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May 27, 2019


US ECONOMICS



VENEZUELA



DoS. MAY 25, 2019. Continued U.S. Support for Democracy in Venezuela. MORGAN ORTAGUS, DEPARTMENT SPOKESPERSON

WASHINGTON, DC - The United States supports the desire of the Venezuelan people to recover their democracy and bring the illegitimate Maduro regime to an end. Previous efforts to negotiate an end to the regime and free elections have failed because the regime has used them to divide the opposition and gain time.

Free elections cannot be overseen by a tyrant. As we have repeatedly stated, we believe the only thing to negotiate with Nicolas Maduro is the conditions of his departure. We hope the talks in Oslo will focus on that objective, and if they do, we hope progress will be possible.

We wish to note that today marks the 17th day since the arrest and disappearance of Edgar Zambrano, First Vice President of the Venezuelan National Assembly, the country’s last remaining democratic institution. Since his detention, Mr. Zambrano has had no contact with his family or his attorneys, and his location is unknown. Today also marks more than two months since the imprisonment of Roberto Marrero, an attorney and chief of staff to Interim President Juan Guaido. They are but two of the 800 political prisoners the Maduro regime held as of May 20.

We join supporters of democracy in Venezuela throughout the world in condemning their illegal imprisonment by the Maduro regime and in demanding their immediate release.



COLOMBIA



DoS. MAY 25, 2019. Colombian Government Establishes Independent Commission. MORGAN ORTAGUS, DEPARTMENT SPOKESPERSON

WASHINGTON, DC - The United States welcomes the Colombian government’s decision to establish an independent commission to examine allegations regarding the Colombian military. We understand the commission will make recommendations to President Duque in the near term. The United States strongly supports Colombia’s efforts to clarify this issue.

For over three decades, cooperation between the United States and Colombia has strengthened the rule of law, promoted transparency and accountability, and increased respect for human rights. Colombia has made great strides in advancing human rights and strengthening the institutions that protect them. A stronger, stable Colombia that protects human rights remains a key interest of the United States and the region.



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INDICADORES/INDICATORS




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BACEN. BOLETIM FOCUS: RELATÓRIO SEMANAL DE MERCADO
(Projeções atualizadas semanalmente pelas 100 principais instituições financeiras que operam no Brasil, para os principais indicadores da economia brasileira)



ANÁLISE



BACEN. PORTAL G1. 27/05/2019. Na 13ª queda seguida, mercado reduz previsão de alta do PIB para 1,23% em 2019. Expectativa de inflação dos analistas dos bancos permaneceu estável em 4,07% para este ano. Previsões constam no relatório Focus, divulgado pelo Banco Central.
Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

Os economistas das instituições financeiras reduziram a estimativa de alta do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 1,24% para 1,23%. Foi a 13ª queda consecutiva do indicador.

A previsão consta no boletim de mercado também conhecido como relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (27), pelo Banco Central (BC). O relatório é resultado de levantamento feito na semana passada com mais de 100 instituições financeiras.

VEJA O HISTÓRICO DAS PREVISÕES DO MERCADO PARA O PIB DE 2019
ESTIMATIVAS CONTIDAS NO RELATÓRIO FOCUS
POR CENTRO06/04/201808/06/201821/06/201817/01/201901/03/201918/03/201929/03/201917/04/201926/04/201903/05/201910/05/201917/05/201924/05/201911,522,533,5
17/04/2019
 : 1,81
Fonte: BANCO CENTRAL

As revisões para baixo na expectativa de crescimento do mercado financeiro para o PIB deste ano começaram, com mais intensidade, após a divulgação do resultado do ano passado – quando a economia avançou 1,1%.

No fim de março, o Banco Central estimou expansão de 2% para a economia brasileira neste ano e, na semana passada, o Ministério da Economia baixou a previsão de crescimento de 2,2% para 1,6% em 2019.

Para o ano que vem, a expectativa do mercado financeiro de expansão da economia permaneceu estável em 2,50%.

Os economistas dos bancos também não alteraram a previsão de expansão da economia para 2021 e para 2022 – que continuou em 2,5% para os dois anos.

Inflação

Para 2019, os economistas do mercado financeiro mantiveram a expectativa de inflação estável em 4,07%. A meta central deste ano é de 4,25%, e o intervalo de tolerância do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75%.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2020, o mercado financeiro manteve em 4% a estimativa de inflação – em linha com a meta central de 4% para o próximo ano. No ano que vem, a meta terá sido oficialmente cumprida se a inflação oscilar entre 2,5% e 5,5%.

Outras estimativas

  • Taxa de juros - O mercado manteve em 6,5% ao ano a previsão para a taxa Selic no fim de 2019. Esse é o índice atualmente em vigor. Com isso, o mercado segue prevendo juros estáveis neste ano. Para o fim de 2020, a previsão continuou em 7,25% ao ano. Desse modo, os analistas continuam prevendo alta nos juros no ano que vem.
  • Dólar - A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2019 ficou estável em R$ 3,80 por dólar. Para o fechamento de 2020, permaneceu em R$ 3,80 por dólar.
  • Balança comercial - Para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2019 caiu de US$ 50,50 bilhões para US$ 50,25 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado recuou de US$ 45,55 bilhões para US$ 45,33 bilhões.
  • Investimento estrangeiro - A previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2019, subiu de US$ 82 bilhões para US$ 83,29 bilhões. Para 2020, a estimativa dos analistas passou de US$ 82,52 bilhões para US$ 84,36 bilhões.

BACEN. REUTERS. 27 DE MAIO DE 2019. Mercado faz nova redução e passa a ver crescimento de 1,23% do PIB este ano

(Reuters) - Os economistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central fizeram ligeiros ajustes em suas expectativas nesta semana, com nova redução na estimativa para o crescimento da economia neste ano.

O levantamento divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central mostrou que a estimativa de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) agora é de 1,23%, ante 1,24% na semana anterior. Para 2020 não houve alteração na projeção de uma expansão de 2,50.

O mercado também manteve as contas de uma alta do IPCA de 4,07% neste ano e de 4,00% no próximo. O centro da meta oficial de 2019 é de 4,25 por cento e, para 2020, de 4 por cento, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

O IPCA-15 subiu em maio 0,35%, acumulando em 12 meses alta de 4,93%, de acordo com os dados divulgados na sexta-feira pelo IBGE.

A pesquisa semanal Focus com uma centena de economistas mostrou ainda que a taxa básica de juros deve terminar 2019 a 6,5% e 2020 a 7,25%, sem alterações.

Já o Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, segue vendo a Selic respectivamente a 6,5% e 7,0%.

Por Camila Moreira



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ECONOMIA BRASILEIRA / BRAZIL ECONOMICS



COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO



MEconomia. 27/05/2019. Comércio exterior. Balança comercial tem superávit de US$ 1,352 bilhão na quarta semana de maio. No acumulado do ano, saldo positivo chega a US$ 21,576 bilhões

Com exportações de US$ 4,989 bilhões e importações de US$ 3,637 bilhões, na quarta semana de maio de 2019, a balança comercial brasileira teve superávit de US$ 1,352 bilhão. No mês, o saldo positivo é de US$ 5,192 bilhões, resultado de exportações de US$ 11,929 bilhões e importações de US$ 8,219 bilhões. No acumulado do ano, as vendas externas brasileiras totalizam US$ 89,196 bilhões e as compras no exterior somam US$ 67,620 bilhões, com superávit de US$ 21,576 bilhões.

Balança comercial - 4ª semana; 5º mês

Análise da semana 

A média das exportações da quarta semana (US$ 997,8 milhões) ficou 0,7% abaixo da média registrada até a terceira semana (US$ 1,005 bilhão), em razão da queda nas exportações de produtos básicos (-9,1%, em função, principalmente, de petróleo em bruto, carnes salgadas, soja em grão, carnes bovina, suína e de frango, minério de ferro). Por outro lado, cresceram as vendas de produtos semimanufaturados (+19,0%, em razão de semimanufaturados de ferro ou aço, óleo de soja em bruto, ouro em formas semimanufaturadas, catodos de cobre, açúcar de cana em bruto, ferro-ligas) e manufaturados (+4,9%, em razão de aviões, motores e turbinas para aviação, tubos flexíveis de ferro ou aço, suco de laranja congelado, laminados planos de ferro ou aço).

Nas importações, também pela média diária, houve crescimento de 6,2%, sobre igual período comparativo - média da quarta semana, de US$ 727,4 milhões sobre a média até a terceira semana, que foi de US$ 684,9 milhões. O aumento das compras externas no período pode ser atribuído, principalmente, pelo aumento nos gastos com combustíveis e lubrificantes, equipamentos eletroeletrônicos, aeronaves e peças, adubos e fertilizantes, equipamentos mecânicos.

Análise do mês 

Nas exportações, comparadas as médias até a quarta semana de maio de 2019 (US$ 1,003 bilhão) com a média diária registrada em maio de 2018 (US$ 920,6 milhões), há crescimento de 8,9%  em função do aumento nas vendas de produtos manufaturados (+35,2%, por conta de aviões, óleos combustíveis, gasolina, partes de motores e turbinas para aviação, máquinas e aparelhos para terraplanagem, laminados planos de ferro ou aço) e semimanufaturados (+20,1%, por conta de produtos semimanufaturados de ferro ou aço, ferro-ligas, óleo de soja em bruto, ouro em formas semimanufaturadas, ferro fundido).

Por outro lado, caíram as vendas de produtos básicos (-1,9%, por conta, principalmente, de soja em grão, farelo de soja, bovinos vivos, minério de cobre, arroz em grão). Em relação à média diária de abril de 2019, houve crescimento de 6,9%, em virtude do aumento nas vendas das três categorias de produtos: semimanufaturados (+12,5%), básicos (+6%) e manufaturados (+6,1%).

Nas importações, a média diária até a quarta semana de maio deste ano (US$ 697,4 milhões) ficou 10,4% acima da média de maio do ano passado (US$ 631,5 milhões). Nesse comparativo, cresceram os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (+38,4%), combustíveis e lubrificantes (+ 23,7%), equipamentos eletroeletrônicos (+15,6%), químicos orgânicos e inorgânicos (+13,8%) e equipamentos mecânicos (+12,2%). Sobre abril de 2019, houve crescimento de 7,5%, pelos aumentos em adubos e fertilizantes (+44,2%), farmacêuticos (+19,4%), combustíveis e lubrificantes (+15,4%), químicos orgânicos e inorgânicos (+10,4%) e equipamentos eletroeletrônicos (+7%).

RESULTADOS GERAIS

Na quarta semana de maio de 2019, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,352 bilhão, resultado de exportações no valor de US$ 4,989 bilhões e importações de US$ 3,637 bilhões. No mês, as exportações somam US$ 17,047 bilhões e as importações, US$ 11,855 bilhões, com saldo positivo de US$ 5,192 bilhões. No ano, as exportações totalizam US$ 89,196 bilhões e as importações, US$ 67,620 bilhões, com saldo positivo de US$ 21,576 bilhões.

ANÁLISE DA SEMANA

A média das exportações da 4ª semana chegou a US$ 997,8 milhões, 0,7% abaixo da média de US$ 1,005 bilhão até a 3ª semana, em razão da queda das exportações de produtos básicos (-9,1%, de US$ 531,1 milhões para US$ 482,5 milhões, por conta de petróleo em bruto, carnes salgadas, soja em grão, carnes bovina, suína e de frango, minério de ferro). Por outro lado, cresceram as vendas de produtos semimanufaturados (+19,0%, de US$ 130,0 milhões para US$ 154,7 milhões, em razão de semimanufaturados de ferro ou aço, óleo de soja em bruto, ouro em formas semimanufaturadas, catodos de cobre, açúcar de cana em bruto, ferro-ligas) e manufaturados (+4,9%, de US$ 343,8 milhões para US$ 360,6 milhões, em razão de aviões, motores e turbinas para aviação, tubos flexíveis de ferro ou aço, suco de laranja congelado, laminados planos de ferro ou aço).

Do lado das importações, apontou-se crescimento de 6,2%, sobre igual período comparativo (média da 4ª semana, US$ 727,4 milhões sobre a média até a 3ª semana, US$ 684,9 milhões), explicada, principalmente, pelo aumento nos gastos com combustíveis e lubrificantes, equipamentos eletroeletrônicos, aeronaves e peças, adubos e fertilizantes, equipamentos mecânicos.

ANÁLISE DO MÊS

Nas exportações, comparadas as médias até a 4ª semana de maio/2019 (US$ 1,003 bilhão) com a de maio/2018 (US$ 920,6 milhões), houve crescimento de 8,9%, em razão do aumento nas vendas de produtos manufaturados (+35,2%, de US$ 257,9 milhões para US$ 348,7 milhões, por conta de aviões, óleos combustíveis, gasolina, partes de motores e turbinas para aviação, máquinas e aparelhos para terraplanagem, laminados planos de ferro ou aço) e semimanufaturados (+20,1%, de US$ 114,3 milhões para US$ 137,3 milhões, por conta de produtos semimanufaturados de ferro ou aço, ferro-ligas, óleo de soja em bruto, ouro em formas semimanufaturadas, ferro fundido). Por outro lado, caíram as vendas de produtos básicos (-1,9%, de US$ 527,1 milhões para US$ 516,8 milhões, por conta, principalmente, de soja em grão, farelo de soja, bovinos vivos, minério de cobre, arroz em grão). Relativamente a abril/2019, houve crescimento de 6,9%, em virtude do aumento na venda das três categorias de produtos: semimanufaturados (+12,5%, de US$ 122,0 milhões para US$ 137,3 milhões); manufaturados (+6,1%, de US$ 328,6 milhões para US$ 348,7 milhões) e básicos (+6,0%, de US$ 487,4 milhões para US$ 516,8 milhões).

Nas importações, a média diária até a 4ª semana de maio/2019, de US$ 697,4 milhões, ficou 10,4% acima da média de maio/2018 (US$ 631,5 milhões). Nesse comparativo, cresceram os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (+38,4%), combustíveis e lubrificantes (+23,7%), equipamentos eletroeletrônicos (+15,6%), químicos orgânicos e inorgânicos (+13,8%) e equipamentos mecânicos (+12,2%). Ante abril/2019, houve crescimento de 7,5%, pelos aumentos em adubos e fertilizantes (+44,2%), farmacêuticos (+19,4%), combustíveis e lubrificantes (+15,4%), químicos orgânicos e inorgânicos (+10,4%) e equipamentos eletroeletrônicos (+7,0%).



CONSTRUÇÃO CIVIL



FGV. IBRE. 27/05/19. Índices Gerais de Preços. INCC-M. INCC-M varia para 0,09% em maio

O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) subiu 0,09% em maio, percentual inferior ao apurado no mês anterior, quando a taxa foi de 0,49%. A taxa do índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços variou 0,18% em maio, ante 0,67% em abril. O índice referente à Mão de Obra variou 0,01% em maio, após subir 0,33% em abril.

Materiais, Equipamentos e Serviços

No grupo Materiais, Equipamentos e Serviços, a variação correspondente a Materiais e Equipamentos foi de 0,20%, contra 0,71% no mês anterior. Três dos quatro subgrupos componentes apresentaram decréscimo em suas taxas de variação, destacando-se materiais para estrutura, cuja taxa passou de 1,00% para 0,05%.

A variação relativa a Serviços passou de 0,53% em abril para 0,09% em maio. Neste grupo, vale destacar o recuo da taxa do item aluguel de máquinas e equipamentos, que passou de 0,71% para -0,42%.

Mão de obra

O índice referente à Mão de Obra variou 0,01% em maio. No mês anterior, este grupo apresentou taxa de 0,33%.

Capitais

Seis capitais apresentaram desaceleração em suas taxas de variação: Salvador, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Em contrapartida, Brasília apresentou acréscimo em sua taxa de variação.

DOCUMENTO: https://portalibre.fgv.br/navegacao-superior/noticias/noticias-1534.htm



ENTREVISTA



CORECON-DF. JORNAL EL PAÍS. 27 MAI 2019. ENTREVISTA. JOSÉ LUIS DA COSTA OREIRO. ECONOMISTA. “A chance de o Brasil entrar em recessão técnica beira os 70%”. O economista José Luis Oreiro defende que o momento não é de cortes, mas de aumento do investimento público, e chama Paulo Guedes de “jogador de poker”, ao vincular o cenário de catástrofe econômica a aprovação da Reforma da Previdência
Por Heloísa Mendonça

O economista José Luis Oreiro, um dos principais nomes do desenvolvimentismo no Brasil, avalia que a atual política de austeridade da equipe do ministro Paulo Guedes é equivocada e não ajudará a recolocar o país na rota do crescimento. Pelo contrário, Oreiro avalia que a economia brasileira já dá sinais de retração e o Brasil corre o risco de mergulhar novamente em uma recessão. As opiniões do economista importunam liberais, já que, na avaliação dele, o momento não é de cortes – ou contingenciamento –, mas de aumento do investimento público. Para ele, é justamente o Governo quem precisa fazer o papel anticíclico. Em entrevista ao EL PAÍS, Oreiro, que atualmente é professor da Universidade de Brasília (UNB), não poupa críticas ao Governo de Jair Bolsonaro e afirma que a equipe econômica liderada por Guedes quis criar um cenário de caos para convencer a população e parlamentares de que não há outra alternativa para o país a não ser aprovar a reforma da Previdência.

Pergunta. Saímos há muito pouco tempo de uma forte crise econômica e, desde então, o país apresenta uma lenta retomada. Nas últimas semanas, estamos vendo sucessivas quedas das projeções de crescimento. Corremos o risco de uma nova recessão?

Resposta. O Produto Interno Brasileiro (PIB) do primeiro trimestre deste ano irá se contrair e isso já está dado. Os números do Banco Central mostram uma contração, as projeções do monitor do PIB da Fundação Getúlio Vargas (FGV) também apontam na mesma direção. A pergunta agora é: qual será o comportamento do segundo trimestre? Não há, no entanto, nenhum indicador positivo. Nas últimas semanas, as condições financeiras se deterioraram – houve aumento dos juros de longo prazo, avanço da cotação do dólar, queda da bolsa — e elas sinalizam o aperto do preço do crédito e vão no sentido de produzir uma contração do nível da atividade. É muito provável que o segundo trimestre venha com um número negativo da atividade econômica e dois trimestres consecutivos de queda do PIB caracterizam recessão técnica. A chance do Brasil entrar em recessão técnica é hoje maior que 50%, está entre 60 e 70%.

P. Esta está sendo a retomada mais lenta da história recente do país. Por que o país não está conseguindo voltar para o patamar de atividade pré-crise?

R. A questão é que todas as políticas econômicas, a fiscal, a monetária e a parafiscal (leia-se o crédito dos bancos públicos) continuam no campo contracionista. A política fiscal, seja com a implantação do teto de gastos ou com o problema hoje da regra de ouro, tem sido contracionista já que reduziu o investimento público. Ele vem caindo sistematicamente nos últimos três anos. E ele é o componente do Governo que tem maior efeito multiplicador. Sobre a política monetária, o Banco Central (BC) subiu o juros durante todo o ano de 2015 e só reduziu a taxa Selic no final de 2016. E a redução foi lenta, muitos economistas, como o Braúlio Borges, da FGV do Rio de Janeiro, mostram que a queda da taxa de juros foi insuficiente.

P. Ela atingiu, no entanto, o menor patamar histórico...

R. Embora você tenha reduzido a taxa de juros até 6,5% ao ano, aquilo que é a taxa neutra de juros [    ]  compatível com uma inflação baixa também caiu no período por conta da recessão. O que faz sentido. Quando o desemprego aumenta muito, mesmo aquelas pessoas que continuam no mercado de trabalho na recessão, ficam com medo de perder o emprego e reduzem o consumo e aumentam sua poupança. Ao aumentar a poupança cai a taxa de juros neutra. Embora o BC tenha reduzido a taxa de juros todo ano de 2017, chegado ao patamar de 6,5%, o que as estimativas mostram é que essa redução foi insuficiente porque foi seguida pela redução da taxa de juros neutra. O efeito de estímulo da política monetária acabou sendo muito pequeno. O terceiro fator que explica a lenta retomada é o comportamento do crédito público, dos bancos públicos, principalmente do BNDES. No momento em que a economia está entrando numa grave recessão, o BNDES está diminuindo de tamanho, está reduzindo seus empréstimos, já que ele inclusive está devolvendo parte do empréstimo que ele pegou junto ao Tesouro Nacional. Você está reduzindo o crédito público justamente no momento em que ele é mais necessário. E a alternativa que as empresas tiveram para se financiar era com o crédito dos bancos privados, que é muito mais caro com prazo muito menor.

P. Como conseguir voltar com o investimento público num momento de descontrole das contas públicas e de total austeridade por parte do Governo?

R. Como todos os países fizeram quando se encontraram diante desse tipo de situação. Quando você entra numa recessão, o setor privado está cortando gastos, as famílias estão reduzindo consumo e as empresas, investimentos. Por quê? Tanto as empresas como as famílias querem reduzir seu endividamento. Mas, para que isso aconteça, é necessário que o setor público aumente o dele. Isso é uma contrapartida contábil necessária. Se o Governo e o setor privado reduzirem seus gastos ao mesmo tempo, o resultado final será uma queda grande do nível de atividade. O Governo precisa fazer o papel anticíclico, que é o papel fundamental dos Estados modernos desde a publicação da teoria geral do emprego, do juro e da moeda do economista britânico John Maynard Keynes em 1936. Isso é resultado básico de macroeconomia que foi solenemente ignorado tanto pelo presidente Michel Temer, pela presidenta Dilma Rousseff no segundo mandato e está sendo negligenciado pelo gestão de Bolsonaro. A equipe de Paulo Guedes está fazendo uma política equivocada, o equilíbrio fiscal tem que ser intertemporal, não pode ser num dado ponto do tempo. Quando a economia está em recessão, o Governo não tem que cortar o investimento, isso só piora as coisas. Dessa forma, ele reduz ainda mais o nível de atividade, a arrecadação de impostos cai, o que acaba piorando o déficit das contas públicas. Não há como dizer que, se o Governo tivesse continuado gastando com investimento, a situação fiscal estaria pior. Não necessariamente. Na verdade, isso poderia dar um impulso para o nível de atividade econômica. Na medida em que a economia crescesse mais rapidamente, ele começaria a arrecadar mais impostos e reduziria os gastos públicos. Todos os países desenvolvidos fizeram isso na crise de 2008. Estados Unidos, Japão, países europeus, a China fez em escala inimaginável.

Se não houver um aumento significativo do investimento público, que hoje está no nível mais baixo dos últimos 30 anos, não teremos crescimento.

P. Nos últimos anos, a Reforma da Previdência tem sido considerada a principal medida econômica para evitar um colapso das contas públicas. Está de acordo com o projeto em tramitação?

R. A reforma da Previdência é necessária para evitar uma catástrofe daqui a dez, quinze anos, não é para resolver o problema agora. Até porque o impacto de curto prazo sobre as contas do Governo é zero. Ela não ajuda em nada a situação fiscal hoje. A reforma é para evitar que daqui a quinze anos tenhamos um problema de magnitude do monte Everest. Ela está mal encaminhada, não faz nenhum sentido introduzir um regime de capitalização. Devido aos custos de transição, ele só pioraria as contas do Governo. Se implementado, aí sim veremos o que é uma crise fiscal. Dez vezes pior do que a de agora, não faz sentido. Todo mundo sabe disso, menos o Paulo Guedes. Ele não tem nenhum dado objetivo que ampare essa proposta de capitalização, é uma irresponsabilidade, mas que pelo visto o Congresso já percebeu e não deverá aprovar esse tema. As mudanças do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da aposentadoria rural aumentam a pobreza. Elas pioram a distribuição de renda e geram pouco ganho para o Governo em uma década. A proposta possui uma série de problemas e precisa ser significativamente mudada. Mas acredito que isso acontecerá, fazendo com que a economia gerada seja em torno de 600 bilhões de reais, 700 bilhões de reais, muito abaixo do 1,3 trilhão de reais…

P. Acha que a aprovação da reforma pode contribuir de forma contundente para retomar a confiança de empresários e investidores (mantra repetido por muitos especialistas e pelo Governo) e ajudar o país a retomar a rota de crescimento?

O BC poderia reduzir a taxa de juros de 6,5% para 5%, o que diminuiria o custo de rolagem da dívida pública. Você abriria espaço para descontingenciar o orçamento federal

R. Não. Isso não gera demanda, você está cortando gastos que vão acontecer no futuro. Ou que iriam, caso a reforma não fosse aprovada. Porém, isso não gera um centavo a mais para aumentar investimento público. E, sem o aumento do investimento público, não há como sair dessa armadilha que a gente se colocou. Sobre a confiança, não existe nenhuma evidência empírica a respeito da chamada contração fiscal expansionista. Inclusive, os efeitos da reforma já estão precificados nos ativos, no dólar e na Bolsa. Então, você não vai ter ganhos significativos com a aprovação das mudanças no regime de aposentadoria. Embora eu reconheça que, se a reforma não for aprovada, se nada for aprovado de fato, você vai piorar a situação do país. Os ativos já estavam precificando uma reforma da Previdência com uma economia de 600 bilhões a 800 bilhões de reais. As coisas degringolaram um pouco nos últimos dois meses por conta da inabilidade política do Governo, fazendo subir a incerteza sobre o quanto será aprovado da reforma. Foi isso que fez com que o dólar caísse, que a bolsa caísse e que o juros no longo prazo aumentassem. Mas, há dois meses, o mercado estava muito otimista, isso já estava precificado.

P. Apesar de defender um projeto econômico diferente do atual, o senhor concorda com algumas das medidas apresentadas pelo Governo Bolsonaro?

R. A reforma interessante é a tributária, mas quem vai tocar será o Congresso Nacional. A proposta de reforma do Governo que o secretário Marcos Cintra anunciou, querendo um imposto único, é um horror, uma aberração completa. Mas a que está sendo tramitada na Câmara, com base no projeto do economista Bernardo Appy, que quer introduzir a criação do Imposto de Valor Adicionado (IVA), é interessante. Essa pode dar competitividade à indústria de transformação e um gás nas exportações no médio prazo. Essa sim é extremamente importante. Já há o compromisso do Rodrigo [Maia] votar essa proposta, essa sim tem potencial de estimular o crescimento da economia brasileira. Ela deveria inclusive vir antes da Previdência, uma vez que já traz competitividade hoje. Mas, se for possível tocar as duas juntas, ótimo. Além da criação do IVA, para acabar com a bagunça dos impostos indiretos, a reforma tributária de Appy reintroduz o imposto de renda sobre lucros e dividendos. Mas junto com isso, você precisa reduzir a alíquota de Imposto de Renda sobre pessoa jurídica. No fundo, é necessário uma reforma que cobre menos imposto das pessoas jurídicas e mais das físicas. É uma reforma pró-crescimento. Não se tributa os lucros que as empresas usam para o investimento, tributa o lucro total.

P. O Congresso tem planejado impulsionar agendas próprias, muitas delas econômicas, como a reforma da Previdência e a tributária, como forma de assumir um amplo protagonismo na comparação ao Executivo. Começa a se falar de um parlamentarismo branco….

Acho que um parlamentarismo branco não é sustentável. O presidente vai continuar com enormes poderes constitucionais e a capacidade dele criar crises é muito grande, como nós temos percebido nesses cinco meses

R. Acho que isso não é sustentável. O presidente vai continuar com enormes poderes constitucionais e a capacidade do presidente criar crises é muito grande, como nós temos percebido nestes cinco meses. Acho que, em algum momento, alguma solução terá que ser dada, a primeira é o presidente se adaptar às regras do jogo. Jogar conforme é esperado. A segunda opção é afastá-lo por renúncia, impeachment, mas alguma solução vai ter. Esse equilíbrio, em que você cria um parlamentarismo branco sem isso estar na Constituição, não acredito que seja viável. É uma solução para, minimamente, neste momento, tramitar essa reforma da Previdência, mas será necessário uma solução definitiva.

P. Qual o projeto econômico adequado neste momento para o Brasil sair dessa estagnação?

R. O que precisa ser feito é uma coordenação entre a política fiscal e monetária e isso pode ser feito por intermédio do Conselho Monetário Nacional. Que agora nem sabemos mais como está. Ele era formado pelo ministro da Fazenda, do Planejamento e o presidente do BC. Agora o Paulo Guedes acumula a função da Fazenda e do Planejamento. O Banco Central poderia reduzir a taxa de juros de 6,5% para 5%. Ao reduzir, diminui o custo de rolagem da dívida pública. Essa redução geraria uma economia de aproximadamente 30 bilhões de reais, justamente o que o Governo contingenciou em abril, do orçamento da União. Você abriria espaço para descontingenciar o orçamento federal e, com isso, evitar uma queda ainda maior do investimento público. Acho que essa seria uma medida muito simples, não é radical e todo mundo entenderia se o ministro da Fazenda tivesse serenidade de explicar isso para a população e o mercado. Agora, infelizmente, o Governo não tem essa percepção. Na minha avaliação, na verdade, a situação que chegamos agora foi pensada pelo próprio Governo. A equipe econômica quis criar um cenário de caos para dizer à população e ao Congresso que não há outra alternativa a não ser fazer a reforma da Previdência do jeito que o Governo encaminhou, sem muita discussão. Isso foi uma estratégia deliberada do Governo.

A equipe econômica quis criar um cenário de caos para dizer a população e para o Congresso que não há outra alternativa a não ser fazer a reforma da Previdência

P. Mas o senhor acredita que eles colocariam propositalmente o país em um cenário de catástrofe econômica para conseguir aprovar a Previdência?

R. Aí tem um pouco da personalidade do Paulo Guedes, que é jogador de poker. Ele trucou, fez essa estratégia arriscada, que não vingou, mas que se funcionasse ele conseguiria aprovar a reforma dos sonhos deles. Mas não funcionou porque a sociedade brasileira está querendo discutir os detalhes da reforma. Está cada vez mais claro que há aspectos problemáticos, o Congresso tem consciência disso e vai mudar.

P. Além dos juros, quais outras medidas a médio prazo poderiam ser tomadas para retomar de forma robusta a atividade, produtividade e os empregos?

R. Aí é preciso pensar em um projeto de país, de desenvolvimento ao longo prazo, o que o Governo Bolsonaro não tem. Eu diria que quase ninguém tem. Esse projeto passa pela recuperação da capacidade de investimento público, seja da União, de Estado ou municípios. Nesse aspecto, a reforma tributária será fundamental junto com a Previdência para a gente conseguir dar fôlego financeiro tanto para a União como para estados e municípios recuperarem sua capacidade de investimento. Se não houver um aumento significativo do investimento público, que hoje está no nível mais baixo dos últimos 30 anos, não teremos crescimento. A produtividade não cai do céu, ela é algo que depende da estrutura econômica, e a estrutura produtiva do Brasil regrediu nos últimos 20 anos. A indústria perdeu muito importância e o setor de serviço ganhou importância, por isso a produtividade está estagnada. Para reindustrializar o Brasil é preciso uma taxa de câmbio competitiva, mas que seja estável. O câmbio atual de 4,10 reais é até bom, o problema é que o câmbio oscila muito, daqui a 5 meses pode estar 3,80 reais. A oscilação é ruim para indústria, aumenta a incerteza e faz com que os empresários não se sintam estimulados a investir. É fundamental mudar o regime de câmbio para assegurar aos empresários que ele ficará num patamar competitivo e estável no médio e longo prazo. Não significa câmbio fixo, mas sim um flutuante administrada pelo BC de que ele flutue em torno de um nível competitivo. É preciso políticas industriais e tecnológicas. Foram mal feitas no governo do PT, que se resumiu em conceder benefícios tributários.

P. Qual tipo de política especificamente o senhor sugere?

R. Poderíamos usar o orçamento do ministério da Defesa para desenvolver uma indústria de defesa sofisticada no Brasil. Hoje nós não temos, temos apenas na Embraer. Na verdade, a Embraer foi constituída um pouco com o orçamento da Defesa do Brasil. Foram as encomendas governamentais da construção de aviões que viabilizaram as pesquisas que a Embraer acabou fazendo e ajudaram a desenvolver aviões comerciais. Essa política não se limita a concessão de subsídio tributário e benefício. Pode eventualmente ter, mas tem que ser pensada de uma forma mais estruturante. A ideia de que, primeiro, eu tenho que sair da crise para então fazer essas políticas é míope. Está errada. Você faz essas políticas como parte da estratégia de sair da crise e acelerar o crescimento.

P. Um dos pilares da gestão de Bolsonaro é a abertura da economia ao mercado internacional. O Brasil está preparado para esse movimento?

R. O fechamento atual da economia brasileira é uma consequência da valorização da taxa de câmbio. Como o câmbio é muito valorizado, as empresas nacionais acabam demandando proteção comercial, dado que não conseguem mudar o câmbio. A melhor política é colocar o câmbio no patamar correto e estável e, uma vez que você acertar o câmbio, com um valor competitivo,você pode reduzir as tarifas comerciais sem nenhum problema. Para administrar o câmbio, você pode usar os controles de entrada de capitais, como foi feito no passado de maneira tímida pelo Guido Mantega, via IOF [Imposto sobre Operações Financeiras]. Mas a ordem dos fatores altera o resultado. Atualmente, com o câmbio pouco competitivo e com a atual infraestrutura do país, as empresas brasileiras não conseguem competir com o exterior. As tarifas são as únicas coisas que sobraram para evitar que a indústria brasileira seja varrida do mapa. Se, nessas condições, fizermos uma abertura econômica como a equipe econômica almeja, vamos destruir a indústria brasileira.

P. Outra prioridade do Governo é a privatização de uma centena de empresas. O secretário incumbido para tirar o plano do papel, Salim Mattar, já afirmou que não "existe estatal eficiente''. Qual a sua posição sobre o tema?

R. Precisam ser analisadas caso a caso. Não tenho nada contra, a princípio, a privatização ou sobre as estatais. Mas as estatais não dependentes do Tesouro não deveriam ser privatizadas. A Petrobras e o Banco do Brasil, por exemplo, dão muito lucro e dividendos para o Governo. Não dá para privatizar apenas para gerar caixa.

P. Em tempos de austeridade o Governo decidiu que, em 2020, não haverá aumento real do salário mínimo no Brasil. A mudança de valor deve apenas repor as perdas inflacionárias, e não mais considerar o crescimento da economia do país, como vinha acontecendo desde 2011. Como avalia a mudança?

R. A fórmula usada pelo Governo do PT era ruim, desvinculava o crescimento real do salário mínimo com qualquer noção de aumento de produtividade, era uma fórmula ruim. Mas não dar aumento de salário mínimo é o mesmo que dizer que não vamos ter desenvolvimento econômico. Se você tem, é natural que os salários aumentem. Para ter desenvolvimento você precisa de aumento de produtividade e ele deve ser repassado para os salários para que o padrão de vida da população possa aumentar. Defendo uma fórmula intermediária, em que o salário deveria ser reajustado pela meta da inflação mais a média móvel dos últimos cinco anos do crescimento da renda per capita. No médio prazo, a renda per capita e a produtividade devem crescer juntas, então ao adotar essa fórmula cria-se uma regra que cresce com a produtividade.


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LGCJ.: