveriam terminar nesta sexta-feira, podem ser prorrogadas para além desta semana.

“Continuaremos a negociar com a China na esperança de que eles não tentem novamente refazer o acordo!” disse Trump, que acusou Pequim de quebrar os compromissos assumidos durante meses de negociações.

Após o aumento da tarifa dos EUA, o Ministério do Comércio da China disse que retaliará, mas não deu mais detalhes.

A China respondeu às tarifas de Trump no ano passado com impostos sobre uma série de produtos norte-americanos, incluindo soja e carne de porco, que prejudicaram os agricultores dos EUA em um momento em que sua dívida atingiu o mais alto nível em décadas.

O secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, disse nesta sexta-feira que Trump pediu a ele que criasse um plano para apoiar os agricultores. O Departamento de Agricultura dos EUA já liberou até 12 bilhões de dólares para ajudar a compensar as perdas relacionadas à China.

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. Dólar recua levemente ante real acompanhando negociações entre China e EUA

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caía ante o real nesta sexta-feira de olho no exterior, onde investidores alimentam esperanças de um acordo comercial entre Estados Unidos e China à medida que negociadores dos dois países adentram o segundo dia de conversas, ofuscando o aumento das tarifas norte-americanas sobre produtos chineses.

Às 10:24, o dólar recuava 0,23 por cento, a 3,9447 reais na venda. Na véspera, a moeda norte-americana subiu 0,52%, a 3,9536 reais.

O dólar futuro rondava a estabilidade neste pregão.

Conforme anunciado por Trump no fim de semana passada, as tarifas norte-americanas sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses subiram de 10% a 25% nesta sexta-feira.

Mas mesmo com a ameaça de retaliação de Pequim, negociadores em Washington concordaram em permanecer na mesa de negociações pelo segundo dia, mantendo vivas as esperanças de um eventual acordo.

A continuidade das conversas está alimentando expectativas de agentes financeiros de que pode, afinal, haver um acordo entre os dois países.

“Por ora, parecem prevalecer as apostas de que um acordo ainda seja possível, enquanto outros, já considerando a ausência de um desfecho positivo, enxergam algum motivo de resiliência aos ativos de risco na iminência de maior cautela dos principais Bancos Centrais globais como reação à essa possível conjuntura”, avaliou a equipe da corretora H.Commcor em nota.

Trump também disse que iniciará a “papelada” nesta sexta-feira para taxas de 25% sobre outros 325 bilhões de dólares em importações chinesas.

Em Pequim, o Ministério do Comércio da China disse que “lamenta profundamente” a decisão dos EUA, acrescentando que vai adotar contramedidas necessárias, sem dar mais detalhes.

O cenário doméstico fica no pano de fundo nesta sexta-feira, com investidores monitorando eventuais avanços ligados à reforma da Previdência.

Na véspera, o secretário especial de Trabalho e Previdência, Rogério Marinho, disse que o Brasil terá sérias dificuldades no 2º semestre sem a reforma previdenciária.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) reiterou a previsão de que a reforma será votada no plenário da Casa em julho.

Falando em evento nesta manhã, o presidente Jair Bolsonaro reconheceu que o governo vem enfrentando alguns problemas e que pode até ter de encarar “um tsunami” na próxima semana, mas que vencerá os obstáculos.

O Banco Central realiza nesta sessão leilão de até 5,05 mil swaps cambiais tradicionais, correspondentes à venda futura de dólares, para rolagem do vencimento de julho, no total de 10,089 bilhões de dólares.

Por Laís Martins

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. Assessor do BC da China diz que tarifas dos EUA podem reduzir crescimento do país em 0,3 p.p

XANGAI (Reuters) - Os planos de Washington de elevar as tarifas sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses podem reduzir o crescimento da China em 0,3 pontos percentuais, mas o fortalecimento da economia se tornou mais resistente aos choques externos, disse um assessor do banco central chinês nesta sexta-feira.

Os comentários de Ma Jun foram publicados pelo Finance News, um jornal do banco central do país, nesta sexta-feira, enquanto as autoridades norte-americanas e chinesas realizam as última negociações em Washington para evitar uma intensificação de uma guerra comercial que ameaça tirar a economia global dos trilhos.

O vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, iniciaram dois dias de negociações na quinta-feira em Washington, após uma grande adversidade reacender o desentendimento entre os dois países.

Ma disse que a China imporá medidas de retaliação se o presidente dos EUA, Donald Trump, avançar com planos para aumentar as tarifas sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses, de 10% para 25%.

“O impacto negativo deste cenário sobre o Produto Interno Bruto da China será de cerca de 0,3 pontos percentuais, isto é dentro de uma faixa controlável”, disse ele.

O mercado acionário chinês também provavelmente não verá a mesma forte queda ocorrida no ano passado após o início da guerra comercial, disse ele, acrescentando que os investidores anteriormente estavam propensos a reagir exageradamente devido à incapacidade de julgar o real impacto dos atritos comerciais e diante das preocupações sobre a desaceleração do crescimento econômico.

“O desempenho da economia real da China melhorou significativamente nos últimos meses ... O atual ambiente macroeconômico e político da China deve ajudar o mercado a melhorar sua resiliência a novos choques externos”, disse ele.

Ele também disse que o banco central chinês possui instrumentos de política monetária suficientes para lidar com as incertezas internas e externas, e que procurará ajustar a política de acordo com as mudanças na situação econômica do país.

Por Brenda Goh

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. BC da China diz que possui muitas ferramentas de política monetária para lidar com incertezas

PEQUIM (Reuters) - O banco central da China disse nesta sexta-feira que é totalmente capaz de lidar com as incertezas externas, já que possui muitas ferramentas de política monetária e ampla margem de manobra.

Os comentários foram feitos horas depois de os Estados Unidos terem aumentado as tarifas sobre os produtos importados da China, que ameaçam aumentar a pressão sobre a economia chinesa.

Analistas dizem que o banco central provavelmente terá que aumentar o apoio à economia, à medida que as tensões comerciais com os Estados Unidos se intensificam.

O aumento das tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses, para 25%, entrou em vigor nesta sexta-feira e Pequim disse que vai retaliar.

“Enfrentando mudanças econômicas internas e externas, a política monetária de nosso país tem amplo espaço (para responder) e nosso kit de ferramentas de política monetária é rico”, disse Sun Guofeng, chefe do departamento de política monetária do Banco do Povo da China.

“Somos totalmente capazes de lidar com várias incertezas internas e externas.”

A autoridade do banco central se comprometeu a manter a liquidez razoavelmente ampla, ao mesmo tempo em que adotou uma política monetária “prudente” que não é nem muito frouxa nem muito apertada. Ele acrescentou que espera que a oferta de dinheiro e o crescimento do crédito permaneçam estáveis.

Sun disse que o Banco do Povo da China “usará melhor” as ferramentas de políticas estruturais, incluindo seu instrumento de empréstimo de médio prazo direcionado, reempréstimos e redescontos para sustentar empresas privadas e pequenas, sem dar detalhes.

Ao mesmo tempo, usará ferramentas de política monetária para conduzir operações de mercado aberto de forma flexível e orientar as taxas do mercado monetário dentro de uma faixa “razoável”, disse a autoridade.

Por Kevin Yao

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. Índices da China fecham em alta com expectativa de acordo comercial apesar de alta de tarifas
Por Andrew Galbraith e Noah Sin

XANGAI/HONG KONG (Reuters) - O mercado acionário chinês terminou em alta e o iuan se fortaleceu nesta sexta-feira com os investidores apostando que Pequim e Washington conseguirão salvar um acordo comercial, apesar de os Estados Unidos terem aumentado as tarifas sobre produtos chineses.

Embora a alta das tarifas pelos EUA sobre produtos chineses tenha entrado em vigor nesta sexta-feira como planejado, os investidores avaliaram que ambos os lados estão voltando à mesa de negociações para o segundo dia de conversas.

Operadores também esperam que Pequim possa anunciar mais afrouxamento monetário e medidas de suporte se a ação dos EUA alimentar a pressão sobre a economia chinesa.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 3,63 por cento, enquanto o índice de Xangai teve alta de 3,1 por cento.

Apesar disso, os índices ainda terminaram a semana com quedas respectivamente de 4,5% e 4,7%, levando-os para mínimas de quase três meses.

O iuan terminou o pregão doméstico com alta de 0,2%, a 6,8118 por dólar, mas ainda em baixa de 1,13% na semana.

  • Em TÓQUIO, o índice Nikkei recuou 0,27 por cento, a 21.344 pontos.
  • Em HONG KONG, o índice HANG SENG subiu 0,84 por cento, a 28.550 pontos.
  • Em XANGAI, o índice SSEC ganhou 3,10 por cento, a 2.939 pontos.
  • O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, avançou 3,63 por cento, a 3.730 pontos.
  • Em SEUL, o índice KOSPI teve valorização de 0,29 por cento, a 2.108 pontos.
  • Em TAIWAN, o índice TAIEX registrou baixa de 0,19 por cento, a 10.712 pontos.
  • Em CINGAPURA, o índice STRAITS TIMES valorizou-se 0,12 por cento, a 3.273 pontos.
  • Em SYDNEY o índice S&P/ASX 200 avançou 0,25 por cento, a 6.310 pontos.

EUA. CHINA. REUTERS. 10 DE MAIO DE 2019. EUA intensificam guerra comercial em meio a negociações, China diz que vai retaliar
Por David Lawder e Yawen Chen

WASHINGTON/PEQUIM (Reuters) - Os Estados Unidos intensificaram a guerra tarifária com a China nesta sexta-feira ao elevar as taxas para 25% sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses no meio de negociações para resgatar um acordo comercial.

Mas mesmo com a ameaça de retaliação de Pequim , negociadores em Washington concordaram em permanecer na mesa de negociações pelo segundo dia, mantendo vivas as esperanças de um eventual acordo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, que adotou políticas protecionistas, emitiu ordens para o aumento das tarifas, dizendo que a China “quebrou o acordo” ao renegar compromissos feitos durante meses de negociações.

Trump também disse que iniciara a “papelada” nesta sexta-feira para taxas de 25% sobre outros 325 bilhões de dólares em importações chinesas.

Em Pequim, o Ministério do Comércio da China disse que “lamenta profundamente” a decisão dos EUA, acrescentando que vai adotar contramedidas necessárias, sem dar mais detalhes.

O vice-premiê chinês, Liu He; o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer; e o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, conversaram por 90 minutos na quinta-feira e devem retomar os esforços nesta sexta para resgatar um acordo que pode dar fim a 10 meses de guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

O Ministério do Comércio disse que as negociações continuam, e que “espera que os Estados Unidos possam encontrar um meio-termo com a China, façam esforços conjuntos e resolvam a questão através de cooperação e consultas”.

Com as negociações em progresso e sem nenhuma ação do governo Trump para reverter a alta, a Proteção de Alfândega e Fronteira dos EUA impôs a nova tarifa de 25% sobre mais de 5.700 categorias de produtos que deixaram a China.

CNI. 09/05/2019. Brasil ganha US$ 8,1 bilhões com guerra comercial entre China e Estados Unidos

Com aumento de tarifas para 382 produtos americanos no mercado chinês, as exportações brasileiras para o país asiático aumentaram mais de 30% no ano passado em comparação com o período anterior

A disputa comercial entre China e Estados Unidos turbinou as exportações brasileiras para a China em US$ 8,1 bilhões, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). As vendas nacionais passaram de US$ 22,589 bilhões, em 2017, para US$ 30,706 bilhões, no ano passado. Por princípio, uma guerra comercial não é boa nem indicada para nenhum país no médio e longo prazo, mas no curto prazo, o Brasil tem sido beneficiado.

A CNI cruzou os dados dos 382 produtos americanos, que tiveram os impostos de importação elevados subitamente – mais de 100 deles viram a alíquota subir para 25% da noite para o dia – com a pauta de exportações do Brasil para a China. O maior salto em valor de exportação ocorreu com a soja. Produtores chineses compraram US$ 7 bilhões a mais no ano passado do que no ano anterior. O Brasil, por ser o maior exportador de soja do mundo, é naturalmente a primeira opção na falta de competitividade de outras economias.

O maior crescimento percentual foi no tabaco para fumar. As vendas subiram 521%. Seguido de fígados, ovas e gônadas masculinas com aumento de 421,6%. Os americanos perderam mercado para os brasileiros em produtos tradicionais como milho e lagostas congeladas, com aumento de exportações de 376,3% e 327,8% respectivamente.

"O principal impacto da guerra comercial foi com o aumento das exportações do Brasil para a China. Percebemos que a China fez um lista bem cirúrgica, atacando produtos americanos importantes. O caso da lagosta é icônico. O estado americano do Maine praticamente não exporta mais lagosta para os chineses. A penetração de produtos brasileiros para os Estados Unidos também aumentou de um ano para o outro, mas não percebemos relação direta com a disputa entre eles”, diz o gerente-executivo de Assuntos Internacionais da CNI, Diego Bonomo.

Com a guerra entre China e EUA, o Brasil conquistou outros mercados na China como de: carne bovina, pedaços e miudezes de galos e galinhas, algodão, sucos de laranja, caixas de marchas e suas partes para veículos e automotores, castanha do Pará e peixes ornamentais.

O levantamento da CNI também mostra desvio de mercado das exportações chinesas para o Brasil. As importações brasileiras da lista de produtos da China, que sofreram com aumento de alíquota do governo Trump, aumentaram 12% entre 2018 e 2017. Subiram de US$ 13,7 bilhões para US$ 15,4 bilhões. Entre eles, destacam-se: eletroeletrônicos, produtos químicos e plásticos.



COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO



MRE. AIG. NOTA-127. 11 de Mai de 2019. Nota Conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento sobre a abertura de mercado para exportações brasileiras de arroz beneficiado ao México

O governo brasileiro informa com satisfação que será aberto o mercado mexicano às exportações brasileiras de arroz beneficiado.

A medida foi tomada após a aprovação  recíproca dos requisitos fitossanitários para o arroz beneficiado do Brasil e o feijão do México, negociados coordenadamente entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Ministério das Relações Exteriores, pelo lado brasileiro, e a Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México.

A decisão reforça a posição do Brasil como um dos dez principais exportadores mundiais de arroz e representa um passo importante para a diversificação das relações comerciais com o México, país com mais de 120 milhões de habitantes, que importa cerca de 80% do arroz consumido no país.

MRE. AIG. NOTA-125. 10 de Mai de 2019. Não imposição, pelo Governo do Peru, de direito antidumping às exportações brasileiras de barras de aço. Nota conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Economia

O Brasil tomou conhecimento, com satisfação, da conclusão de investigação antidumping do Peru sobre barras de aço exportadas pelo Brasil, sem a adoção de qualquer sobretaxa. A autoridade investigadora daquele país concluiu inexistir ameaça de dano à indústria peruana.

O Governo brasileiro, por meio de atuação coordenada entre o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Economia, acompanhou todas as etapas da investigação conduzida pelo Peru, sempre buscando demonstrar que não havia dano ou ameaça de dano à indústria peruana que justificasse a aplicação de medidas antidumping às exportações brasileiras de barras de aço.

Trata-se de resultado importante para a relação econômico-comercial entre o Brasil e o Peru, uma vez que as exportações de barras de aço representam um dos principais itens da pauta exportadora brasileira para o país andino.

FGV. IBRE. 10/05/19. Artigo. Os rumos nesses quatro primeiros meses de governo
Por Lia Valls Pereira

Após a vigência de um quadrimestre do novo governo, é prematura a cobrança de resultados no campo da política de comércio exterior cujas ações requerem um horizonte de médio prazo para sua avaliação. No entanto, é possível analisar quais são as diretrizes que o novo governo sinaliza através de declarações, anúncios e, alguns casos, propostas já efetivadas na área de comércio exterior.

A política de comércio exterior não está dissociada da política externa. Até o momento, porém, os rumos da política externa têm causado mais ruídos e possíveis resultados ainda sujeitos à controvérsia. Um exemplo é o acordo que permite aos Estados Unidos lançarem satélites com fins pacíficos na Base de Alcântara, no Maranhão. O Brasil receberá um pagamento pelo uso do espaço, mas há cláusulas que impedem transferência de tecnologia e os Estados Unidos têm o controle da entrada de pessoas no espaço. Os ruídos poderão ser dissipados conforme fiquem claros os termos do acordo que poderão ter impactos positivos para a indústria espacial brasileira, na hipótese de uma maior sinergia com os técnicos dos Estados Unidos.

O principal debate relativo à política externa, no entanto, se refere a um distanciamento da política do “realismo pragmático” do Itamaraty que caracterizou grande parte da história diplomática do país e tem uma clara continuidade a partir dos anos de 1970. Além disso, a política externa esteve sempre referenciada pela opção do multilateralismo como referência obrigatória para a formulação de suas estratégias. Observa-se que o momento atual é outro, com uma crescente dificuldade de consolidação do sistema multilateral, em especial no campo do comércio. O governo Trump optou por uma estratégia de confronto negociado com a China para assegurar a liderança na construção de regras no mundo da Revolução 4.0. Os sinais da política externa brasileira de como irá se posicionar é que ainda não são claros, pois a tensão entre o “alinhamento com os Estados Unidos” e a importância do mercado chinês permeiam o debate sobre a eleição do princípio do “realismo pragmático”.

No campo da política de comércio exterior, destaco três pontos. O primeiro se refere à proposta de um novo arcabouço institucional. O Decreto nº 9745 publicado em 8 de abril de 2019 apresentou a proposta do Executivo para a reformulação administrativa do Ministério da Economia. Na área de comércio exterior foi criada a Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais que passa a englobar a Secretaria Executiva da Camex (SE/Câmara de Comércio Exterior), a Secretaria de Assuntos Econômicos Internacionais e a Secretaria de Comércio Exterior.

A SE/Camex passa a ter um caráter propositivo e está dividida em três áreas: estratégia comercial; investimento estrangeiro; e financiamento ao comércio exterior. Ressalta-se a área de investimentos estrangeiros, que irá ser um ponto relevante para que o Brasil amplie o número de seus acordos de investimentos. No momento foram assinados sete acordos, segundo informações no site da Secretaria de Comércio Exterior, que tratava do tema. É esperado que com a nova estrutura, sejam facilitadas as entradas de capital estrangeiro. Destaca-se a criação de uma plataforma Ombudsman com as informações relevantes para os investidores estrangeiros, a criação de um Ponto de Contato Nacional, que monitora as regras de comportamento das empresas multinacionais em relação às regulações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Novamente é preciso esperar para observar como a nova institucionalidade irá funcionar. De qualquer forma é uma proposta bem-vinda, pois uma das principais reclamações dos operadores do comércio exterior é a multiplicidade de regras em diferentes instâncias que governam o sistema de comércio exterior do Brasil.

O segundo se refere a continuação da promulgação de acordos comercias que vão além da liberalização fronteiriça do comércio de mercadoria. Aqui se insere o acordo Brasil-Chile que trata de temas de serviços, como roaming internacional, pequenas e média empresas, entre outros. A agenda de acordos de compras governamentais com o Peru e o Mercosul, além da assinatura de acordos de cooperação e facilitação de comércio e da continuação das negociações Mercosul com o Canadá, Japão e a EFTA (Associação de Livre-Comércio Europeia). Essa é uma agenda multilateral de acordos comerciais amplos que começou a ser delineada em 2015 e parece continuar no âmbito da política de comércio exterior.

O terceiro se refere à proposta de um programa da abertura comercial que fazia parte da agenda proposta pelo atual governo. Essa passa pela revisão da TEC (tarifa externa comum do Mercosul). Se rechaçada pelos parceiros do Mercosul, como proceder? Não é uma questão técnica se as regras Mercosul permitem ou não ações unilaterais, mas qual é reposta do governo brasileiro em termos de suas prioridades? Propostas técnicas nas relações comerciais sempre passam pelo crivo das relações externas. O que se espera do Mercosul? No momento, porém, há sinais de que o governo coloca a questão da reforma da TEC ou de um programa unilateral de liberalização em segundo plano, dada a prioridade da reforma da Previdência. Além disso, as turbulências na Argentina aconselham a um compasso de espera.

Os sinais da política externa nem sempre são consistentes, com avanços e recuos. No caso da política de comércio exterior, as propostas estão seguindo um roteiro mais claro, porém é preciso esperar o efeito das medidas propostas. E, por último, num mundo de enfraquecimento do sistema multilateral, a coordenação da política externa e de comércio exterior, onde os acordos bilaterais tendem a crescer deve estar sempre presente.

DOCUMENTO: https://portalibre.fgv.br/navegacao-superior/noticias/noticias-1509.htm


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LGCJ.: