US ECONOMICS
IRAN
EUA. IRÃ. REUTERS. 21 DE JUNHO DE 2019. Trump diz que cancelou ataque dos EUA ao Irã por possíveis vítimas
WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira que cancelou um ataque militar contra o Irã porque seria uma resposta desproporcional à derrubada de um drone de vigilância dos EUA, acrescentando que mais sanções foram impostas contra a República Islâmica.
“Estávamos armados e carregados para retaliar ontem à noite em três locais diferentes quando eu perguntei quantos vão morrer”, escreveu Trump em uma série de tuítes pela manhã. “Cento e cinquenta pessoas, senhor, foi a resposta de um general”.
“Dez minutos antes do ataque, eu o cancelei, não é proporcional a derrubar um drone anônimo. Não tenho pressa alguma”, acrescentou
Trump disse que sanções norte-americanas sobre o Irã estavam surtindo um efeito e, sem fornecer mais detalhes, afirmou que novas penalizações foram impostas na noite de quinta-feira.
Autoridades iranianas disseram à Reuters nesta sexta-feira que Teerã recebeu uma mensagem de Trump, alertando que um ataque dos EUA ao Irã era iminente, embora ele fosse contra uma guerra e quisesse dialogar.
Os tuítes de Trump não indicaram se ele havia enviado a mensagem para líderes do Irã, mas repetiram seus ataques ao acordo assegurado por seu antecessor democrata, Barack Obama. O presidente em exercício também reiterou seu parecer de que o país do Oriente Médio não teria a permissão para obter armas nucleares.
As tensões em escalada emergiram após o Teerã, na quinta-feira, informar que havia derrubado um drone militar dos EUA com um míssil terra-ar após uma série de ataques a petroleiros na região do Golfo.
Reportagem de Susan Heavey e David Alexander
EUA. IRÃ. REUTERS. 21 DE JUNHO DE 2019. Irã diz que se absteve de abater avião dos EUA com 35 pessoas, segundo Tasnim
LONDRES (Reuters) - O Irã se absteve de abater um avião norte-americano com 35 pessoas a bordo que acompanhava a aeronave não tripulada que foi abatida no Golfo Pérsico, disse um comandante da Guarda Revolucionária iraniana nesta sexta-feira.
Amirali Hajizadeh, chefe da divisão aeroespacial da Guarda Revolucionária, afirmou, segundo a agência de notícias Tasnim: “Com o drone norte-americano na região havia também um avião americano P-8 com 35 pessoas a bordo. Esse avião também entrou em nosso espaço aéreo e nós poderíamos tê-lo derrubado, mas nós derrubamos”.
Reportagem de Bozorgmehr Sharafedin
EUA. IRÃ. REUTERS. 21 DE JUNHO DE 2019. Trump alertou Irã para ataque iminente e pediu conversas, dizem autoridades iranianas
DUBAI (Reuters) - Autoridades do Irã disseram à Reuters nesta sexta-feira que o país recebeu uma mensagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertando que um ataque norte-americano ao Irã é iminente, mas dizendo que não quer guerra, e sim debater uma série de assuntos.
A notícia sobre a mensagem, entregue via Omã de madrugada, veio pouco depois de o jornal New York Times dizer que Trump aprovou ataques militares contra o Irã nesta sexta-feira por causa da derrubada de um drone de vigilância dos EUA, mas os cancelou na última hora.
“Em sua mensagem, Trump disse que é contra qualquer guerra com o Irã e que quer conversar com Teerã sobre vários assuntos”, disse uma das autoridades à Reuters, pedindo anonimato.
“Ele deu um período de tempo curto para receber nossa resposta, mas a resposta imediata do Irã foi que cabe ao líder supremo (aiatolá Ali) Khamenei decidir sobre esta questão”, disse a fonte.
Uma segunda autoridade iraniana disse: “Deixamos claro que o líder é contra qualquer conversa, mas a mensagem será transmitida para que ele tome uma decisão”.
“Entretanto, dissemos à autoridade omanense que qualquer ataque contra o Irã terá consequências regionais e internacionais”.
Após semanas de tensão crescente, na esteira de uma série de ataques a navios-tanque na região do Golfo Pérsico, o Irã disse na quinta-feira que abateu um drone militar de vigilância dos EUA com um míssil terra-ar.
Após a derrubada da aeronave, Trump sinalizou que não está disposto a uma escalada no impasse com o regime em reação às suas atividades nuclear e de mísseis balísticos e ao seu apoio a forças que atuam em seu nome em vários conflitos no Oriente Médio.
Ele disse que o drone pode ter sido abatido por engano por alguém que estava agindo “como um idiota descontrolado”, mas acrescentou: “Este país não o tolerará”.
O incidente agravou os temores globais de um confronto militar direto entre os inimigos de longa data, e nesta sexta-feira os preços do petróleo subiram mais um dólar por barril, passando de 65,50 dólares, devido às apreensões a respeito de possíveis transtornos nas exportações de petróleo cru do Golfo.
Segundo um funcionário de alto escalão dos EUA citado pelo NYT, aviões decolaram e navios foram posicionados para um ataque retaliatório ao Irã, mas depois receberam ordens de não agir, e nenhuma arma foi disparada.
Teerã disse ter abatido um drone de vigilância sem armas Global Hawk enquanto ele espionava parte de seu território litorâneo, e nesta sexta-feira a televisão estatal mostrou o que disse serem seções recuperadas da aeronave.
Já Washington afirmou que o drone estava no espaço aéreo internacional sobre o Estreito de Hormuz.
Reportagem adicional de Babak Dehghanpisheh, em Genebra; Jamie Freed, em Cingapura; David Shepardson, em Washington; Tom Westbrook, em Sydney; Tom Balmforth, em Moscou; Roberta Rampton e Phil Stewart; em Washington
LABOR
U.S. Department of State. JUNE 21, 2019. On the Centenary of the Founding of the International Labor Organization. STATEMENT. MICHAEL R. POMPEO, SECRETARY OF STATE
The United States today celebrates the 100th anniversary of the founding of the International Labor Organization (ILO). The dignitaries that convened in Paris in 1919 to end the Great War knew that any lasting peace needed to be rooted in the protection of individual rights, including the rights of workers and employers to associate freely and bargain collectively. The United States proudly hosted the first International Labor Conference in 1919 and the war-time conference that enshrined the ILO’s enduring founding principles and aims in the Declaration of Philadelphia. As strong supporters of the ILO and its mission, we reflect on the important role played by Americans to create and sustain this organization, including David Morse, who served as ILO Director-General for 22 years, and under whose leadership the ILO won the Nobel Peace Prize.
Though conditions for workers in many places have improved vastly, by no means is the work of the ILO and the international community finished.
We note the dire conditions in Xinjiang, China, where over a million Uighurs, ethnic Kazakhs, Kyrgyz, and other Muslims have been detained in concentration camps since April 2017, with many subjected to forced labor, among other forms of inhumane treatment. Students, independent labor activists, and others advocating for fair and safe working conditions are also increasingly under threat in China, including the approximately 50 workers and students the government detained for supporting workers attempting to organize a trade union.
In Iran, workers face the death penalty for merely demanding to be paid for their labor, while the Iranian Revolutionary Guards Corps enjoys massive government subsidies and plunders the Iranian people’s resources with impunity.
We also recognize the suffering of the Venezuelan workers and employers who face severe limitations to their freedom of association and right to organize, and who have been systematically impoverished at the hands of the former Maduro regime.
The ILO has done important work in Zimbabwe, where security forces have committed acts of violence and harassment against trade union leaders. We remain concerned that government interference with trade union activity remains common in Zimbabwe.
As the ILO enters its second century pursuing objectives critical to economic prosperity and security around the world, the United States recommits itself to advancing the rights of workers globally.
MONETARY POLICY
FED. June 21, 2019. Speech. Fed Listens in Cincinnati: How Does Monetary Policy Affect Your Community? Governor Lael Brainard. At Policy Summit 2019: Connecting People and Places to Opportunity, Federal Reserve Bank of Cleveland, Cincinnati, Ohio
It is good to be here in Cincinnati. I want to thank my colleague, Loretta Mester, for inviting me to participate today, and it is a pleasure to participate in the Federal Reserve Bank of Cleveland's Policy Summit.1
Today's session is part of a series called Fed Listens. The Federal Reserve is reaching out to communities around the country to hear how Americans are experiencing the economy day to day and to make sure we are carrying out the monetary policy goals assigned to us by the Congress in the most effective way we can.2
The Congress has assigned the Federal Reserve to use monetary policy to achieve maximum employment and price stability. These two goals are what we refer to as our dual mandate. By price stability, we mean moderate and stable inflation. The Federal Open Market Committee (FOMC)—the group at the Fed responsible for determining monetary policy—has announced that our goal is to keep inflation around 2 percent over time. The maximum-employment part of our dual mandate means that the Congress has directed us to achieve the highest level of employment that is consistent with price stability.
The Outlook
Earlier this week, President Mester and I participated in the meeting of the FOMC, where we had the opportunity to share our views on the economy and policy. My own assessment is that the most likely path for the economy remains solid. The latest data suggest that consumer spending is robust, and consumer confidence is high. Although the pace of payroll gains has moderated recently, unemployment is at a 50-year low, wages are growing, participation in the labor force has expanded, and unemployment insurance claims are at cycle lows. Despite recent volatility, financial conditions overall remain supportive.
Recent weeks, however, have seen important downside risks. Crosscurrents from policy uncertainty have risen since early May, crimping business investment plans, raising concerns in some financial market segments, and weighing on global growth prospects. Foreign authorities are seeking additional policy space to address growth and inflation shortfalls. In addition, recent indicators of inflation and inflation expectations have been disappointing, making it all the more important to sustain the economy's momentum.
The downside risks, if they materialize, could weigh on economic activity. Basic principles of risk management in a low neutral rate environment with compressed conventional policy space would argue for softening the expected path of policy when risks shift to the downside.3
Our Review
With recent indicators suggesting the expansion is continuing at a solid pace and unemployment at a 50-year low, inflation has not yet moved to our goal on a sustained basis. In many ways, that can be viewed as an opportunity, with the sustained expansion providing critical job opportunities to a broader set of applicants. In parallel, it is also vital that a central bank meets its inflation target on a sustained basis, which will provide more capacity to buffer the economy if it encounters headwinds.
We are undertaking our review to ensure we are well positioned to meet our goals for many years to come, especially in light of the way the economy is changing, which I have been referring to as the "new normal."4 There are a few key features of that new normal. First, interest rates have stayed very low in recent years in the United States and in many other advanced economies, and it seems likely that equilibrium interest rates will remain low in the future. Low interest rates present a challenge for traditional monetary policy in recessions. In the past, the Federal Reserve has typically cut interest rates 4 to 5 percentage points in order to support household spending and business investment. However, when equilibrium interest rates are low, we have less room to cut interest rates and less room to buffer the economy using our conventional tool.
Another big change in the economy is that inflation does not move as much with economic activity and employment as it has in the past, which is what economists mean when they say the Phillips curve is very flat. A flat Phillips curve has important advantages: The labor market can strengthen a lot and pull many workers who may have been sidelined back into productive employment without an acceleration in inflation, unlike what we saw in the 1960s and 1970s.
On the other hand, today's low sensitivity of inflation to slack, along with the limited ability to cut interest rates in a recession, means it can be more difficult to achieve our 2 percent inflation objective on a sustainable basis. The limited ability to cut interest rates could provide less ability to buffer the economy in a downturn, while the very flat Phillips curve could make it harder to boost inflation during an expansion. And that could further compress policy space in a negative spiral.
As we have seen in other countries, if inflation consistently falls short of the central bank's objective, consumers, workers, and businesses start to expect lower inflation to continue. Expectations of low inflation can create a self-fulfilling dynamic with actual inflation, making it even more difficult for the central bank to boost inflation. And because inflation is reflected in nominal interest rates, that, in turn, can reduce the amount of policy space the central bank has available to prevent the economy from slipping into recession. In fact, in recent years, central banks around the world have had to use a larger variety of policy tools than they have traditionally used to support the recovery.
Some Issues to Explore
Given the new normal of low equilibrium interest rates and low sensitivity of inflation to slack, it is prudent to assess how well various approaches worked both here and around the world, with a view to identifying the best ways to promote the goals the Congress assigned to us. Earlier this month, we held a conference in Chicago where we heard from experts as well as community organizations, small businesses, labor organizations, and retirees. We are looking at our tools and strategies, assessing not just the various approaches that were undertaken, but also approaches that have been proposed but not tried.
One of the ideas discussed in Chicago is that the Federal Reserve should explicitly promise to "make up" for misses on inflation during a downturn. The Federal Reserve could hold interest rates lower after a recession is over, perhaps by promising not to raise interest rates until inflation or the unemployment rate have reached particular levels.5 A related idea discussed in Chicago is average inflation targeting, meaning the Federal Reserve would aim to achieve its inflation objective, on average, over a longer period of time—perhaps over the business cycle.6 This approach could also have aspects of a makeup policy, depending on how it is designed. While such approaches sound quite appealing on their face, they have not yet been implemented in practice. There is some skepticism that a central bank would in fact prove able to support above-target inflation over a sustained period without becoming concerned that inflation might accelerate, and inflation expectations might rise too high.
At the Chicago conference, we also heard how difficult it can be to estimate with any precision the "maximum employment" leg of our dual mandate.7 There is no fixed destination point for maximum employment—no single number where we can be sure we are "there." Maximum employment is something that we must learn about by seeing how the job market is operating. That is very different from the longer-run level of inflation, which central banks are presumed able to determine over time.
At our conference in Chicago, we also asked the panelists about our communications with the public, and the responses were humbling. The Federal Reserve communicates with the public about monetary policy through a variety of channels. At each of our policy-setting meetings, the FOMC issues a statement, and Chair Jerome Powell holds a press conference. Three weeks after the meeting, the minutes of the meeting are published. Twice a year, the Federal Reserve submits a Monetary Policy Report to the Congress.
We heard in Chicago that most members of the public care a lot about the job market and the cost of credit, but they are not aware of our communications about monetary policy.8 Of course, the media plays an important role in communicating our monetary policy actions and how they affect the economy. And the Congress, which plays an important role in overseeing the Fed, is a key audience as well. Nonetheless, considering how we can provide greater visibility to the public about what we do will be one of the issues we will be considering as our policy review continues.
Listening
Now, how does today's event fit into all of this? Since I arrived at the Fed, I have derived tremendous benefit from visiting communities all over the country to hear from them how they are experiencing the economy. Today President Mester and I want to hear from you. How is your community experiencing today's economy? Is everyone who wants a job able to get one? Can they get the necessary training? Are businesses finding it relatively easy to hire the workers they need? How does price inflation and wage growth affect you? What about the availability and cost of credit—whether to start or expand a small business, buy a car to get to work, or invest in owning a home or getting a degree? And are there ways we can better communicate with you? I look forward to hearing your views on these and other questions.
Notes
- I am grateful to John Roberts of the Federal Reserve Board for his assistance in preparing this text. These remarks represent my own views, which do not necessarily represent those of the Federal Reserve Board or the Federal Open Market Committee.
- See Richard H. Clarida (2019), "The Federal Reserve's Review of Its Monetary Policy Strategy, Tools, and Communication Practices," speech delivered at the 2019 U.S. Monetary Policy Forum, sponsored by the Initiative on Global Markets at the University of Chicago Booth School of Business, New York, New York, February 22; and Jerome H. Powell (2019), "Monetary Policy: Normalization and the Road Ahead," speech delivered at the 2019 SIEPR Economic Summit, Stanford Institute of Economic Policy Research, Stanford, California, March 8.
- One reason for caution is the risk of building financial market imbalances, such as currently elevated levels of risky corporate debt. In my view, it is better to address such financial imbalances by activation of our countercyclical capital buffer, rigorous use of stress tests, and beefed-up monitoring of leveraged lending than by monetary policy.
- See Lael Brainard (2016), "The 'New Normal' and What It Means for Monetary Policy," speech delivered at the Chicago Council on Global Affairs, Chicago, Illinois, September 12.
- See Sharon Kozicki (2019), "Monetary Policy Strategies for the Federal Reserve: Discussion of Practical Considerations (PDF)," presentation at the Conference on Monetary Policy Strategy, Tools, and Communications Practices, Federal Reserve Bank of Chicago, June 5.
- See Lars E.O. Svensson (2019), "Monetary Policy Strategies for the Federal Reserve (PDF)," paper prepared for the Conference on Monetary Policy Strategy, Tools, and Communications Practices. Federal Reserve Bank of Chicago, June 5.
- See Katharine G. Abraham and John C. Haltiwanger (2019), "How Tight is the Labor Market? (PDF)" paper prepared for the Conference on Monetary Policy Strategies, Tools, and Communications Practices, Federal Reserve Bank of Chicago, June 5.
- See Board of Governors of the Federal Reserve System (2019), "Panel 1: What Does Full Employment Look Like for Your Community or Constituency?" at the Conference on Monetary Policy Strategy, Tools, and Communications Practices, Federal Reserve Bank of Chicago, June 5; and Board of Governors of the Federal Reserve System (2019), "Panel 2: Transmission of Monetary Policy to the Economy: Beyond the Headlines," at the Conference on Monetary Policy Strategy, Tools, and Communications Practices, Federal Reserve Bank of Chicago, June 5.
NICARAGUA
U.S. Department of the Treasury. 06/21/2019. Treasury Sanctions Members of Nicaraguan President Ortega’s Inner Circle Who Persecute Pro-Democracy Voices
WASHINGTON – Today, the U.S. Department of the Treasury’s Office of Foreign Assets Control (OFAC) designated four Nicaraguan government officials, Gustavo Eduardo Porras Cortes, Orlando Jose Castillo Castillo, Sonia Castro Gonzalez, and Oscar Salvador Mojica Obregon, pursuant to Executive Order (E.O.) 13851. Additionally, Sonia Castro Gonzalez and Gustavo Eduardo Porras Cortes have been designated pursuant to the Nicaragua Human Rights and Anticorruption Act of 2018 (NHRAA). Today’s action targets Nicaraguan government officials who persecute Nicaraguan citizens exercising their fundamental freedoms, enact repressive laws, silence news media, and deny medical care to the Nicaraguan people.
“The Government of Nicaragua continues to violate the human rights of the Nicaraguan people, implementing exploitive and violent laws and holding hundreds of people as political prisoners. The United States is sending an unequivocal message to President Ortega and his inner circle: we stand with the Nicaraguan people on their calls for reform and a return to democracy,” said Under Secretary of the Treasury for Terrorism and Financial Intelligence Sigal Mandelker. “We will not hesitate to take action against those who perpetuate oppression or prop up the Ortega regime at the expense of the Nicaraguan people.”
As a result of today’s action, all property and interests in property of these individuals, and of any entities that are owned, directly or indirectly, 50 percent or more by such individuals, that are in the United States or in the possession or control of U.S. persons are blocked and must be reported to OFAC. OFAC’s regulations generally prohibit all dealings by U.S. persons or within (or transiting) the United States that involve any property or interests in property of blocked or designated persons. Further details on these designations are included below.
Gustavo Eduardo Porras Cortes
Gustavo Eduardo Porras Cortes (Porras) is designated for being a current official of the Government of Nicaragua and for being the President of the Nicaraguan National Assembly (NNA), an entity that has enacted significant actions or policies that undermine democratic processes or institutions in Nicaragua, pursuant to E.O. 13851 and NHRAA. Porras is the senior-most political operator of President Ortega and exerts significant control over the Institute of Social Security and Ministry of Health with the approval of Vice President Rosario Murillo. On November 27, 2018, OFAC designated Rosario Murillo for being an official of the Government of Nicaragua.
The NNA enacted an amnesty law in early June 2019 that conditionally pardons individuals who took part in the protests beginning April 18, 2018, but requires protesters to abstain from expressing themselves in a future protest or risk having amnesty revoked. The law also pardons police officers and parapolice fighters who took part in the Ortega regime’s violent repression against protesters, which included the killing of hundreds of protesters. In November and December 2018, the NNA also banned nine human rights and pro-democracy organizations from operating in Nicaragua.
Orlando Jose Castillo Castillo
Orlando Jose Castillo Castillo (Castillo) is designated for being a current official of the Government of Nicaragua and for being the General Director of the Institute of Telecommunications and Postal Service (TELCOR), an entity that has, or whose members have, engaged in actions that threaten the peace, security, or stability of Nicaragua, pursuant to E.O. 13851. TELCOR has been used by President Ortega and Castillo to silence independent media, including the news organization 100% Noticias.
Sonia Castro Gonzalez
Sonia Castro Gonzalez (Castro) is designated for being a current official of the Government of Nicaragua, and for being the Minister of Health. For her role as Minister of Health, Castro is designated pursuant to E.O. 13851 for leading the Ministry of Health, an entity that has, or whose members have, engaged in significant human rights abuse violations pursuant to E.O. 13851. Because the Ministry of Health is an entity that has, or whose members have, engaged in significant acts of violence or conduct that constitutes a serious abuse or violation of human rights against persons associated with the protests in Nicaragua that began on April 18, 2018, Castro is also designated pursuant to NHRAA.
The Ministry of Health refused treatment to victims of violent regime repression, which exacerbated injuries and even led to death, due to the lack of medical care. Hospital staff were under orders to report admitted protesters to parapolice who removed them from hospitals, resulting in forced disappearances. The Ministry of Health threatened healthcare workers, firing hundreds of medical personnel who treated protesters.
Oscar Salvador Mojica Obregon
Oscar Salvador Mojica Obregon (Mojica) is designated for being a current official of the Government of Nicaragua, pursuant to E.O. 13851. Mojica is a retired Major General of the Nicaraguan Army and the current Minister of Transportation and Infrastructure. On national television, Mojica promoted the Ortega regime’s “exile, jail, or death” strategy to silence the opposition, a policy that has left hundreds dead, thousands wounded, and tens of thousands either incarcerated, driven into exile, or internally displaced. Additionally, Mojica manages a significant portion of President Ortega and Vice President Murillo’s official and personal finances including investments in coffee plantations and hospitality establishments.
________________
ECONOMIA BRASILEIRA / BRAZIL ECONOMICS
COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO
MERCOSUL. UE. PORTAL G1. AFP. 21/06/2019. Sete países da UE pedem conclusão de acordo com o Mercosul. Pontos considerados chave para os países do Mercosul, como uma cota maior na exportação de carne e outros relacionados à agricultura, têm encontrado dificuldades para avançar.
Os governantes da Alemanha, Espanha, Portugal e outros quatro países fizeram um apelo à Comissão Europeia pela conclusão de um "histórico" acordo comercial com o Mercosul, que enfrenta críticas em outros países do bloco, em uma carta à qual a AFP teve acesso.
"Temos uma oportunidade histórica, estratégica, para concluir um dos acordos mais importantes da Política Comercial Comum Europeia", destacam em uma carta enviada ao presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker.
A carta foi assinada por sete primeiros-ministros: a alemã Angela Merkel, o espanhol Pedro Sánchez, o português António Costa, o holandês Mark Rutte, o sueco Stefan Löfven, o tcheco Andrej Babis e o letão Krisjanis Karins.
Os governantes defendem que "o comércio é chave para o crescimento econômico e a criação de empregos na UE" e os benefícios para a "indústria manufatureira, incluindo, entre outros, automóveis e peças".
E, por este motivo, pedem a "ambas partes disposição para fazer algumas concessões finais para alcançar este acordo histórico", que a UE e os países do Mercosul começaram a negociar há 20 anos.
"Estamos em uma encruzilhada. A UE não pode ceder a argumentos populistas e protecionistas sobre a política comercial", afirma a carta, que "urge aproveitar o atual impulso político dos países do Mercosul".
O texto foi divulgado poucos dias depois de outra carta, na qual os governos da França, Irlanda, Bélgica e Polônia expressaram a Juncker seus temores sobre o impacto na agricultura deste acordo, que parece estar na reta final.
Após vários meses de discrição pelo avanço lento nas negociações, os alertas foram ligados novamente entre os agricultores e as ONGs após as declarações dos dois lados do Atlântico sobre a proximidade de um acordo.
Os agricultores criticam que a produção na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai não respeita os parâmetros europeus, enquanto as ONGs apontam a situação dos direitos humanos e do meio ambiente no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro.
Para os sete governantes, "os acordos comerciais representam a melhor maneira de transmitir e difundir os valores da UE" e garantem que os cidadãos europeus "estejam protegidos de acordo com as normas trabalhistas, sanitárias e ambientais mais estritas".
Impasse nas negociações
A tentativa de um acordo entre Mercosul e União Europeia se arrasta há mais de uma década. Países como França, Itália e Polônia não querem o acordo. As negociações chegaram a um impasse em dezembro do ano passado, depois de avançarem com alguma consistência desde 2016.
Pontos considerados chave para os países do Mercosul, como uma cota maior na exportação de carne e outros relacionados à agricultura, têm encontrado dificuldades para avançar.
A UE busca concessões em relação a carros, peças automotivas, regras de origem, contratos públicos, setor marítimo, laticínios e indicações geográficas.
Já os europeus acusam os sul-americanos de terem recuado em pontos já acordados. A mesma acusação é feita pelo Mercosul à UE.
Outro ponto de resistência é o avanço de movimentos conservadores no Parlamento Europeu e o consequente aumento do protecionismo.
A Alemanha é hoje um dos poucos países europeus entusiastas do acordo, mas não tem conseguido avançar.
AVIAÇÃO
EMBRAER. 19/06/2019. Embraer anuncia intenção de compra da KLM para 35 jatos E195-E2
Paris, França, 19 de junho de 2019 - A Embraer anunciou hoje, na 53ª edição do Paris Air Show International, a intenção de compra da KLM Cityhopper para até 35 jatos E195-E2, sendo 15 pedidos firmes com direitos de compra para outras 20 aeronaves do mesmo modelo. Essa intenção, que exige um Contrato de Compra, tem um valor de US$ 2,48 bilhões com base nos atuais preços de lista da Embraer, com todos os direitos de compra sendo exercidos. O pedido será adicionado à carteira de pedidos da Embraer assim que o contrato firme for concluído.
“Com uma frota de 49 E-Jets, a KLM já é a maior operadora da Embraer na Europa e adicioná-la à família E2 de operadores seria um grande voto de confiança em nosso atendimento pós-venda e no programa E2. A aeronave usa 30% menos combustível por assento em comparação aos atuais E190 da KLM Cityhopper. E, em termos de ruído, a aeronave é a mais silenciosa de sua classe, tanto internamente para os passageiros quanto externamente, por uma margem significativa*”, disse John Slattery, Presidente & CEO da Embraer Aviação Comercial.
O Presidente e CEO da KLM, Pieter Elbers, disse: “A Embraer tem sido um parceiro fundamental para a KLM e a KLM Cityhopper nos últimos dez anos. Nossos clientes apreciam o E190 e o E175. O E2 seria uma adição bem-vinda à frota da KLM, proporcionando maior flexibilidade de capacidade e ajudando a reduzir custos. Além disso, o ecoeficiente E195-E2 também suporta os nossos objetivos de sustentabilidade com níveis mais baixos de ruído e emissões.”
O desempenho econômico e ambiental da aeronave torna o E195-E2 a aeronave ideal para o crescimento dos negócios europeus da KLM e o apoio à operação em grandes centros de conexão (hub-and-spoke), complementando as frotas da linha principal. É por isso que a Embraer apelidou o jato - The Profit Hunter.
A Embraer é fabricante e líder mundial de aeronaves comerciais com até 150 assentos e possui mais de 100 clientes em todo o mundo. Somente para o programa de E-Jets, a Embraer registrou mais de 1.800 pedidos e 1.500 aeronaves entregues. Hoje, os E-Jets estão voando na frota de 75 clientes em 50 países. A versátil família de 70 a 150 assentos voa com companhias aéreas de baixo custo, bem como com operadoras regionais e tradicionais.
Informação técnica relativa ao ruído externo: a margem cumulativa para o limite de ruído ICAO Estágio IV varia entre 19 e 20 EPNdB, 4,0 EPNdB melhor que o concorrente direto.
KLM Cityhopper
A KLM Cityhopper é a maior operadora regional da Europa. Em 2018, operou mais de 300 voos por dia a partir do Aeroporto Schiphol de Amsterdã para 72 destinos na Europa. Desde 2018, a frota da KLM Cityhopper é composta inteiramente por jatos da Embraer, incluindo 32 E190 e 17 E175, o que torna a KLM a maior operadora de jatos comerciais da Embraer na Europa.
EDUCAÇÃO
IBGE. 19/06/2019. PNAD Contínua 2018: educação avança no país, mas desigualdades raciais e por região persistem
Os resultados do módulo de Educação da Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua) revelam que houve melhora em praticamente todos os indicadores educacionais do Brasil, entre 2016 e 2018, porém persistem as desigualdades regionais, de gênero e de cor e raça: mulheres permaneciam mais escolarizadas do que os homens, pessoas brancas tiveram indicadores educacionais melhores que os das pessoas pretas ou pardas e, as regiões Nordeste e Norte apresentaram uma taxa de analfabetismo bem mais alta e uma média de anos de estudo inferior a das regiões do Centro-Sul do país.
O acesso à educação básica obrigatória pela Constituição no país, por exemplo, cresceu de 45,0% para 47,4% da população de 25 anos ou mais, nesse período de 2 anos. No entanto, variava de 53,6%, no Sudeste a 38,9% no Nordeste. E era maior entre brancos (55,8%) do que pretos ou pardos (40,3%), bem como entre as mulheres (49,5%) do que os homens (45,0%).
A taxa de escolarização de crianças de 0 a 3 anos cresceu de 30,4% para 34,2%, o que equivalia a 3,5 milhões de crianças. No grupo de 4 a 5 anos, faixa correspondente à pré-escola, essa taxa foi de 92,4% dos estudantes, totalizando quase 5 milhões de crianças na escola. A região Norte, com 86,4%, mostrava um resultado menor, mas o Nordeste, por outro lado, apresentava melhor taxa do que a média nacional. O ensino fundamental (6 a 14 anos) e o ensino médio (15 a 17 anos) também avançaram, com taxas de 99,3% e 88,2%. A escolarização registrou estabilidade no nível superior, com a taxa de 32,7%, em 2018. Já a média de anos de estudo aumentou de 8,6 para 9,3 anos, nesse período, com 10,3 anos de estudo para as pessoas de cor branca e 8,4 anos para as de cor preta ou parda.
Se o acesso à escola tem melhorado, permanecem os problemas do atraso escolar e da evasão, mais característicos do ensino médio (15 a 17 anos), onde foi registrada, em 2018, taxa de frequência líquida de 69,3%, ou seja, 30,7% dos alunos estavam atrasados ou tinham deixado a escola. No Nordeste, a adequação idade/etapa ocorria para apenas 61,3% das pessoas de 15 a 17 anos, no Norte para 61,9%, enquanto no Sudeste para 76,4%. A taxa de frequência líquida nessa faixa era menor para pretos ou pardos (64,9%) do que para brancos (76,5%). Esse indicador era menor para homens (64,5%) do que mulheres (74,4%).
Com relação aos jovens de 15 a 29 anos, buscou-se conhecer sua aproximação com o trabalho e com o estudo ou a qualificação para o trabalho. Em 2018, cerca de 17,6% dos homens e 28,4% das mulheres não trabalham, nem estudavam ou se qualificavam. Entre as pessoas brancas 18,5% estavam nessa situação e entre as pessoas pretas ou pardas, 25,8%. Por outro lado, 41,7% dos homens, 28,1% das mulheres, 36,1% das pessoas branca e 34,2% das pessoas pretas ou pardas se dedicavam exclusivamente ao trabalho.
Na Educação Profissional, que qualifica para o mercado de trabalho em um tempo mais rápido, os percentuais foram baixos entre 2016 e 2018. Por exemplo, dos estudantes da graduação, 8,5% frequentavam a graduação tecnológica e dos estudantes de ensino médio, 6,2% frequentavam o curso técnico de nível médio.
Analfabetismo alcança 10,3% dos idosos brancos e 27,5% dos pretos ou pardos
No Brasil, em 2018, havia 11,3 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade analfabetas, o equivalente a uma taxa de analfabetismo de 6,8%. Em relação a 2017, houve uma queda de 0.1 p.p., o que corresponde a uma redução de 121 mil analfabetos entre os dois anos. Quanto mais velho o grupo populacional, maior a proporção de analfabetos. Em 2018, eram quase 6 milhões de analfabetos com 60 anos ou mais, o que equivale a uma taxa de analfabetismo de 18,6% para esse grupo etário.
Na análise por cor ou raça, em 2018, 3,9% das pessoas de 15 anos ou mais de cor branca eram analfabetas, percentual que se eleva para 9,1% entre pessoas de cor preta ou parda. No grupo etário 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo das pessoas de cor branca alcança 10,3% e, entre as pessoas pretas ou pardas, amplia-se para 27,5%. Apesar de mais alto, o analfabetismo entre as pessoas de 60 anos ou mais de cor preta ou parda teve a maior redução entre 2016 e 2018 (3,2 p.p.).
Percentual de pessoas que concluíram, no mínimo, o ensino médio cresceu de 46,2% para 47,4%
A proporção de pessoas de 25 anos ou mais de idade que finalizaram a educação básica obrigatória, definida pela Constituição Federal, ou seja, concluíram, no mínimo, o ensino médio, passou de 46,2% para 47,4%, entre 2017 e 2018. Esse percentual foi maior entre brancos (55,8%) do que entre pretos ou pardos (40,3%), entre mulheres (49,5%) do que entre homens (45,0%). Regionalmente, o maior percentual foi no Sudeste (53,6%) e o menor no Nordeste (38,9%), embora esta região tenha apresentado o maior crescimento em termos percentuais (1,7 p.p.), entre 2017 e 2018.
Em termos da distribuição de pessoas com 25 anos ou mais de idade por nível de instrução, o percentual de pessoas com o ensino superior completo passou de 15,7% em 2017 para 16,5% em 2018. Entre aqueles que não completaram a educação básica, 6,9% eram sem instrução, 33,1% tinham o ensino fundamental incompleto, 8,1% tinham o ensino fundamental completo e 4,5%, o ensino médio incompleto. Apesar dos avanços, 52,6% da população de 25 anos ou mais de idade no país não havia completado a educação escolar básica e obrigatória em 2018.
Pretos ou pardos tinham em média dois anos de estudo a menos do que brancos
A média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade, em 2018, foi 9,3 anos. Entre as mulheres, o número médio de anos de estudo foi de 9,5 anos, enquanto para os homens, 9 anos. Com relação à cor ou raça, registrou-se 10,3 anos de estudo para as pessoas de cor branca e 8,4 anos para as de cor preta ou parda.
Taxa de escolarização das crianças de 0 a 3 anos chega a 34,3%
No país, em 2018, 56,4 milhões de pessoas frequentavam escola ou creche. Entre as crianças de 0 a 3 anos, a taxa de escolarização foi 34,2%, o equivalente a 3,5 milhões de estudantes. Comparado ao ano de 2017, a taxa de escolarização das crianças de 0 a 3 anos aumentou 1,5 p.p. (158 mil crianças). Entre as crianças de 4 e 5 anos, faixa de idade correspondente à pré-escola, a taxa foi de 92,4% em 2018, frente aos 91,7% em 2017, totalizando quase 5 milhões de crianças.
Já na faixa de idade de 6 a 14 anos, a universalização já estava praticamente alcançada, com 99,3% das pessoas na escola em 2018. A taxa de escolarização entre os jovens de 15 a 17 anos, em 2018, foi de 88,2%, 1 p.p. acima de 2016 e 2017, quando essa taxa se manteve estável em 87,2%. Entre as pessoas de 18 a 24 anos e aquelas com 25 anos ou mais, 32,7% e 4,6% estavam frequentando escola. Frente aos resultados de 2017, a escolarização aumentou, exceto para faixa de idade de 18 a 24 anos que ficou estável.
Taxa de frequência líquida para 11 a 14 anos era de 86,7%
A taxa de escolarização de 6 a 14 anos foi alta em todas as grandes Regiões. Em 2018, 96,1% das pessoas de 6 a 10 anos estavam frequentando o ensino fundamental na etapa idealmente estabelecida (taxa ajustada de frequência escolar líquida), ou seja, os anos iniciais do ensino fundamental e, frente a 2017, houve um aumento de 0,6 p.p. Entre os homens, 95,9% estavam na etapa adequada, mas entre as mulheres essa proporção foi maior, 96,4%. Em relação à cor ou raça, 96,5% das pessoas brancas de 6 a 10 anos estavam na etapa escolar adequada, 0,7 p.p. a mais do que em 2017. Já entre as pessoas pretas ou pardas, essa taxa foi de 95,8% e o aumento de 0,5 p.p. em relação a 2017.
Na segunda etapa do ensino fundamental, idealmente estabelecida para o grupo de 11 a 14 anos de idade, a taxa ajustada de frequência escolar líquida no Brasil foi 86,7%, 0,8 p.p. maior que a de 2017. Em termos regionais, o Centro-Sul do país registrou taxas acima de 89%, já o Nordeste e Norte ficaram abaixo da média nacional, respectivamente, com 83,4% e 79,6%. Com exceção do Sul e do Centro-Oeste, cujo indicador ficou estável entre 2017 e 2018, as demais regiões obtiveram melhora no cruzamento entre idade e etapa de ensino adequada, com destaque para o aumento de 1,4 p.p. no Nordeste.
Entre os homens de 11 a 14 anos, 84,7% estavam frequentando, pelo menos, os anos finais do ensino fundamental, já entre as mulheres, essa proporção foi de 88,7%, um avanço de 1,1 p.p e 0,4 p.p em relação a 2017. Entre as pessoas de cor branca, 90,4% estavam na idade série adequada e entre as de cor preta ou parda essa taxa foi 84,5%, um aumento de 0,9 p.p. e 0,8 p.p., respectivamente.
Taxa de frequência líquida para 15 a 17 anos era de apenas 69,3%
Após dois anos de estabilidade entre 2016 e 2017 (87,2%), a taxa de escolarização das pessoas de 15 a 17 anos subiu para 88,2% em 2018. Em termos regionais, houve melhora no indicador da região Sul - de 85,8% em 2017 para 88,2% em 2018. Nas demais regiões, o indicador se manteve estatisticamente estável. No Plano Nacional de Educação (PNE), a Meta 3 define a universalização, até 2016, do atendimento escolar para a população de 15 a 17 anos. Em 2018, todavia, essa parte da meta não havia sido alcançada em nenhuma grande região brasileira. A Meta 3 também estabelece que a taxa de frequência escolar líquida ao ensino médio seja elevada para 85,0% até o final da vigência do Plano em 2024.
Em 2018, 69,3% dos jovens de 15 a 17 anos estavam frequentando o ensino médio ou haviam concluído esse nível (frequência líquida), 0,8 p.p. a mais que em 2017, mas uma diferença de 15,7 p.p. em relação à meta final.
Indicadores educacionais das pessoas de 15 a 17 anos, por Grandes Regiões - 2016-2018
| Taxa de escolarização | Taxa ajustada de frequência escolar líquida | |||||
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2016 | 2017 | 2018 | 2016 | 2017 | 2018 | |
| Brasil | 87,2 | 87,2¹ | 88,2² | 68,2 | 68,5¹ | 69,3² |
| Norte | 87,6 | 86,6 | 88,2 | 58,2 | 59,7¹ | 61,9² |
| Nordeste | 86,0 | 86,1 | 86,9 | 59,2 | 60,7¹ | 61,3² |
| Sudeste | 88,2 | 88,7 | 88,9 | 76,9 | 76,5 | 76,4 |
| Sul | 86,2 | 85,8¹ | 88,2² | 69,4 | 69,6 | 71,5 |
| Centro-Oeste | 88,5 | 87,0 | 89,4 | 70,1 | 70,4 | 71,6 |
| Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2016-2018. (1) A diferença entre 2016 e 2018 é significativa ao nível de confiança de 95%. (2) A diferença entre 2017 e 2018 é significativa ao nível de confiança de 95%. | ||||||
As regiões Norte e Nordeste, mesmo registrando uma melhora no indicador entre 2017 e 2018, ainda tiveram as menores taxas de frequência líquida, respectivamente de 61,9% e 61,3%. As demais regiões superaram os 70%, mas as variações deste indicador não foram estatisticamente significativas entre 2017 e 2018. Entre as mulheres de 15 a 17 anos, 74,4% frequentavam o ensino médio ou haviam concluído esse nível, porém, entre os homens desta idade, a taxa foi de 64,5%, uma diferença de 10 p.p. entre mulheres e homens. Em relação à cor ou raça, a taxa ajustada de frequência escolar líquida ao ensino médio foi 76,5% para as pessoas brancas de 15 a 17 anos, enquanto para as pessoas pretas ou pardas, 64,9%. Apesar de mais baixo, o indicador para pessoas pretas ou pardas foi o único que cresceu de 2017 para 2018, uma variação de 1,4 p.p.
Taxa de escolarização de jovens de 18 a 24 anos era de 32,7%, mas apenas 25,2% estavam no curso superior
Em 2018, a taxa de escolarização das pessoas de 18 a 24 anos, independentemente do curso frequentado, foi de 32,7%. Por sua vez, somente 25,2% desses jovens frequentavam cursos da educação superior ou haviam completado esse nível. Entre os estudantes 18 a 24 anos, 11,0% estavam atrasados, frequentando algum dos cursos da educação básica.
A taxa de frequência escolar liquida da educação superior foi de 21,2% entre os homens e 29,3% entre as mulheres. Por cor e raça, esse indicador foi maior entre as pessoas brancas, 36,1%, do que entre as pretas ou pardas, 18,3%.
Rede pública predomina na creche e pré-escola e privada no ensino superior e pós
A rede pública de ensino foi responsável por 74,3% dos alunos na creche e pré-escola, proporção estatisticamente semelhante a 2017. No ensino fundamental, 82,3% dos estudantes também frequentavam a rede pública, percentual 1,4 p.p. menor que em 2017. Já no ensino médio regular, tal rede concentrou 87% dos alunos e se manteve estável em relação a 2017. Já a rede privada continuou predominante nos cursos do ensino superior, especialização, mestrado e doutorado. Em 2018, 74,2% dos estudantes de graduação frequentavam uma instituição de ensino privada, proporção que se mantém desde 2016. Nos cursos de pós-graduação, a rede privada foi responsável por 71,0% dos alunos, proporção 0,9 p.p. inferior a de 2017.
24,3 milhões de pessoas entre 15 a 29 anos com no máximo o ensino superior incompleto, não estavam na escola, nem na educação profissional ou pré-vestibular
Em 2018, 24,3 milhões de pessoas de 15 a 29 anos não frequentavam escola ou algum curso da educação profissional ou o pré-vestibular e não haviam concluído a educação básica obrigatória ou, entre os que concluíram, não haviam alcançado o grau de superior completo. Destas pessoas, 53% eram homens e 65,2% de cor preta ou parda. Além disso, 55,9% tinham o ensino médio completo ou superior incompleto, 23,1% o ensino fundamental completo ou médio incompleto e 21,0% eram sem instrução ou com o fundamental completo. Desde 2016, o perfil desses jovens tem se mostrado similar.

Cada grupo de jovens tem motivações diferentes para não seguir estudando ou ampliando a sua qualificação. Entre os homens, a principal motivação foi o trabalho ou a procura por trabalho (47,7%), já entre as mulheres, o trabalho foi importante (27,9%), mas a necessidade de realizar afazeres domésticos e cuidado de pessoas foi alegada como principal motivação por 23,3% delas. Apesar de alta, a motivação ligada ao mercado de trabalho caiu de 2017 para 2018 para ambos os sexos. Outra motivação que se destacou foi o não interesse em estudar ou se qualificar. Esta foi maior entre os homens, 25,3%, do que entre as mulheres, 16%, e aumentou nos dois grupos de 2017 para 2018. Já a falta de recursos para pagar as despesas ligadas a educação foi maior entre as mulheres (13%) do que entre os homens (9,2%) e, também, cresceu em 2018.
23,0% das pessoas entre 15 a 29 anos não estudavam nem trabalhavam
No Brasil, em 2018, havia 47,3 milhões de pessoas de 15 a 29 anos de idade. Dentre essas pessoas, 13,5% estavam ocupadas e estudando, 23,0% não estavam ocupadas nem estudando; 28,6% não estavam ocupadas, porém estudavam; e 34,9% estavam ocupadas e não estudando. Entre as mulheres, 28,4% não estavam ocupadas, nem estudando ou se qualificando, percentual estável frente a 2017. Entre os homens, 17,6% estavam nessa condição (0,2 p.p. a mais que em 2017). Por outro lado, 28,1% das mulheres e 41,7% dos homens apenas trabalhavam e 30,2% das mulheres e 27% dos homens apenas estudavam ou se qualificavam.

Entre as pessoas brancas, 16,1% trabalhavam e estudavam ou se qualificavam, percentual estatisticamente igual ao de 2017, porém maior que entre as pessoas de cor preta ou parda (11,9%). O percentual de pessoas brancas apenas trabalhando (36,1%) e apenas estudando (29,3%) também superou o de pessoas de cor preta ou parda, 34,2% e 28,1% respectivamente. Consequentemente o percentual de pessoas pretas ou pardas que não trabalhavam nem investiam em capital educacional foi 7,3 p.p. maior que o das pessoas brancas.
Educação de Jovens e adultos teve 831 mil alunos em 2018
Em 2018, 831 mil pessoas frequentavam o Educação de Jovens e Adultos (EJA) do ensino fundamental e 833 mil pessoas, o EJA do ensino médio. Dos estudantes do EJA do ensino fundamental, 51,4% eram homens e 73,7%, pessoas de cor preta ou parda. Já no EJA do ensino médio, a maioria era de mulheres (54,9%), mas o percentual de pessoas pretas ou pardas continuou alto, 65,7%. Em termos de idade, 48,5% dos estudantes do EJA tinham até 24 anos e 29% tinham 40 anos ou mais. No EJA do ensino médio, o grupo mais novo concentrou 52% e o de 25 a 39 anos, 32,3%.
De 2016 a 2018, o percentual de qualificação profissional caiu de 2,9% para 2,4%
Em 2018, dos 8,5 milhões de estudantes do ensino superior de graduação no Brasil, 724 mil frequentavam cursos tecnológicos, o que corresponde a 8,5% do total de estudantes do ensino superior. Dos 9,3 milhões de estudantes do ensino médio (regular ou EJA), 6,2% frequentavam curso técnico de nível médio, o equivalente a 580 mil pessoas. Já entre as 47,6 milhões de pessoas que não estudavam e que haviam concluído o ensino médio ou ingressado no superior sem o concluir, 3% frequentavam curso técnico e 16% tinham o diploma de técnico. Para ambos os grupos o padrão foi similar ao de 2017.
Em 2018, das 81,3 milhões de pessoas de 14 anos ou mais de idade que estudaram até o ensino fundamental e aquelas que anteriormente frequentaram no máximo o ensino médio sem o completar, 0,6% estava frequentando curso de qualificação profissional, o que equivalia a 468 mil pessoas.
Indicadores de educação avançam, mas desigualdades regionais e raciais persistem. O analfabetismo nas regiões Nordeste e Norte ficou acima da média do país
Apesar dos avanços na alfabetização, na escolarização das crianças e jovens e no nível de instrução das pessoas de 25 anos ou mais, entre 2016 e 2018, persistem diferenças regionais e por cor ou raça na educação. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada hoje pelo IBGE.
Em 2018, havia 11,3 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever, o equivalente a uma taxa de analfabetismo de 6,8%. Em relação a 2017, houve uma redução de 121 mil analfabetos. Entre pessoas brancas, 3,9% eram analfabetas, enquanto para as de cor preta ou parda a taxa chegou a 9,1%.
O analfabetismo concentrava-se na faixa de 60 anos ou mais, atingindo 18,6% das pessoas desse grupo de idade, proporção que representa 6 milhões de idosos analfabetos. A taxa de analfabetismo reflete as desigualdades regionais, com as taxas mais elevadas no Nordeste (13,9%) e Norte (8%), enquanto no Sudeste era de 3,5%.
“É grande o desafio de atingir a meta de erradicação do analfabetismo até 2024, que consta no Plano Nacional de Educação, mas ao mesmo tempo pode haver uma política pública que seja capaz de extinguir o analfabetismo”, explica a analista do IBGE, Marina Águas.
Mais da metade da população com 25 anos ou mais não concluiu o ensino médio
Apesar da melhora do quadro do analfabetismo, a pesquisa mostrou que 52,6% da população de 25 anos ou mais não completaram a educação escolar básica e obrigatória em 2018, ou seja, não concluíram no mínimo o ensino médio. No Nordeste, o percentual chegava a 61,1%.
A proporção da população com pelo menos o ensino médio completo nessa faixa etária cresceu de 45% para 47,4%, entre 2016 e 2018. Outro aumento em destaque é o percentual de pessoas com o ensino superior completo, que passou de 15,7% em 2017 para 16,5% em 2018.
Com relação à cor ou raça, 55,8% dos brancos haviam completado, no mínimo, o ciclo básico, já entre os pretos ou pardos esse percentual foi de 40,3%. Entre as mulheres, 49,5% tinham alcançado, ao menos, o ensino médio completo e entre os homens, 45%.
“De 2016 a 2018 o Brasil vem melhorando, mais pessoas têm completado a educação básica. Por outro lado, mais da metade da população brasileira ainda não alcançou a etapa básica. Como aos 25 anos essas pessoas já fizeram suas escolhas profissionais, dificilmente vão completar os estudos”, ressalta Marina.
A PNAD Contínua mostra que a taxa de escolarização, que mede a proporção de pessoas na escola em relação ao total na faixa de idade, aumentou para todos os grupos etários, entre 2016 e 2018, exceto para o de 18 a 24 anos, que ficou estável em 32,7%.

A taxa de escolarização das crianças de 0 a 3 anos chegou a 34,2%, o que representa 158 mil crianças a mais. Entre as crianças de 4 e 5 anos, faixa correspondente à pré-escola, a taxa foi 92,4% em 2018, frente aos 91,7% em 2017, totalizando quase 5 milhões de crianças.
Já na faixa de idade de 6 a 14 anos, a universalização, desde 2016, já estava praticamente alcançada, com 99,3% das pessoas na escola em 2018. Entre os jovens de 15 a 17 anos, em 2018, foi de 88,2%, acima de 2016 e 2017, quando essa taxa se manteve estável em 87,2%.
Mais de 85% das crianças de 11 a 14 anos estão na série adequada
Apesar do aumento na taxa de escolarização, nem sempre a criança ou o jovem estão na série adequada, o que é mostrado pela taxa de frequência escolar líquida. Na segunda etapa do nível fundamental (6º ao 9º ano), idealmente estabelecida para o grupo de 11 a 14 anos de idade, a taxa de frequência escolar líquida no Brasil foi de 86,7%.

Em termos regionais, o Centro-Sul do país registrou taxas acima de 89%, já o Nordeste e Norte ficaram abaixo da média nacional, respectivamente, 83,4% e 79,6%. Para os jovens de 15 a 17 anos, a taxa de frequência líquida era de 69,3%, em 2018. As regiões Norte (61,9%) e Nordeste (61,3%) tiveram as menores taxas.
“É um fator de desmotivação, por exemplo, uma criança de 14 anos estudar com outra de 7 anos. Então esse aluno tem grande possibilidade de continuar atrasado ou sair da escola”, explica Marina.
A pesquisa mostrou, também, que dentre 47,3 milhões de pessoas de 15 a 29 anos de idade, 13,5% estavam ocupadas e estudando, 23% não estavam ocupadas nem estudando, 28,6% não estavam ocupadas, porém estudavam e 34,9% estavam ocupadas e não estudando.
Entre as pessoas brancas, 16,1% trabalhavam e estudavam ou se qualificavam, percentual maior que entre as pessoas de cor preta ou parda, 11,9%. A proporção de pessoas brancas apenas trabalhando (36,1%) e apenas estudando (29,3%) também superou o de pessoas de cor preta ou parda, 34,2% e 28,1%, respectivamente.
“Elevar a instrução e a qualificação dos jovens é uma forma de combater a expressiva desigualdade educacional do país. Além disso, elevar a escolaridade dos jovens e ampliar sua qualificação pode facilitar a inserção no mercado de trabalho, reduzir empregos de baixa qualidade e a alta rotatividade”, conclui a analista.
DOCUMENTO: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/24857-pnad-continua-2018-educacao-avanca-no-pais-mas-desigualdades-raciais-e-por-regiao-persistem
________________
ESPECIAL
MERCADO DE TRABALHO
IBGE. PORTAL G1. 21/06/2019. Jovens são os mais afetados pela piora do mercado de trabalho, e comprometem futuro da Previdência. Desemprego entre jovens chega a 40% em alguns estados; sem contribuir para a Previdência, grupo desestabiliza ainda mais as contas do INSS.
Por Luiz Guilherme Gerbelli e Marta Cavallini*, G1
Os jovens brasileiros estão sendo os mais afetados pela deterioração do mercado de trabalho. No primeiro trimestre deste ano, 41,8% da população de 18 a 24 anos fazia parte do grupo dos subutilizados - ou seja, estavam desempregados, desistiram de procurar emprego ou tinham disponibilidade para trabalhar por mais horas na semana.
Em números absolutos, são 7,337 milhões de jovens brasileiros subutilizados, o maior número já registrado desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (Pnad) começou a ser apurada em 2012 – destes, 4,26 milhões estavam desempregados, em busca de uma colocação, levando a uma taxa de desemprego entre esse grupo de 27,3%.
Historicamente, a subutilização de brasileiros de 18 a 24 anos é sempre maior no mercado trabalho, mas em momentos de crise essa tendência se agrava porque os jovens têm menos experiências e baixa qualificação. Portanto, são os mais vulneráveis aos momentos de crise.
E, com menos jovens entrando no mercado, cairá a contribuição para o sistema previdenciário, levando prejuízo ao sistema já deficitário.
O quadro mais difícil para os jovens fica evidente quando se compara o crescimento da população de subocupados de 18 a 24 anos em relação ao total dos brasileiros. Entre 2012 e o primeiro trimestre de ano, a fatia de subocupados na economia brasileira passou de 20,9% para 25%, enquanto entre os jovens de 18 a 24 anos o aumento foi de 30,1% para 41,8%.
“O mercado de trabalho continua restritivo, mas, sobretudo, para os mais jovens”, afirma o economista da Tendências e responsável pelo levantamento, Thiago Xavier.
'Disputa com os mais experientes'
"Olhando para quem entra hoje, a situação é complicada porque se depara com uma economia que não cresce, um mercado de trabalho com muita gente desempregada e pessoas sem experiência que concorrem com pessoas com qualificação que estão desempregadas e que topariam trabalhar por um salário menor", explica Juliana Inhasz, coordenadora da graduação em Economia do Insper.
"Antes se falava em substituir pessoas mais velhas por mais novas que topariam trabalhar menos, hoje o cenário mudou porque essas pessoas mais velhas topam ganhar menos", completa.
Segundo a especialista, houve uma redução na rotatividade do mercado, no que se refere à saída dos mais velhos e à entrada dos jovens. "Agora essa pessoa de 50 anos vai trabalhar até os 75 anos. Tudo isso dificulta a entrada do jovem no mercado de trabalho", diz.
Juliana Inhasz alerta ainda que, uma vez aprovada a reforma da Previdência, as pessoas terão que trabalhar por mais tempo para se aposentar – e isso cria uma concorrência maior dentro do mercado.
"O jovem não tem experiência e vai ter que começar a concorrer com pessoas que vão ficar mais tempo no mercado de trabalho."
Histórico do desemprego entre jovens
Taxas é historicamente maior entre jovens que na população em geral
2º tri/2018
● Taxa de desemprego geral: 12,4
● Taxa de desemprego geral: 12,4
Fonte: IBGE
Estados
A situação é mais grave para os jovens do Amapá e do Acre. Nesses estados, o desemprego passa de 40% para os que têm entre 18 e 24 anos. Mas mesmo em Santa Catarina, estado com o menor desemprego nessa faixa etária, a taxa ainda é alta, chegando a 14,5%, superando o desemprego geral no total do país (12,7%).
Desemprego entre jovens (18 a 24 anos) por estado
Índice passa de 40% no Amapá e Acre
CE
27,2
27,2
Fonte: IBGE
Informalidade
Se e quando a economia voltar a crescer, o mercado de trabalho deve ganhar dinamismo e o jovem volta a se empregar. Mas esse cenário pode demorar para acontecer. Enquanto isso, parte dos jovens caminha para atividades informais ou autônomas, aponta Juliana.
"Tem muita gente trabalhando na informalidade ou por conta própria. O jovem não tem capital para empreender, por isso vai para a informalidade, trabalhando sem carteira assinada. E tem também os jovens que trabalham em atividades ilegais, vendendo produtos sem nota ou sem estar autorizado pelos órgãos competentes", diz ela. "É um sintoma claro que os jovens querem se colocar no mercado, então arrumam alternativas, seja na informalidade ou ilegalidade para ter a sua renda."
Para Natália Sotero Fernandes, a informalidade é uma realidade há dois anos. Demitida do primeiro e único emprego formal, a estudante de pedagogia dá aulas particulares no quintal de casa, em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte.
“Mandei currículo até perder as contas. Cheguei a fazer entrevistas, mas não deu em nada. Acabei desistindo”, conta.
Efeitos para o futuro
O efeito perverso do desemprego para os jovens brasileiros não vai se dar apenas no curto prazo. Para o futuro, o quadro é bastante preocupante, segundo os economistas, porque os jovens desempregados de hoje não vão ter qualificação e experiência suficientes para entrar no mercado de trabalho se a economia voltar a crescer.
“O Brasil não está dando oportunidade para uma mão de obra da qual ela vai depender no futuro”, afirma o economista Cosmo Donato, da consultoria LCA.
Jovens menos qualificados comprometem a produtividade do Brasil, diminuindo ainda mais o potencial de crescimento da economia, e também produzem uma pressão adicional para as contas públicas.
Embora o desemprego afete os jovens de todos os níveis de formação, quem tem nível educacional menor sofre mais dentro desse cenário. O IBGE não cruza as informações de idade e instrução. Mas os dados incluindo todas as faixas etárias mostra que a população com ensino superior completo tem as menores taxas de desemprego.
Taxa de desemprego por nível de instrução
Dados do 1º trimestre de 2019, em %
Médio incompleto
22,1
22,1
Fonte: IBGE
Com isso, quem sofre mais com o alto desemprego são os trabalhadores de menor nível educacional. "Um jovem com pós-graduação mais qualificado pode entrar no mercado com um salário mais baixo, pois o poder de barganha é maior", diz Juliana. "Quem não tem qualificação sofre mais – quem saiu do ensino médio sem formação técnica ou sem uma qualificação específica numa área sofre mais."
Para Ana Karoliny Melo, essa já é uma realidade cruel. Sem emprego e com a mãe também desempregada, a jovem acriana precisou desistir de cursar uma faculdade. Sem uma qualificação maior, Ana Karoliny procura, até agora sem sucesso, uma vaga no comércio de Rio Branco.
"Na maioria dos lugares, para o setor de vendas, por exemplo, eles querem alguém que já tenha experiência e acaba que é muito difícil, porque nunca trabalhei formalmente. É uma barreira mesmo", lamenta.
O maior contingente de desempregados com formação gera efeitos em ambas as pontas: desemprego para quem tem pouca qualificação, e subemprego para quem é qualificado.
Formada em gestão pública, Nathalia Regis, de Brasília, acabou indo trabalhar num escritório de franquias, ganhando muito menos do que esperava - até ficar desempregada. O marido dela, Victor, professor de inglês aceitou uma vaga numa clínica veterinária.
"O mercado subiu muito a régua de exigências porque tem muita gente disponível com qualificação. Não vai pegar um jovem de 18 anos sem formação nem experiência porque tem a pessoa de 30 anos que tem mais a oferecer em termos de experiência e formação", diz a especialista do Insper. "Quem mora na periferia com uma formação que não é ideal vai ter que se sujeitar a trabalhos de qualidade muito ruim e salários muito baixos".
Na zona norte do Recife, William Pereira da Silva, de 18 anos, trabalha na informalidade há 3 anos, aplicando películas em janelas e vidros de carros.
Mesmo com pouca idade, William descreve com precisão os efeitos incertos da informalidade para o bolso. “Aprendi esse serviço com um homem que eu considero pai e acho que é um bom trabalho. Quando eu aplico nos quatro vidros e na traseira do carro, o serviço fica por R$ 80. Quando é completo, faço por R$ 100. Só que não é sempre que eu faço, aí não é sempre que eu ganho”, detalha.
Piora na Previdência
Com os trabalhadores mais novos fora do mercado de trabalho, haverá menos contribuição para o sistema previdenciário e, portanto, um prejuízo para as contas da previdência. “Quanto mais lentamente o mercado de trabalho se recuperar, mais difícil vai ser a capacidade de a Previdência se tornar sustentável”, diz Donato.
Levantamento da consultoria iDados mostra que houve uma queda considerável na proporção de jovens que contribuem para a Previdência Social nos últimos anos. Em 2012, 36,5% dessa população participava do sistema; no final de 2018, essa fatia havia caído para 28,5%.
O atual modelo de previdência brasileiro é contributivo – ou seja, os trabalhadores da ativa pagam os benefícios dos aposentados. Com menos jovens entrando no sistema e mais brasileiros se aposentando, o desequilíbrio nas contas tende a aumentar, comprometendo cada vez mais a capacidade da Previdência Social que, em 2018, teve um rombo recorde de R$ 290,2 bilhões.
Os dados do estudo sugerem que os jovens não estão contribuindo por falta de oferta de vagas formais, não por estarem adiando a entrada no mercado de trabalho para aprimorar sua formação – o que indica jovens desempregados e com baixa qualificação.
"Se esses números refletissem o adiamento da entrada no mercado de trabalho (por motivos de estudo, por exemplo), esperaríamos que essa perda fosse compensada com maiores rendimentos no futuro. Contudo, o que os dados mostram é que a taxa de frequência escolar não se alterou para o grupo dos desassistidos, e a queda observada também ocorre quando restringimos a análise somente aos jovens que trabalham (excluindo os estudantes e os nem-nem)", aponta o estudo.
"O cenário econômico demora para melhorar. Daqui a alguns anos o mercado voltará a ser atrativo, não como era nos anos 2000, mas esse jovem vai encontrar um mercado um pouco melhor. Só que isso demora, não é para agora", acredita Juliana, do Insper.
"Se esse jovem aproveitar agora para se qualificar, aprender línguas e lidar com a tecnologia ele estará mais preparado para a nova onda que virá. Mas nós vamos dar uma tropeçada num presente que não gostaríamos que tivéssemos hoje", conclui.
*Colaboraram Patricia Fiúza (G1 MG), Alcinete Gadelha (G1 AC), Maria Ferreira (G1 DF) e Marina Meireles (G1 PE).
IBGE. PORTAL G1. 21/06/2019. Na busca pelo 1º emprego, distância e preconceito viram obstáculos a jovens da periferia de SP. G1 mostra as dificuldades enfrentadas por seis pessoas de bairros distantes do Centro na busca por carteira assinada.
Por Deslange Paiva* e Paula Paiva Paulo, G1 SP
Num país em que a taxa de desemprego subiu para 12,7% no 1º trimestre de 2019, atingindo cerca de 13,4 milhões de brasileiros, conseguir um primeiro trabalho formal é um desafio hercúleo para jovens de 18 a 24 anos. A situação piora quando o endereço no currículo indica um bairro periférico.
O G1 ouviu seis jovens de São Paulo que enfrentam essas dificuldades, e todos foram categóricos: além da falta de experiência, a distância e o preconceito dos possíveis empregadores são as maiores barreiras a serem superadas.
Confira, abaixo, as histórias:
60 km diariamente
Nascido em Cidade Tiradentes, bairro da Zona Leste de São Paulo, Caio Araújo, de 23 anos, nunca trabalhou formalmente e está em busca do primeiro emprego com carteira assinada para auxiliar nas despesas de casa e conseguir maior independência financeira.
Ele chegou a cursar o primeiro ano de psicologia, mas teve a bolsa de estudos cortada e não pôde arcar com os custos da mensalidade.
Um dos empecilhos para concorrer a uma vaga foi seu endereço. Geralmente ele precisa omitir ou mentir sobre o local onde mora para concorrer a uma vaga por dois motivos: o preconceito do mercado com moradores da periferia e a distância, já que muitas empresas se recusam a arcar com o benefício do vale-transporte.
Diariamente ele percorre 60 km de ônibus e Metrô: 30 km para ir da Zona Leste até o Centro, e outros 30 km para voltar. Tudo para entregar currículos em agências, lojas e escritórios.
“Eu me sinto como se fosse um pedinte, porque eu não sei se deveria ser assim, eu me sinto desconfortável. Eu não quero atrapalhar o trabalho de alguém para pedir um emprego. Parece um esforço em vão, porque não tem retorno"
Próximo onde mora não há muitas opções de comércio, então a região central se torna mais atrativa para a procura. “No Centro da cidade tem maior mobilidade, mais comércios. As pessoas vêm da periferia justamente para trabalhar, então acabam tendo mais oferta de emprego. É mais comum ser contratado mesmo sendo emprego mais básico, nada muito pretensioso”, afirma.
Enquanto o primeiro emprego não vem, assim como outros jovens ele opta pela informalidade, com trabalhos temporários e freelas para conseguir ter uma grana no fim do mês.
Currículo rasgado e falta de experiência
Na Vila Brasilândia, Zona Norte, os amigos André Augusto Porfírio e Victor Alves de Souza, de 18 e 20 anos, seguem com a carteira de trabalho em branco. Eles vão sempre juntos ao Centro da cidade em busca de vagas.
Victor procura emprego há dois anos. Nesse tempo, conta que já fez entrevistas e até passou em uma vaga para porteiro, mas não pôde assumir o cargo porque precisaria fazer um curso. “Já estava tão difícil para arrumar o dinheiro da passagem [de ônibus], imagina para fazer o curso ”, admite o jovem.
As buscas renderam situações humilhantes até.
“Entreguei e saí andando. Quando eu virei as costas, ele estava rasgando meu currículo”, diz Victor.
Para o jovem, o possível empregador pode ter feito isso por racismo e por ter preconceito com o bairro onde ele mora.
Munidos de um guia de agências – lista com os endereços das agências de emprego em São Paulo, vendido por R$ 3 - Victor e André costumam ir para a Rua Barão de Itapetininga, no Centro, entregar currículos e fazer cadastro nas mais de 20 agências da rua.
Para André, uma das maiores dificuldades para conseguir o primeiro emprego é a falta de experiência.
“Se ninguém abrir uma porta para mim, como que eu vou ter experiência? Então, para eu ter emprego hoje, eu preciso ter experiência, mas como, se sou de uma geração nova e nunca trabalhei? ”, desabafa André.
André disse que gostaria de usar sua bicicleta para fazer entregas por aplicativos, mas mora longe do Centro, em uma região alta, com grandes ladeiras.
Enquanto o registro na carteira não vem, os amigos fazem bicos com o que aparece. “Tem dia que eu acordo, ponho na minha cabeça: 'É hoje que eu vou conseguir'”, diz Victor. Mas a oportunidade ainda não apareceu. “Isso desanima bastante, mas nada que nos faça desistir”, completa André.
Uma pensão para cinco pessoas
Ainda na Vila Brasilândia, Joelma do Nascimento Lima, de 19 anos, também omite o endereço por conta do preconceito. “Às vezes eu vejo até no olhar da pessoa. Quando eles perguntam em que bairro eu moro, digo outro bairro por vergonha de falar que moro aqui, porque a Brasilândia é vista como um lugar perigoso.”
A jovem mora em uma pequena casa com o marido, o filho de 1 ano e 6 meses, a sogra e a cunhada -todos desempregados. A única renda vem da pensão que a sogra recebe pela morte do marido dela: R$ 1.300 que mal dão para bancar o aluguel.
"O aluguel aumentou, a água, a luz, tudo ficou muito caro por aqui. Acaba ficando tudo para a minha sogra, e às vezes a gente não consegue segurar as contas”, diz Joelma.
Por isso, muitas vezes falta o que comer. A principal refeição do filho de Joelma é feita na creche.
Para não ficar longe do filho, geralmente Joelma procura emprego em lojas e comércios locais mais próximos da Brasilândia, como nos bairros de Parapuã, Lapa e Barra Funda. Isso nos dias em que consegue arcar com o valor da passagem. Pela falta de experiência e formação, está disposta a aceitar o que vier. Mas, mesmo assim, as oportunidades são cada vez menores.
Joelma admite que de vez em quando fica desanimada e até pensa em desistir de procurar pelos tantos “nãos” que já levou.
A jovem nasceu no município de Miracatu e veio com a irmã para São Paulo para buscar melhores condições financeiras. Joelma cursou apenas até o segundo ano do ensino médio, mas está buscando maneiras de terminar os estudos para prestar vestibular para Engenharia Civil.
Geração da informalidade
Com a falta de contratações formais no mercado, grande parte dos jovens que está desempregada acaba recorrendo à informalidade como uma fonte de crescimento de renda, os famosos “bicos”, com horas de trabalho exaustivas para receber menos de um salário mínimo.
Em Paraisópolis, na Zona Sul, Karla Luara, de 19 anos, nunca trabalhou formalmente. No currículo, o bairro Paraisópolis se torna Vila Andrade por conta do preconceito com o local.
“O povo não gosta muito, acha que só tem gente mal intencionada em Paraisópolis”, afirma.
Ela nunca teve um registro na carteira e sua prioridade é aceitar o que vier. A informalidade se torna a melhor opção por ser algo mais acessível. "Eu estou até entregando currículo, mas está difícil. É mais fácil conseguir temporário", afirma.
Seu último emprego foi a cerca de dois meses como panfleteira. Geralmente entrega currículos em lojas, comércios locais e nos shoppings próximos a Paraisópolis. Quando falta dinheiro para a passagem, vai andando de casa até o Shopping Jardim Sul, uma caminhada de mais de 30 minutos.
Desistiu de procurar
O Danilo Siqueira Lopes, de 25 anos, está desempregado há 2 anos e desistiu de continuar procurando um emprego formal. Enquanto a carteira não é assinada, consegue renda com "bicos" em lava rápido e construção. "O que aparecer acabo encarando."
Danilo mora com três irmãos na Vila Brasilândia, cursou até o segundo ano do ensino médio e tem um filho de 6 anos que reside com a mãe.
Ele sempre procurou emprego em lugares mais próximos por falta de recursos até para se locomover. Após um ano de buscas, sem sucesso, Danilo afirma: “Eu já procurei bastante, hoje eu desisti, desanimei demais", disse.
"Lá na Lapa, eu já andei mais de 100 vezes para cima e para baixo. Eles mandam deixar o currículo, preencher ficha. Mas às vezes é só desperdício de papel e dinheiro. A pessoa nem olha para a sua cara, nem dá uma oportunidade de você falar direito”, afirma Danilo.
IBGE. PORTAL G1. 21/06/2019. Artista plástico desiste de procurar emprego formal aos 24 anos no Rio: ‘Passei a criar meu próprio mercado de trabalho’. Renan Almeida disse que entregou mais de 50 currículos e não teve retorno. O jovem faz ilustrações digitais e murais para pagar as contas.
Por Larissa Caetano*, G1 Rio
Parte dos 1,358 milhão de desempregados no Rio de Janeiro, Renan de Almeida Alves Araújo, de 24 anos, desistiu de procurar emprego formal e agora busca criar seu "próprio mercado de trabalho". Formado em Licenciatura em Artes Plásticas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele tinha planos de dar aulas relacionadas à sua área de estudo, mas agora faz pinturas e ilustrações digitais para pagar as contas.
“Eu imaginava que por ter um diploma da UFRJ, que dizem que pesa muito na hora de conseguir um emprego, seria mais fácil de conseguir um trabalho”, explica.
O jovem é morador de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, e divide uma casa humilde com o avô, de 86 anos, e a mãe, portadora de problemas mentais. Juntando a aposentadoria do avô e os bicos que o jovem faz, a renda média da família é de R$ 1,5 mil.
Assim que terminou o ensino médio em um colégio estadual em Bangu, na Zona Oeste, em 2014, Renan começou a trabalhar em uma papelaria, onde recebia menos que um salário mínimo. Foi seu primeiro e único trabalho formal. No ano seguinte, Renan começou o curso de Artes Plásticas.
“Quando eu entrei na faculdade, um dos meus maiores objetivos era conseguir uma profissão quando eu saísse dali. Tinha o sonho de me tornar um artista conhecido, me sustentar, ajudar minha família. Tinha o sonho de fazer coisas que todo jovem sonha em fazer”, contou.
Durante a universidade, o jovem relatou que as dificuldades financeiras eram grandes, além da distância entre a residência e a faculdade: Campo Grande fica a aproximadamente 37 km da Ilha do Fundão, onde fica um campus da UFRJ. Ele passava, em média, 7 horas diárias em transportes públicos.
Apesar dos desafios enquanto fazia a graduação, como gastos com materiais e alimentação, Renan afirmou que persistia porque ainda valorizava a educação. Hoje, ele conta que não pensa da mesma forma.
“Colocar currículo em escola, fazer concurso público para ser professor de artes eu posso até tentar, mas não é a minha expectativa. A educação está totalmente deixada de lado. Os políticos realmente estão trabalhando contra a educação”, opina.
Formado desde dezembro de 2018, Renan procurou emprego por, pelo menos, oito meses - inicialmente o plano era dar aulas na área em que se formou.
Depois de entregar cerca de 50 currículos em diversos colégios do Rio e não ter retorno, o jovem disse que percebeu que não haveria espaço para ele no mercado de trabalho e, por isso, desistiu de procurar emprego. Uma das saídas foi criar a própria ocupação em parceria com a namorada, também desempregada.
“Eu vou fazer um concurso público esse mês. O concurso demorou anos para sair e ainda vai ter uma vaga para minha área. As expectativas que eu tinha no início da faculdade se transformaram até hoje, mudaram totalmente”, disse o jovem.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a taxa de desemprego no Rio de Janeiro foi de 15,3% apenas no primeiro trimestre. No mesmo período em 2018, foi de 15%.
Em 2019, o RJ registrou quase 900 mil desempregados a mais do que no 4º trimestre de 2014, quando o estado teve 462 mil desocupados. No mesmo período, Renan deixava o primeiro emprego para tentar uma graduação.
Como um segundo plano, o jovem tenta sobreviver com o que recebe por meio de encomendas e exposição de trabalhos na rua. Através das redes sociais, Renan divulga seus desenhos, murais, ilustrações, obras de artes e produtos e pede a colaboração dos amigos para compartilhar o trabalho. Segundo o jovem, todo o “conhecimento adquirido na faculdade é usado para a promoção pessoal”.
“Quando eu olho para o cenário, não tenho mais expectativa em ser aceito, então eu passei a tentar criar o meu cenário, o meu próprio mercado de trabalho”, concluiu.
*Estagiária, sob a supervisão de João Ricardo Gonçalves
IBGE. PORTAL G1. 21/06/2019. Aos 18, jovem do Recife busca oficializar 'bicos' e conquistar primeiro emprego formal. Com Carteira de Trabalho emitida há menos de um mês, William Pereira da Silva busca vaga no mercado de trabalho para sair dos 31,9% de jovens sem emprego no Nordeste.
Por Marina Meireles, G1 PE
Morando num conjunto habitacional no Arruda, na Zona Norte do Recife, William Pereira da Silva, de 18 anos, divide-se entre a escola e o trabalho há pelo menos três anos. O jovem integra os 31,9% de jovens de 18 a 24 anos desempregados no Nordeste, mas busca preencher as páginas em branco da Carteira de Trabalho, emitida há menos de um mês, para sair dessa estatística.
Trabalhando desde os 15 anos na informalidade, aplicando películas em janelas e vidros de carros, William mora com a mãe, Iracema Soares, de 59 anos, e com a neta dela, uma adolescente de 14. As despesas do lar são pagas com o benefício de um salário mínimo recebido pela dona de casa, e também por meio da ajuda financeira de alguns familiares.
Mesmo com pouca idade, William descreve com precisão os efeitos incertos da informalidade para o bolso. “Aprendi esse serviço com um homem que eu considero pai e acho que é um bom trabalho. Quando eu aplico nos quatro vidros e na traseira do carro, o serviço fica por R$ 80. Quando é completo, faço por R$ 100. Só que não é sempre que eu faço, aí não é sempre que eu ganho”, detalha.
A mãe de William, Iracema, afirma ser “do coração”. “Eu fui mãe enquanto ele estava na barriga da mãe dele, mas é meu filho. É um menino calmo, não tem amizades erradas. Ele tirava notas muito boas, agora que caíram um pouco”, afirma, levemente preocupada com o boletim do filho.
William, no entanto, tranquiliza a mãe e afirma, seguramente, ter pontos suficientes para passar de ano. Depois da escola, no entanto, a incerteza toma conta do jovem. “Eu penso em fazer um curso técnico, mas não sei qual. Também penso em ter meu próprio negócio de fumê, porque gosto dessa área”, diz.
A certeza, no entanto, é uma só: a vontade de proporcionar qualidade de vida à mãe. “Eu quero sair daqui para morar numa casa, ter meu trabalho, ter meu carro. É difícil, mas eu quero muito trabalhar”, garante.
Desemprego
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil, na faixa de idade entre 14 e 17 anos, chegou a 44,5% no primeiro trimestre de 2019. Já na faixa de 18 a 24 anos, subiu para 27,3% no mesmo período.
Quanto ao nível de instrução, 56,4% dos desempregados no 1º trimestre tinham o ensino médio e 22,1% não tinham o ensino fundamental completo. Já os desempregados com nível superior completo representaram 10,4%.
IBGE. PORTAL G1. 21/06/2019. Na busca por trabalho, jovens de comunidade pobre de Curitiba omitem lugar onde vivem em entrevistas de emprego. Moradoras desempregadas de comunidade de Curitiba resolveram empreender; Taxa entre os jovens é de 27,3% - mais do que o dobro da média nacional, de 12,7%, segundo o IBGE.
Por Natalia Filippin, G1 PR — Curitiba
Jovens, mulheres e negros. Esse é o perfil que retrata a população mais atingida pelo desemprego no Brasil, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de maio deste ano.
A taxa de desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos é 27,3% - mais do que o dobro da média nacional de 12,7%. A média está acima também entre as mulheres (14,9%) e os negros (16%). Veja mais abaixo, os números do Paraná.
Exemplos dessa realidade são as jovens Sthefanny Giovana da Rocha, de 19 anos, e Ediléa Pereira do Carmo, de 20 anos, que em meio ao desemprego e a necessidade de colocar comida na mesa, resolveram empreender. Uma apostou em revenda de produtos de beleza e a outra em produção de bolos no pote.
As duas são moradoras da Vila Torres, uma das comunidades mais pobres de Curitiba. E contam que, em meio à luta de procurar um emprego e ouvir tantos "nãos", negaram, muitas vezes, o lugar em que moravam no currículo para tentar ampliar a chance de conseguir um trabalho.
"Na hora de procurar um serviço é difícil não ter experiências válidas para colocar, ainda mais depois de perder vagas para pessoas que são de outras regiões da cidade, pelo simples fato de não morar em uma periferia”, disse Sthefanny.
Além disso, Sthefanny contou que durante três meses trabalhou com reciclagem de papéis nas ruas e até fez diárias para tentar ajudar na renda de casa.
"Até nisso era difícil, porque as pessoas não têm muita confiança em contratar nós pela juventude e também por ser da vila. Já ouvi comentários no estilo: 'Será que vai limpar direito sendo tão nova?!', 'Mas você confia em deixar a chave com ela e você sair?!'. Então é difícil", relatou ela.
Já Ediléa, grávida de sete meses, contou que a vida toda foi difícil encontrar emprego, porém, em meio ao desespero de estar em casa com a avó acamada e a necessidade de colocar comida na mesa, buscou ajuda.
"Não conseguia arrumar emprego. Estava muito desanimada. Eu nem sabia fazer bolo. Tinha vezes que sentava na frente do forno e chorava por ter errado a receita, e outras vezes que pulava de alegria por ter conseguido vender todo o estoque do dia", comenta.
Atualmente, além de ter um norte na vida, ela consegue ajudar a sustentar a casa faturando em média R$ 600, com potes de bolos a R$ 5. O marido trabalha é missionário, faz palestras e também ajuda no sustento.
Contra a realidade
Conforme as duas jovens, apesar de viver em um bairro de baixa renda e com o aceno quase irresistível da criminalidade do entorno, as oportunidades de trabalhar em empregos não formais sempre existiram.
"É muito perigoso cair na armadilha do dinheiro fácil, do crime, do tráfico. Eu não queria aquilo para mim. Dói ver um jovem perder a vida por não ter oportunidade", contou Sthefanny.
Ela ficou desempregada por alguns anos e, em meio ao desespero de não ter oportunidades ou visão de futuro, resolveu apostar em um negócio próprio.
"Quando eu era jovem aprendiz já vendia produtos de beleza para conseguir uma renda extra, porém depois que acabou o meu período nesse emprego, tive que apostar apenas no que antes era apenas o 'bico'. Hoje, eu consigo faturar um salário mínimo e sustentar a casa apenas sendo revendedora", explicou a jovem.
Ediléia reforça que já é difícil conseguir emprego sendo jovem e negro, e a situação ainda se agrava com a exigência em geral das empresas e da falta de espaço.
"Eles sempre falam para nós deixarmos o currículo lá que eles iriam analisar, ou que era para mandar por e-mail, mas nunca mandavam resposta. E quando você resolve empreender, as pessoas ainda assim ficam perguntando se a gente não vai arranjar um emprego. Ninguém valoriza como como um trabalho normal porque não tem uma carteira registrada", explicou.
A missão, ou até mesmo sonho, das duas é transformar tanto o presente dos jovens da comunidade sendo espelho de superação, como também mostrar que o empreendedorismo não é uma mão de obra que pode ser trocada a qualquer momento.
"Quando a gente está desempregada aprendemos a viver um dia de cada vez. 'O que a gente tem para comer hoje?!', Qual conta tem que ser paga hoje para não ser cortada?!'. Quantas vezes assistir TV foi difícil porque passavam promoções, ou comidas gostosas, e a gente não tinha condições de comprar. Porém, pão e água sempre teve", lembrou Sthefanny.
Preconceito
Conforme os dados do IBGE mostram, o desemprego continua maior entre as mulheres (14,9%) e os negros (16%).
Para Ediléia e Sthefanny, além de serem jovens, existe também o preconceito não só do lugar em que vivem, mas também da cor de pele e por serem mulheres.
"Enquanto alguns vão de elevador a gente tem que quase escalar, mas seguimos. A gente pode, sim, chegar no mesmo lugar mesmo tendo menos oportunidades. O suor não preocupa, não interfere, não impede. O que cansa é a exclusão, a discriminação, a falta de humanidade", relatou Sthefanny.
Ediléia ainda lembrou que muitas portas são fechadas só por elas serem como são, já ouviram coisas que sabem que, infelizmente, continuarão ouvindo só por serem mulheres, mas que nada nunca vai fazer ela desistir porque, agora, ela tem um incentivo a mais que é a filha dentro de sua barriga.
"É difícil. Uma hora o problema é o cabelo, outra a cor, outra a juventude, o lugar. Tudo velado, mas a gente sabe, a gente sente. Temos que ter perseverança, e o bom é que a gente aprende isso desde cedo aqui", disse ela.
Dificuldade de gerações
É a passos de formiguinha que as duas jovens, que representam tantos jovens de comunidades, conseguem atualmente conquistar espaço e obter renda na sociedade.
Para elas, o problema do desemprego sempre foi visto como normal para toda a família. "É da favela, então não tem que exigir crescer muito. Se contenta com isso, se conforma", contaram as jovens.
Porém, elas não querem isso, e começaram por si a mudança de vida. Ediléia disse que a vida toda a avó foi catadora de reciclagem, nunca sobrava dinheiro. Muito pelo contrário, faltava sempre.
"Eu nunca passei fome mesmo, mas tenho seis irmãos e eles sim. Uma vez até ouvi minha mãe falar: 'Dorme que passa, meu filho', e nunca foi maldade, simplesmente não tinha nada", relatou ela.
No caso da Sthefanny a família também passava por isso. Os pais sempre trabalharam em empregos informais e de baixo rendimento, tanto pela falta de oportunidades, quanto pela falta de estudos.
"Sempre tiveram que se sujeitar muito, se rebaixar muito. Eu acho que crescer aqui me ensinou a não ter vergonha de ser quem eu sou, não sou um rótulo. Mas nossos pais não conseguiam ver o futuro além desse muro", contou.
Visão de futuro
Com a superação, pelo menos por ora, do desemprego e a renda que possuem, as duas jovens sonham com um futuro bom.
Sthefanny tem o desejo de fazer uma faculdade de Publicidade ou Direito, que até o momento não teve chance, pois a necessidade de colocar dinheiro em casa era maior.
"Tem gente que está fazendo diferente que está seguindo passos que antes não nos permitia, ou não sabia que se podia caminhar. Não estamos ocupando o espaço dos outros, ou metendo o pé na porta com força, nós estamos conquistando com a nossa inteligência, com nosso empreender, com nosso diferencial. Os sonhos que antes foram adiados, agora podemos voltar a planejar", lembrou ela.
Já Ediléia tem o sonho de se formar em Psicologia e morar fora do Brasil, mas no futuro. Agora, vai continuar com a venda de seus bolos e esperar a chegada da bebê.
"Eu tenho muitos sonhos, mas acredito que o maior é não deixar a as futuras gerações, como a minha filha, que se contaminem pelo 'não posso', 'não consigo'. A meta é incentivar sempre a estudar mais do que trabalhar, afinal a educação é tudo e é o que leva para os melhores lugares. A mudança é agora", concluiu Ediléia.
Taxas de desemprego no Paraná
O Paraná fechou o primeiro trimestre de 2019 com 536 mil trabalhadores desempregados, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 16 de maio. Este número representa uma taxa de desemprego de 8,9%.
Em comparação com a pesquisa anterior, divulgada em dezembro de 2018, o estado teve um crescimento de 67 mil desempregados.
Apesar do crescimento, o Paraná é um dos estados com menor taxa de desemprego do Brasil, junto com Rondônia e atrás de Santa Catarina (7,2%) e Rio Grande do Sul (8%).
Taxa de desemprego no Paraná
em %
2º tri 2018
● : 9,1
● : 9,1
Fonte: IBGE
IBGE. PORTAL G1. 21/06/2019. Falta de qualificação e de experiência afastam jovens do mercado de trabalho formal em Minas Gerais. Independente de já ter tido ou não carteira assinada, é possível conseguir espaço no mercado de trabalho se forem desenvolvidas competências exigidas, garante consultora de carreiras.
Por Patrícia Fiúza, G1 Minas — Belo Horizonte
Há dois anos, a estudante universitária Natália Sotero Fernandes não consegue ter a carteira de trabalho assinada. A única experiência profissional que a jovem teve foi de auxiliar de compras, trabalho que conseguiu após terminar o ensino médio, em 2014.
Mas a realização de ter tido o primeiro emprego acabou logo que ela começou o curso de pedagogia na Universidade do Estado de Minas Gerais. Natália foi demitida e não consegue mais recolocação no mercado de trabalho. “Mandei currículo até perder as contas. Cheguei a fazer entrevistas, mas não deu em nada. Acabei desistindo”, disse.
Aos 23 anos, o sonho da universitária, que está no meio do curso, é fazer estágio na área que quer atuar. “Nem os obrigatórios estou conseguindo”, disse. A jovem, que mora em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, só teve uma oportunidade na capital, que fica a cerca de 40 km da sua casa. “Para estar lá às 7 horas da manhã, teria que acordar às 3h30. Mas só chego em casa da faculdade à meia-noite”, contou.
Enquanto não tem uma oportunidade na área de atuação, Natália dá aula particular no quintal de casa, o que garante uma renda de R$ 300 a R$ 400 reais, podendo chegar a R$ 700 no final do ano. “Tenho que dar meu jeito, porque se eu formo e não tenho experiência, vou acabar ficando para trás. Na minha turma, muitos colegas já estão na área e só fizeram a faculdade depois. Eu sou uma das poucas que não tem experiência nenhuma”, afirmou.
Natália é um dos 4 milhões e 260 mil jovens entre 18 e 24 anos que, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, estavam desempregados no primeiro trimestre deste ano. Isso corresponde a 31,8% do total de 13 milhões de desempregados no Brasil. Em 2012, este número era de 2 milhões 560 mil jovens no mesmo período. O ápice de desempregados chegou a 4 milhões 485 mil pessoas, no primeiro trimestre de 2017.
De acordo com a supervisora de carreiras Cynara Bastos, a dica é não deixar para ingressar tardiamente; quanto mais cedo o jovem começar a procurar trabalho, melhor. "Uma opção é ser jovem aprendiz, que é compatível com a escola, dá base e vai preparando para outras demandas mais intensas, quando está na graduação ou está formado", disse.
Outra dica da especialista é estar de olho nas competências exigidas pelo mercado de trabalho. Fazer cursos, mesmo os que sejam gratuitos, e buscar informações disponíveis na internet também são um caminho, independente da renda, apontou Cynara. "É possível ter competências que são desenvolvidas independente de ter tido experiência de trabalho ou não, através do hábito da leitura, da curiosidade. Cada vez mais, os jovens tem lido menos. Como é que desenvolve capacidade crítica sem ler?", indagou.
Desemprego em família
A estudante divide a angústia de não ter a carteira assinada com o primo, Lucas Casimiro, de 19 anos, que também está sem trabalhar. Ele terminou o ensino médio no final de 2017 e, enquanto aguarda uma oportunidade no mercado de trabalho formal, tem se dedicado a compor e mixar as composições do seu grupo de música pop.
Enquanto isso, continua a correr atrás do primeiro emprego. Já perdeu a conta de quantos currículos enviou em busca de uma oportunidade. “Ainda corro atrás de vez em quando, mas tem época que chego a desistir. Toda empresa o retorno é o mesmo: vou levar para o gerente avaliar. Mas depois fico sem notícias”, contou.
O que mais pesa, na opinião de Lucas, é a falta de experiência. “Percebo que a questão de formação, falta de faculdade, nem conta tanto. O problema é mesmo não ter experiência na carteira. A maioria das empresas pede seis meses. Como é que vou ter experiência se não me dão chance?”, questiona.
Para aliar a paixão pela música com a expectativa de conseguir um trabalho na área dos sonhos, Lucas tentou fazer um curso de música no Valores de Minas, um programa oferecido pelo governo de Minas Gerais a jovens egressos de escolas públicas. Ele fez as inscrições no final do ano passado, esperando começar no início deste. Mas, o curso foi suspenso e só tem expectativa de ser retomado na segunda quinzena deste mês.
Enquanto nem o emprego, nem o curso de música saem do papel, Lucas faz alguns “bicos” de montagem de som com o pai. A renda, segundo o jovem, oscila muito.
A esperança de Lucas é ainda de fazer faculdade de música ou de publicidade. A mãe, Sueli, chegou a fazer Enem com ele no ano passado para motivá-lo. Ela conseguiu entrar para o curso de assistente social numa faculdade particular. Ele ainda não. “Ele estava muito desanimado. Mas não vou deixar ele desistir”, disse.
IBGE. PORTAL G1. 21/06/2019. 'Ganho mais tempo, saúde e liberdade', diz jovem de BH que desistiu de ter emprego formal para empreender. Em Minas Gerais, jovens começam o negócio próprio não só pela renda, mas porque buscam fazer algo que traga sentido para a vida, afirma analista do Sebrae Minas.
Por Patrícia Fiúza, G1 Minas
Na cozinha de casa, Wericson de Souza descobriu que não precisava esperar por uma oportunidade no mercado de trabalho formal. O prazer de fazer — e de comer — doces foi transformado em negócio. Hoje, ele vende bombons sob encomenda e pelas ruas do bairro onde mora, Diamante, na região do Barreiro, em Belo Horizonte.
O negócio, segundo o jovem empreendedor, tem dado tão certo que ele colocou de lado o objetivo de ter assinada a carteira de trabalho.
Wericson sempre soube que queria empreender, mas tinha a convicção de que precisava de um emprego formal para ter aporte inicial para o negócio. Assim que terminou o Ensino Médio, em 2015, ele fez o curso de empreendedorismo do Sebrae, fornecido gratuitamente a jovens que estudaram em escolas públicas na região metropolitana da capital mineira.
Logo, começou a enviar currículos para diversas empresas. “Tinha certeza de que o curso que eu tinha feito ia contar pontos”, afirma. Mas ele passou três meses a procura de trabalho e não conseguiu sequer uma entrevista. O único retorno que teve foi quase um ano depois.
“Meus pais já estavam me pressionando para arrumar trabalho. Eles queriam que eu tivesse um emprego para ajudar a pagar as contas. Comecei até a anotar todas as empresas que mandava currículo, para que, se alguma me ligasse, eu saberia qual era a vaga exata e não ia me perder no meio de tanta empresa que procurei”, conta.
Sem esperança de conseguir carteira assinada, Wericson decidiu antecipar a realização do sonho antes mesmo do planejado. Com R$ 50, comprou chocolate, côco, maracujá, leite condensado e outros ingredientes. Fez bombons e foi vender na porta da escola onde estudou.
Foram dois dias vendendo por conta própria, até descobrir que não teria o retorno esperado. Convidou amigos e vizinhos para se tornarem seus representantes comerciais. Cada um passou a ficar com uma leva de bombons para vender pelo bairro e ganhar uma comissão por isso.
O caminho escolhido por Wericson também tem sido a opção de outros jovens. Último levantamento do Sebrae mostra que, de 2017 para 2018, aumentou de 18,9% para 22,2% a participação dos jovens de 18 a 24 anos entre os empreendedores iniciais, com negócios (formais ou informais) de até três anos e meio de atividade. São mais de 5 milhões de pessoas neste perfil.
Segundo a gerente da unidade de educação de empreendedorismo do Sebrae Minas, Fabiana Pinho, nem sempre o jovem empreende porque não consegue um emprego.
“Parece filosófico, mas o que tem levado muitos jovens a empreender é a busca de um significado para a vida. Quando decide o que quer fazer, esta decisão tem que fazer um sentido para a vida dele. Durante muitos anos, pautou numa influência dos pais ou da sociedade. Hoje, faz reflexão sobre o que gosta, o que sabe e o que vai gerar impacto positivo na sociedade”, diz a gerente do Sebrae.
Quem empreende por necessidade, segundo Fabiana, precisa ter em mente que o começo deve mesmo ser com pouco.
“Não precisa de muito recurso para começar. Antigamente, era preciso fazer plano de negócio, chegar a um recurso significativo, às vezes até buscar financiamento. Hoje, já não precisa disso tudo. É possível começar a empreender com quase nada, experimentando, errando, perdendo pouco e ir aperfeiçoando o negócio.”
O primeiro passo, segundo a especialista, é saber se tem demanda de mercado para o produto ou serviço que quer oferecer. O jovem também tem que ter em mente que é algo que gosta e sabe fazer para, então, investir naquilo.
“Com pequenos passos, pode ir ampliando produtos, analisando mercado, cliente e demanda. Em pouco tempo, será possível investir em tecnologia, ampliar a rede e até a divulgação”, disse.
Wericson aprendeu a trabalhar com chocolates com uma amiga e hoje já faz até encomendas. Ele produz uma média de 1 mil bombons por mês, mas já chegou a fazer 500 em apenas uma semana.
O jovem confessa que não tem tudo anotado, nem sabe quanto chega a receber ao final de um mês, mas garante que consegue pagar as contas. “Hoje, eu pago meus cartões de crédito, luz e seguro do carro”, conta.
Uma das maiores dificuldades, segundo o empreendedor, é justamente essa: como faz tudo sozinho, a parte administrativa acaba ficando de lado. É ele quem produz e embala os chocolates. Também faz a divulgação, mantém atualizadas as redes sociais e compra os insumos. “Não tenho tempo para colocar tudo certinho na planilha”, confessou.
Mesmo sem saber ao certo quanto fatura por mês, Wericson garante que tem outros “ganhos” importantes com a vida de empreendedor.
“Talvez não esteja ganhando mais dinheiro do que se estivesse com carteira assinada. Mas ganho mais tempo, saúde e liberdade para trabalhar da minha forma”, afirmou.
Por enquanto, ele não pensa em fazer faculdade e nem quer mais entrar no mercado de trabalho formal. Quer mesmo ficar por conta do negócio, para o qual já tem outros planos: “Até o final do ano, vou montar minha cozinha só para a minha empresa”, disse.
IBGE. PORTAL G1. 21/06/2019. Graduados e desempregados: jovens entre 18 e 24 anos enfrentam dificuldades para entrar no mercado. Nathalia, Samantha e Bárbara: três jovens do DF que representam uma geração que aceita salários mais baixos e fora da área de formação para conseguir pagar as contas.
Por Maria Ferreira*
Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que no primeiro trimestre de 2019 13,4 milhões de pessoas estavam desempregadas no país. A maior parte (57,2%) tem entre 25 e 59 anos. Em segundo lugar estão os jovens dos 18 aos 24 anos (27,3%).
Os jovens são também os que mais apresentam dificuldades para conseguir uma vaga e os mais afetados pela crise. As brasilienses Nathalia Regis, Samantha Ferreira e Bárbara Ferreira, todas de 22 anos, são exemplos desta geração.
Com contas atrasadas e diplomas "engavetados", ela aceitaram subempregos e adiaram sonhos porque não conseguiram trabalhar na área de formação.
Nathalia
Nathalia Regis se formou em Gestão Pública em dezembro de 2017, em uma universidade privada do Distrito Federal. Quando escolheu o curso, em 2014, lembra que "era uma profissão em ascensão" – tanto que trocou a faculdade de Direito pela nova área.
Recém graduada, conseguiu emprego em um escritório de franquias. O salário era bem menor do que Nathalia imaginava ganhar, mas aceitou.
"Eu aceitei porque estava precisando muito e, infelizmente, com a situação que temos hoje aceitaria de novo. Mesmo ganhando menos do que deveria, é melhor do que nada."
A jovem foi mandada embora no final de 2018 e não conseguiu uma nova colocação. Mas diz que não desistiu de atuar como gestora pública.
Para ter maiores chances, Nathalia está fazendo cursinho para tirar uma certificação. Segundo ela, a certificação garante a participação no processo seletivo de um banco privado, mas não assegura a vaga.
"É um risco a correr, tenho que tentar."
Nathalia precisa de uma certificação chamada de CPA-10, para profissionais que atuam na distribuição de produtos de investimento em agências bancárias ou plataformas de atendimento.
Enquanto isso, ela e o marido "escolhem os boletos que vão pagar, porque só o salário dele não dá", diz a jovem. Aluguel, condomínio, luz e comida são prioridades.
O marido de Nathalia, Victor, tem 23 anos. Ele é professor de inglês, mas trabalha em uma clínica veterinária porque também não conseguiu emprego na área de formação.
Daqui para frente
As contas atrasadas e a dificuldade de ser uma desempregada com formação superior fizeram com que Nathalia e Victor adiassem os sonhos. Quando os dois trabalhavam começaram uma poupança para comprar um apartamento, mas tiveram que gastar o dinheiro para continuar sobrevivendo.
A segunda faculdade que a jovem pretendia fazer, jornalismo, "teve que ser colocada para escanteio", diz ela. O foco é conseguir logo um emprego com o que aprendeu na primeira graduação.
Segundo Nathalia, as expectativas não são boas. "Se você não conhecer uma pessoa dentro de alguma empresa que te ajude com uma vaga você não consegue nada", desabafa.
A esperança, a partir de agora, é passar no processo seletivo para o qual se prepara. Caso não consiga, ela diz que vai voltar a distribuir currículos e cogita aceitar novamente algo que não seja em sua área profissional.
"Mesmo que seja um salário baixo, já é alguma coisa."
Samantha e Bárbara
As gêmeas Bárbara e Samantha Ferreira, de 22 anos, moram em Santa Maria, no Distrito Federal e fizeram cursos tecnólogos nas áreas de design de interiores e gastronomia, respectivamente. Formadas há quase dois anos, as irmãs não conseguiram emprego.
"Nem na nossa área de atuação e nem em outra", explicam.
As irmãs fizeram curso de aperfeiçoamento para o mercado de trabalho, com enfoque em administração e estão dispostas a aceitar empregos como auxiliar administrativo, recepcionista ou atendimento ao cliente. As duas também tem boa fluência em inglês.
Estudam em casa, por meio de sites, mas não possuem certificado que comprove.
"Eu tenho inglês quase fluente, mas só posso colocar básico no currículo por falta do certificado, porque ainda não consigo pagar um curso", diz Bárbara.
Falta de experiência e sonhos adiados
As gêmeas tiveram apenas um trabalho antes da faculdade. Depois, se dedicaram aos estudos e ao sonho de conquistar um diploma.
Bárbara quer desistir do design de interiores e fazer faculdade de audiovisual. "Mas preciso de um emprego antes, pra conseguir pagar o curso”, reconhece.
Já Samantha quer trabalhar com gastronomia, a área de formação inicial. Ela adiou a pós-graduação em gestão de restaurantes e espera uma oportunidade para colocar, literalmente, a mão na massa.
Segundo ela, o fato de não ter experiência é o que mais dificulta. "Acho que eles querem experiência até como estagiário", diz.
As irmãs também dizem estar dispostas a trabalhar em outras áreas e receber menos, "desde que o salário seja digno".
"Mesmo que receba pouco, eu preciso encontrar experiência para depois conseguir um emprego que pague melhor e seja algo na minha área", explica Samantha.
Na família de cinco pessoas, a irmã mais velha – de 29 anos – está na mesma situação. Para piorar, o pai ainda ficou desempregado e a mãe é a única com emprego fixo.
Para driblar a falta de colocação, as irmãs tentaram empreender: fizeram bolos no pote, sanduíches e torta. Mas o prejuízo foi maior do que o retorno, admitem.
Depois disso, dizem que pensaram até em tirar do currículo os cursos "pra ver se conseguimos emprego". Mas desistiram da ideia.
"Foi muita luta pra terminar a faculdade, não podemos negar nossa graduação assim."
No entanto, o que mais as incomoda, é o fato de verem as contas crescendo em casa, e não poderem ajudar, desabafam. A mãe as tranquiliza, mas elas sentem o peso e a necessidade de sair do desemprego.
Sob supervisão de Maria Helena Martinho*
IBGE. PORTAL G1. 21/06/2019. Bibliotecária cearense se muda para Alemanha em busca de crescimento profissional após frustração no Brasil. Lícia Girão mora há um ano Alemanha e conta que precisou aceitar emprego com remuneração abaixo da ideal para permanecer no país. Apesar das dificuldades, ela diz que 'faria tudo novamente'.
Por G1 CE
Em busca de melhores condições de trabalho e crescimento profissional, a bibliotecária cearense Lícia Girão, 27 anos, resolveu sair da zona de conforto e se mudar do Ceará para a Alemanha. Desde agosto passado em terras germânicas, a jovem conta que precisou se adaptar ao novo idioma e assumir um trabalho em meio período, mesmo com remuneração abaixo do mercado, para continuar no país.
Apesar das dificuldades, ela admite que ainda não pensa em voltar para o Brasil. A mudança se deu após ela se ver frustrada no emprego que mantinha no Ceará. A bibliotecária conta que tentou trocar de emprego, mas que não havia demanda no estado.
“Eu já estava [há] quatro anos trabalhando na mesma empresa que, apesar do imenso ganho em aprendizado e experiência na minha área profissional, não me apresentava meios de crescimento de cargo ou salário mesmo se eu demonstrasse proatividade ou buscasse qualificação”, revelou.
Após o marido, à época namorado, mudar-se para o outro país, Lícia viu uma oportunidade de melhores condições profissionais e iniciou uma preparação de um ano para possibilitar a mudança.
Para conseguir viajar, ela diz que precisou economizar e traduzir todos os documentos básicos e comprovantes de escolaridade, além de tirar o passaporte, fazer aulas particulares de inglês para elevar seu domínio sobre a língua.
“Durante um ano, fiz uma contenção enorme nos meus gastos. O que já me sobrava eu guardava e tirava mais um pouco de onde não podia. Passei um ano sem comprar roupa, restringi muito minhas saídas e fazia programações gratuitas, entre outras coisas. Eu precisava guardar um terço do meu salário por mês pra conseguir juntar o dinheiro que precisava em um ano”, detalha.
Lícia também teve que realizar pesquisas sobre o modelo de currículo alemão e adaptar suas qualificações. “O currículo assume uma forma diferente em cada país. O modelo do Brasil não funciona fora, eles descartam só pelo currículo já”, destacou.
Fuga da violência
Lícia acrescenta que, além da busca pelo crescimento profissional, a violência foi outro fator determinante para a mudança de cidade. Ela conta que, nos últimos seis meses em Fortaleza, foi furtada, assaltada e ainda sofreu outra tentativa de assalto.
“Minha rotina me deixava muito exposta à violência. Eu não tinha carro, então pegava muito transporte coletivo e estava muito suscetível a esse tipo de coisa”, lembra.
Emprego na Alemanha
Há pouco mais de um mês, Lícia conseguiu um "mini job", espécie de emprego de meio período com o objetivo maior de ganhar experiência em uma biblioteca. Uma das dificuldades do novo emprego é o idioma, algo que a bibliotecária busca ainda se adaptar para conseguir melhores oportunidades.
“Demorei para conseguir uma recolocação porque não falava alemão e aqui você não é contratado se não tiver um bom alemão, com algumas poucas exceções. À medida que meu alemão evolua, vou tentar um emprego melhor ou até uma nova graduação, que também é uma possibilidade”, explicou.
Por ser um trabalho de meio expediente, a remuneração não é o suficiente para a bibliotecária viver bem confortável na Alemanha. Ainda assim, ela afirma que faria tudo novamente.
“Junto com a renda do meu marido, até que a gente consegue viver com conforto. Mas se fosse só a minha, eu precisaria de dois trabalhos. A minha vida aqui é mais solitária. Sinto muita falta de coisas pequenas. Em contrapartida, quando eu saio para trabalhar ou estudar, eu sei que vou voltar para casa viva, com meu corpo perfeito e meus pertences em mãos, que vou conseguir pegar um transporte público e não passar pela humilhação de ficar imprensada, sinto que no trabalho eu tenho muito mais respeito. Hoje, eu sou privilegiada", afirma.
Advogado investe em qualificação para garantir emprego
O advogado Lucas Holanda viveu situação diferente da de Lícia. Ele se formou em 2017, concluiu cursos de pós-graduação e chegou a fazer intercâmbio de seis meses na França. Ainda assim, ele teve dificuldades em conseguir um emprego com remuneração equivalente à qualificação no Ceará.
Sem oportunidades no mercado de trabalho local, Lucas Holanda foi em busca de um estágio voluntário, sem nenhuma remuneração, somente para adquirir experiência. “Eu estava sempre à procura de oportunidades e aproveitava tudo que aparecia”, afirma. Após essa experiência, Lucas ainda estagiou em mais três locais, todos com remuneração.
Ele conta que o investimento em qualificações foi essencial para evoluir na carreira, mesmo com as dificuldades iniciais. Na avaliação do advogado, essas qualificações são de extrema importância para um profissional em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.
“A necessidade de investir em pós-graduações foi em decorrência do mercado. Hoje em dia, a procura está sendo por profissionais de áreas específicas que sabem o que estão fazendo e que conhecem as consequências e a forma de fazer. Por isso a necessidade de duas especializações. Acredito que é possível ser um profissional de destaque com apenas uma, apenas quis fazer um investimento um pouco maior que a média. No entanto, um advogado sem especialização, que sequer está cursando alguma, tende a ter muita dificuldade de ingressar no mercado”, ressalta.
Após conseguir um emprego, Holanda revela que, hoje, para um advogado iniciante, seu posto atual está acima da média.
“Estou em um lugar estável, com perspectivas de aprendizado e de progressão salarial. Nos lugares em que um advogado iniciante tem uma remuneração um pouco maior, a rotina costuma ser muito sufocante e exaustiva. Eu lido com demandas especializadas, assim tenho uma rotina menos desgastante”, detalha.
Lucas Holanda acrescenta que seus companheiros de graduação também já conseguiram uma colocação no mercado, porém em trabalhos com carga horária de mais de oito horas por dia e com remunerações abaixo da categoria. Ele diz ainda que outros advogados estão passando por dificuldades para conseguir uma vaga no mercado.
“A OAB tem uma taxa de reprovação de 90% no exame e mesmo assim pode-se perceber um inchaço no mercado. Tem muita gente que acaba indo desempenhar funções que não necessitam da qualificação que obtiveram na faculdade de direito”.
De olho no futuro
Mesmo já empregado, Lucas diz que continuará em busca de aperfeiçoar as qualificações e já pensar em ingressar em um mestrado.
"No momento, meu foco é começar um mestrado e trabalhar em minhas publicações para que eu possa começar a dar aulas. Eventualmente pretendo ter meu próprio escritório e poder contratar outros advogados para cuidar da parte operacional/contenciosa, o que eu faço hoje. No futuro eu gostaria de trabalhar só com consultoria”, projeta.
IBGE. PORTAL G1. 21/06/2019. No Acre, jovens aceitam subempregos e mudam de cidade para fugir da informalidade. Ana Karoliny, de 18 anos, mudou de cidade para tentar fazer faculdade e arrumar um emprego. Lucas Araújo, de 23 anos, é formado em ciências biológicas e, para driblar o desemprego, trabalha como auxiliar administrativo.
Por Alcinete Gadelha, G1 AC — Rio Branco
Quando Ana Karoliny Melo planejava o futuro, há dois anos, já sabia que as coisas não seriam tão fáceis. Mas não imaginava que o mercado de trabalho pudesse estar tão distante do que ela sonhou lá atrás.
Aos 18 anos e à procura do primeiro emprego, a jovem começou a peregrinação quando mudou de cidade. Ela saiu de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, para a capital Rio Branco por acreditar que teria mais oportunidades.
Além disso, ela ainda tinha nas mãos a oportunidade de ingressar numa faculdade particular com uma bolsa de estudos que tinha conseguido para o curso de psicologia.
Há três meses, quando ela mudou de cidade, caso não conseguisse trabalhar, iria apenas estudar. Mas a mãe, que era quem a manteria financeiramente na capital, também ficou desempregada. A jovem não conseguiu se matricular na faculdade e perdeu a bolsa de estudos.
"No caso, não deu, minha mãe ficou desempregada. A gente achou que nesse tempo ela conseguiria alguma coisa enquanto eu preparava a documentação para a faculdade e ela estaria estabilizada lá [Cruzeiro do Sul]. Mas, isso não aconteceu", explica.
Foi nesse momento que Ana precisou abrir mão da faculdade e começou a procurar emprego. Pelo menos três vezes na semana ela sai para distribuir currículos em lojas e outros locais que ela sabe que estão precisando de pessoas para o quadro.
Além disso, fez cadastro no Sistema Nacional de Emprego do Acre (Sine) e envia também o currículo por e-mail. Todas as tentativas são válidas para ela.
A jornada da jovem agora é encontrar um emprego para conseguir se manter em Rio Branco e conciliar o trabalho com os preparativos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). De acordo com Ana, a intenção é fazer faculdade, já que ela não tem mais como recuperar a bolsa de estudos que perdeu.
Sem experiência
Enquanto não consegue encontrar um emprego fixo, Ana faz pequenos bicos em festas de formatura e outros eventos como garçonete. Segundo ela, os maiores desafios em sua busca são a experiência, que é exigida na maioria dos locais onde já passou por entrevista, e também a concorrência.
"Na maioria dos lugares, para o setor de vendas, por exemplo, eles querem alguém que já tenha experiência e acaba que é muito difícil, porque nunca trabalhei formalmente. É uma barreira mesmo", lamenta.
Para quem mudou de cidade e planejava um futuro, os principais planos que Ana precisou mudar foram a faculdade, que perdeu a chance de ingressar, o que ela classifica como um grande 'baque'.
Para o futuro, a jovem diz que, apesar das dificuldades, ainda têm esperanças de que vai conseguir trabalhar. "Vou ter meu dinheiro, tirar minha habilitação, comprar um computador para poder estudar. Minha expectativa é essa, de que vai dar certo, vou conseguir uma estabilidade para conquistar minhas coisas", diz.
Ana informou ao G1 que, no final da semana passada, conseguiu uma entrevista de emprego. Após a entrevista, ela foi chamada para fazer um teste, nesta terça-feira (11), em uma loja de artigos e produtos femininos.
Mudança de planos para entrar no mercado
Lucas Araújo, de 23 anos, é formado em ciências biológicas há pouco mais de três anos. Até agora, ele conta que não conseguiu emprego na área. Para driblar o desemprego, está há quatro meses trabalhando como auxiliar administrativo e recebe R$ 998, um salário mínimo.
Nesse período de desemprego, o jovem conta que não teve concurso efetivo para a educação, sua área de formação, apenas alguns processos seletivos e um cadastro de reserva.
"Cheguei a fazer [processo seletivo], fiquei na lista de espera de um, mas não consegui nada. Isso na parte da educação. Mas, participei também de outras seletivas, só que também não deu certo. Concurso efetivo mesmo, não teve", lamenta Lucas Araújo.
Quando se formou, Lucas acreditava que a demanda para a educação seria uma porta sempre aberta para conseguir entrar no mercado de trabalho, mas as coisas não saíram como o esperado.
"Achei que fosse mais fácil conseguir algo na área da educação, que fosse ter um investimento maior nessa área, principalmente com a contratação de mais professores. Mas, até então, não foi o que aconteceu", pontua.
Frustração sem trabalhar na área
Lucas, como todo brasileiro que tenta entrar no mercado de trabalho e vê as portas se fecharem, teve o período de frustração. Afinal de contas, foram quatro anos de faculdade e um investimento de pelo menos R$ 50 mil com gastos com mensalidade e outras despesas que teve em uma faculdade particular.
"Você faz faz uma faculdade esperando ter um trabalho de nível superior. O lado bom é que não estou endividado, no caso, temos muitos exemplos de pessoas que fazem financiamentos. Eu tive essa vantagem", ressalta.
Para o futuro, o jovem diz que pretende fazer outra graduação, tentar concurso público em outras áreas além da educação, para ter uma perspectiva melhor de futuro no que diz respeito ao trabalho.
Além disso, ele diz que quer buscar uma especialização, já que o objetivo depois de conseguir o primeiro emprego formal é dar um passo maior e conseguir uma vaga para nível superior, melhorar os ganhos, e investir nos estudos.
Rotina de trabalho
A jornada de trabalho de Araújo é cansativa. Ele mora em Senador Guiomard, no interior do Acre, entra às 7h, e, para chegar no horário, precisa sair de casa às 5h30. Ele conta que faz uma pausa para o almoço ao meio dia, retorna às 14h, e encerra o turno às 18h. Ele chega em casa volta das 20h.
"Geralmente, a gente bate o ponto e toma o café, mas, antes, começo a adiantar algumas coisas. Como minha função é de auxiliar administrativo, faço os serviços básicos, por exemplo, ir ao almoxarifado e pegar algumas coisas, e assim sigo durante o dia", conta.
Nessa rotina, o jovem precisa cumprir 44 horas semanais. Para economizar, o almoço é levado de casa, na boa e velha marmita. São quatro meses nessa rotina, mas, para Araújo, é bem melhor do que encarar o desemprego.
________________
LGCJ.: