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May 20, 2019


INDICADORES/INDICATORS




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BACEN. BOLETIM FOCUS: RELATÓRIO SEMANAL DE MERCADO
(Projeções atualizadas semanalmente pelas 100 principais instituições financeiras que operam no Brasil, para os principais indicadores da economia brasileira)



ANÁLISE



BACEN. PORTAL G1. 20/05/2019. Mercado vê inflação mais alta e reduz estimativa de crescimento do PIB para 1,24% em 2019. É a 12ª queda seguida na previsão de alta do PIB neste ano. Expectativa de inflação para 2019 subiu de 4,04% para 4,07%. Números foram divulgados pelo Banco Central.
Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

Os economistas das instituições financeiras elevaram a previsão de inflação para este ano, ao mesmo tempo em que reduziram a estimativa de expansão da economia em 2019.

As previsões constam no boletim de mercado também conhecido como relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (20), pelo Banco Central (BC). O relatório é resultado de levantamento feito na semana passada com mais de 100 instituições financeiras.

Para o crescimento do PIB deste ano, a previsão do mercado financeiro recuou de 1,45% para 1,24% na semana passada. Foi a 12ª queda seguida do indicador.

VEJA O HISTÓRICO DAS PREVISÕES DO MERCADO PARA O PIB DE 2019
ESTIMATIVAS CONTIDAS NO RELATÓRIO FOCUS
POR CENTRO06/04/201808/06/201821/06/201817/01/201901/03/201918/03/201929/03/201917/04/201926/04/201903/05/201910/05/201917/05/201911,522,533,5

18/03/2019
 : 2
Fonte: BANCO CENTRAL

O início das revisões para baixo na expectativa de crescimento do mercado financeiro para o PIB deste ano começou após a divulgação do resultado do ano passado – quando a economia avançou 1,1%.

No fim de março, o Banco Central estimou expansão de 2% para a economia brasileira neste ano e o Ministério da Economia projetou um crescimento de 2,2% para 2019.

Para o ano que vem, a expectativa do mercado financeiro de expansão da economia permaneceu estável em 2,50%.

Os economistas dos bancos também não alteraram a previsão de expansão da economia para 2021 e para 2022 – que continuou em 2,5% para os dois anos.

Inflação
Para 2019, os economistas do mercado financeiro elevaram a expectativa de inflação estável de 4,04% para 4,07%. A meta central deste ano é de 4,25%, e o intervalo de tolerância do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75%.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2020, o mercado financeiro manteve em 4% a estimativa de inflação – em linha com a meta central, de 4% para o próximo ano. No ano que vem, a meta terá sido oficialmente cumprida se a inflação oscilar entre 2,5% e 5,5%.

Outras estimativas

  • Taxa de juros - O mercado manteve em 6,5% ao ano a previsão para a taxa Selic no fim de 2019. Esse é o índice atualmente em vigor. Com isso, o mercado segue prevendo juros estáveis neste ano. Para o fim de 2020, a previsão recuou de 7,5% para 7,25% ao ano. Desse modo, embora em menor intensidade, os analistas continuam prevendo alta nos juros no ano que vem.
  • Dólar - A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2019 subiu de R$ 3,75 de R$ 3,80 por dólar. Para o fechamento de 2020, ficou estável em R$ 3,80 por dólar.
  • Balança comercial - Para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2019 subiu de US$ 50 bilhões para US$ 50,50 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado recuou de US$ 46 bilhões para US$ 45,55 bilhões.
  • Investimento estrangeiro - A previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2019, recuou de US$ 83,29 bilhões para US$ 82 bilhões. Para 2020, a estimativa dos analistas passou de US$ 84,36 bilhões para US$ 82,52 bilhões.

BACEN. REUTERS. 20 DE MAIO DE 2019. Projeções para PIB e indústria voltam a cair e economistas veem Selic a 7,25% em 2020

SÃO PAULO (Reuters) - As expectativa para a economia e a produção industrial neste ano voltaram a cair em pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira, depois que o BC apontou “probabilidade relevante” de recuo da economia no primeiro trimestre.

Diante desse cenário, a pesquisa mostrou ainda que o mercado passou a ver a política monetária ainda mais frouxa no próximo ano.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento para 2019 no Focus passou a 1,24%, de 1,45% na semana passada, na 12ª semana seguida de redução, com as contas para a indústria caindo 0,23 ponto percentual, a 1,47%

Para 2020 o cenário para o PIB e para a produção industrial não mudaram, respectivamente de expansões de 2,50% e 3,00%.

Na semana passada, a morosidade da economia brasileira foi abordada duas vezes pelo BC. Na ata da reunião em que manteve a taxa básica de juros em 6,5%, a autoridade monetária citou o risco de que o PIB tenha recuado ligeiramente no primeiro trimestre deste ano sobre os três meses anteriores.

Dias depois, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, expressou decepção em relação ao desempenho recente da economia, mas ressaltou que o banco não pode trocar inflação controlada por crescimento econômico.

Os números do PIB relativos ao início de 2019 serão divulgados pelo IBGE em 30 de maio. No quarto trimestre do ano passado, o PIB cresceu 0,1 por cento sobre o terceiro e terminou 2018 com expansão de 1,1 por cento, de acordo com dados do IBGE.

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que para a taxa básica de juros Selic, os economistas ainda a veem no atual patamar de 6,5% ao final deste ano. Mas para 2020 a conta caiu a 7,25%, de 7,5%.

O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, também vê a Selic a 6,5% em 2019, mas calcula a taxa ainda mais baixa no próximo ano, a 7,0%, de 7,21% na mediana das projeções na semana passada.

O levantamento semanal apontou que a expectativa para a alta do IPCA passou a 4,07% em 2019 de 4,04% antes, permanecendo em 4,00% para o próximo ano. O centro da meta oficial de 2019 é de 4,25 por cento e, de 2020, de 4 por cento, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Por Camila Moreira



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ECONOMIA BRASILEIRA / BRAZIL ECONOMICS



INFLAÇÃO



FGV. IBRE. 20/05/19. Índices Gerais de Preços. IGP-M Segundo Decêndio. IGP-M varia 0,58% na 2ª prévia de maio

O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 0,58% no segundo decêndio de maio, resultado inferior ao apurado no mesmo período do mês anterior, quando a taxa foi de 0,78%.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) variou de 0,89% no segundo decêndio de abril para 0,72% no segundo decêndio de maio. Na análise por estágios de processamento, os preços dos Bens Finais variaram 0,26% em maio, após alta de 0,89% em abril. A maior contribuição para este resultado partiu do subgrupo alimentos in natura, cuja taxa passou de -0,23% para -5,46%.

O índice referente aos Bens Intermediários subiu 0,97% em maio, contra 0,42% em abril. O destaque coube ao subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, cuja taxa passou de 0,64% para 4,07%.

A taxa do grupo Matérias-Primas Brutas foi de 1,45% em abril para 0,97% em maio. Contribuíram para o movimento do grupo os seguintes itens: soja (em grão) (0,25% para -4,04%), milho (em grão) (-3,66% para -7,21%) e mandioca (aipim) (2,27% para -5,60%). Em sentido oposto, destacam-se os itens minério de ferro (3,99% para 7,85%), cana-de-açúcar (1,67% para 3,75%) e arroz (em casca) (-1,32% para 5,53%).

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,40% no segundo decêndio de maio, ante 0,66% no mesmo período do mês anterior. Seis das oito classes de despesa componentes do índice registraram decréscimo em suas taxas de variação. A principal contribuição partiu do grupo Alimentação (0,77% para 0,07%). Nesta classe de despesa, cabe mencionar o item hortaliças e legumes, cuja taxa passou de 8,74% para 1,89%.

Também apresentaram decréscimo em suas taxas de variação os grupos Educação, Leitura e Recreação (0,44% para -0,21%), Vestuário (0,93% para 0,11%), Habitação (0,46% para 0,31%), Comunicação (0,09% para -0,13%) e Transportes (1,13% para 1,07%). Nestas classes de despesa, as maiores influências partiram dos seguintes itens: show musical (3,95% para 0,05%), roupas (1,29% para 0,19%), tarifa de eletricidade residencial (1,48% para 1,06%), pacotes de telefonia fixa e internet (0,43% para -0,59%) e tarifa de ônibus urbano (1,68% para 0,53%).

Em contrapartida, apresentaram acréscimo em suas taxas de variação os grupos Saúde e Cuidados Pessoais (0,51% para 0,95%) e Despesas Diversas (0,43% para 0,65%). Nestas classes de despesa, os maiores avanços foram observados nas taxas dos itens medicamentos em geral (0,74% para 2,66%) e bilhete lotérico (15,87% para 28,68%).

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou 0,06% no segundo decêndio de maio. No mês anterior, este índice havia registrado alta de 0,39%. Os três grupos componentes do INCC registraram as seguintes variações na passagem do segundo decêndio de abril para o segundo decêndio de maio: Materiais e Equipamentos (0,63% para 0,14%), Serviços (0,44% para 0,10%) e Mão de Obra (0,22% para 0,01%).

DOCUMENTO: https://portalibre.fgv.br/navegacao-superior/noticias/noticias-1520.htm



COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO



MEconomia. 20/05/2019. Comércio exterior. Balança comercial tem superávit de US$ 1,316 bilhão na terceira semana de maio. No acumulado do ano, saldo positivo chega a US$ 20 bilhões

Com exportações de US$ 4,526 bilhões e importações de US$ 3,210 bilhões, na terceira semana de maio de 2019, a balança comercial brasileira teve superávit de US$ 1,316 bilhão. No mês, o saldo positivo é de US$ 3,711 bilhões, resultado de exportações de US$ 11,929 bilhões e importações de US$ 8,219 bilhões. No acumulado do ano, as vendas externas brasileiras totalizam US$ 84,078 bilhões e as compras no exterior somam US$ 63,983 bilhões, com superávit de US$ 20,095 bilhões. 

Balança comercial - 3ª semana; 5º mês

Análise da semana  

A média das exportações da terceira semana (US$ 905,3 milhões) ficou 14,4% abaixo da média registrada até a segunda semana (US$ 1,058 bilhão), em razão da queda nas exportações de produtos manufaturados (-5,6%, em função, principalmente, de óleos combustíveis, autopeças, motores e turbinas para aviação, polímeros plásticos, laminados planos de ferro/aço) e semimanufaturados (-20%, por conta de celulose, ouro em formas semimanufaturadas, ferro fundido, açúcar de cana em bruto, ferro-ligas, madeira em estilhas). As vendas de produtos básicos também tiveram queda (-18,5%, em função, principalmente, de petróleo em bruto, carnes salgadas, minério de cobre, soja em grão, café em grão, carne de frango, algodão em bruto). 

Nas importações, também pela média diária, houve retração de 10,3%, sobre igual período comparativo - média da terceira semana, de US$ 642 milhões sobre a média até a segunda semana, que foi de US$ 715,5 milhões. A queda das compras externas no período pode ser atribuída, principalmente, à diminuição nos gastos com equipamentos mecânicos, equipamentos eletroeletrônicos, químicos orgânicos e inorgânicos, plásticos e obras, adubos e fertilizantes.

Análise do mês

Nas exportações, comparadas as médias até a terceira semana de maio de 2019 (US$ 994,1 milhões) com a média diária registrada em maio de 2018 (US$ 920,6 milhões), há crescimento de 8%  em função do aumento nas vendas de produtos manufaturados (+33,3%, por conta, principalmente, de óleos combustíveis, partes de motores e turbinas para aviação, aviões, gasolina, autopeças) e semimanufaturados (+15,7%, por conta de semimanufaturados de ferro/aço, ferro-ligas, ferro fundido bruto, madeira serrada ou fendida, couros e peles). Por outro lado, as vendas de produtos básicos foram reduzidas (-1,7%,  em função de soja em grãos, petróleo em bruto, farelo de soja, minério de cobre, arroz em grãos).

Em relação à média diária de abril de 2019, houve crescimento de 6%, em virtude do aumento nas vendas das três categorias de produtos: semimanufaturados (+8,4%), básicos (+6,3%) e manufaturados (+4,7%).

Nas importações, a média diária até a terceira semana de maio deste ano (US$ 684,9 milhões) ficou 8,5% acima da média de maio do ano passado (US$ 631,5 milhões). Nesse comparativo, cresceram os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (+28,1%), químicos orgânicos e inorgânicos (+18,2%), combustíveis e lubrificantes (+15,9%), equipamentos mecânicos (+9,0%) e equipamentos eletroeletrônicos (+8,1%). Sobre abril de 2019, houve crescimento de 5,5 pelos aumentos em adubos e fertilizantes (+33,5%), farmacêuticos (+24,5%), químicos orgânicos e inorgânicos (+14,7%), veículos automóveis e partes (+11,8%) e combustíveis e lubrificantes (+8,2%).

RESULTADOS GERAIS

Na terceira semana de maio de 2019, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,316 bilhão, resultado de exportações no valor de US$ 4,526 bilhões e importações de US$ 3,210 bilhões. No mês, as exportações somam US$ 11,929 bilhões e as importações, US$ 8,219 bilhões, com saldo positivo de US$ 3,711 bilhões. No ano, as exportações totalizam US$ 84,078 bilhões e as importações, US$ 63,983 bilhões, com saldo positivo de US$ 20,095 bilhões.

ANÁLISE DA SEMANA

A média das exportações da 3ª semana chegou a US$ 905,3 milhões, 14,4% abaixo da média de US$ 1,058 bilhão até a 2ª semana, em razão da queda nas exportações das três categorias de produtos: semimanufaturados (-20,0%, de US$ 144,3 milhões para US$ 115,4 milhões, em razão de celulose, ouro em formas semimanufaturadas, ferro fundido, açúcar de cana em bruto, ferro-ligas, madeira em estilhas), básicos (-18,5%, de US$ 561,0 milhões para US$ 457,5 milhões, por conta de petróleo em bruto, carnes salgadas, minério de cobre, soja em grão, café em grão, carne de frango, algodão em bruto) e manufaturados (-5,6%, de US$ 352,2 milhões para US$ 332,3 milhões, em razão, principalmente, de óleos combustíveis, autopeças, motores e turbinas para aviação, polímeros plásticos, laminados planos de ferro/aço).

Do lado das importações, apontou-se retração de 10,3%, sobre igual período comparativo (média da 3ª semana, US$ 642,0 milhões sobre média até a 2ª semana, US$ 715,5 milhões), explicada, principalmente, pela diminuição nos gastos com equipamentos mecânicos, equipamentos eletroeletrônicos, químicos orgânicos e inorgânicos, plásticos e obras, adubos e fertilizantes.

ANÁLISE DO MÊS

Nas exportações, comparadas as médias até a 3ª semana de maio/2019 (US$ 994,1 milhões) com a de maio/2018 (US$ 920,6 milhões), houve crescimento de 8,0%, em razão do aumento nas vendas de produtos manufaturados (+33,3%, de US$ 257,9 milhões para US$ 343,9 milhões, por conta, principalmente, de óleos combustíveis, partes de motores e turbinas para aviação, aviões, gasolina, autopeças) e semimanufaturados (+15,7%, de US$ 114,3 milhões para US$ 132,3 milhões, por conta de semimanufaturados de ferro/aço, ferro-ligas, ferro fundido bruto, madeira serrada ou fendida, couros e peles). Por outro lado, reduziram as vendas de produtos básicos (-1,7%, de US$ 527,1 milhões para US$ 517,9 milhões, por conta de soja em grãos, petróleo em bruto, farelo de soja, minério de cobre, arroz em grãos). Relativamente a abril/2019, houve crescimento de 6,0%, em virtude dos aumentos nas vendas das três categorias de produtos: semimanufaturados (+8,4% de US$ 122,0 milhões para US$ 132,3 milhões), básicos (+6,3%, de US$ 487,4 milhões para US$ 517,9 milhões) e manufaturados (+4,7%, de US$ 328,6 milhões para US$ 343,9 milhões).

Nas importações, a média diária até a 3ª semana de maio/2019, de US$ 684,9 milhões, ficou 8,5% acima da média de maio/2018 (US$ 631,5 milhões). Nesse comparativo, cresceram os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (+28,1%), químicos orgânicos e inorgânicos (+18,2%), combustíveis e lubrificantes (+15,9%), equipamentos mecânicos (+9,0%) e equipamentos eletroeletrônicos (+8,1%). Ante abril/2019, houve crescimento de 5,5%, pelos aumentos em adubos e fertilizantes (+33,5%), farmacêuticos (+24,5%), químicos orgânicos e inorgânicos (+14,7%), veículos automóveis e partes (+11,8%) e combustíveis e lubrificantes (+8,2%).



COMÉRCIO INTERNACIONAL



EUA. CHINA. PORTAL G1. 19/05/2019. Trump diz que não vai deixar China se tornar maior economia do mundo. Em entrevista à rede televisiva Fox News neste domingo (19), ele defendeu guerra comercial contra produtos chineses.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (19), em entrevista à rede de TV Fox News, que a China pretende se tornar a maior economia do mundo, mas que isso não vai acontecer enquanto ele estiver no poder.

Os EUA e a China estão em uma escalada de protecionismo econômico. Os americanos elevaram tarifas de importação de 5.000 produtos chineses, e Pequim retaliou com uma taxa em cerca de 2.500 itens americanos.

Para Trump, essa é parte de uma estratégia da China para se tornar a maior economia do mundo.

"Acredito que essa seja a intenção deles. Eles são ótimas pessoas, têm uma cultura incrível. Eu gosto muito do presidente Xi [Jinping], mas ele está do lado da China e eu estou do nosso lado", afirmou em ao apresentador Steve Hilton, na Fox News.

A entrevista foi gravada na semana passada na Casa Branca, mas exibida no domingo (19).

Trump acusou seus antecessores de serem fracos demais com a China. "Com eles, nunca tiramos 10 centavos da China. Não culpo os chineses, mas todos os nossos presidentes, e não só Obama. Eles deixaram isso acontecer", disse o presidente norte-americano.

"Estou muito feliz, pois a China não está tão bem quanto nós [na economia]. Se Hillary Clinton tivesse virado presidente, a China hoje seria uma economia maior do que a nossa." - Donald Trump

O presidente disse, ainda, que muitas empresas estão saindo da China e se mudando para outros países asiáticos, como o Vietnã, por causa das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

"É a maior realocação da atualidade. E você vai ver muitas empresas americanas fazendo mais produtos nos Estados Unidos. Podem até comprar da China, mas tiraremos deles com tarifas. Isso não é tão ruim. Mas vou tirar deles e dar para os nossos agricultores."

Ele acrescentou que nenhum acordo com a China chegará a "50%" para cada um. "Tínhamos um acordo muito forte, tínhamos um bom acordo, mas eles mudaram [o acordo]. Então eu disse, OK, vamos tarifar os produtos deles", contou.

EUA. CHINA. REUTERS. 20 DE MAIO DE 2019. EUA e China se desentendem por "expectativas extravagantes" em acordo comercial
Por Ben Blanchard e David Lawder

PEQUIM/WASHINGTON (Reuters) - A China acusou os Estados Unidos nesta segunda-feira de manterem “expectativas extravagantes” para um acordo comercial, destacando o abismo entre os dois lados no momento em que a ação dos EUA contra a gigante de tecnologia chinesa Huawei começa a afetar o setor de tecnologia global.

O Google, da Alphabet Inc, também suspendeu os negócios com a Huawei Technologies Co Ltd [HWT.UL] que exigem a transferência de hardware, software e serviços técnicos, exceto aqueles publicamente disponíveis via licensiamento de fonte aberta, disse à Reuters uma fonte familiarizada com o assunto no domingo, em um golpe para a empresa que o governo dos EUA buscou colocar em uma lista negra em todo o mundo.

As ações das fabricantes de chips europeias Technologies, AMS e STMicroelectronics recuavam com força nesta segunda-feira, em meio a preocupações de que os fornecedores da Huawei Technologies possam suspender os embarques para a empresa chinesa devido à ação dos EUA na semana passada.

A adição pelo governo norte-americano da Huawei a uma lista negra de comércio na quinta-feira permitiu imediatamente restrições que tornarão extremamente difícil fazer negócios com empresas dos EUA.

Em uma entrevista com o Fox News Channel gravada na semana passada e divulgada no domingo à noite, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que os EUA e a China “tinham um acordo bastante forte, tínhamos um bom acordo, e eles o mudaram. E eu disse ‘está bem, vamos tarifar os produtos deles’”.

Em Pequim o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lu Kang, disse não saber do que Trump estava falando.

“Não sabemos que acordo é esse que os EUA estão falando. Talvez os EUA tinham um acordo para o qual havia expectativas extravagantes, mas com certeza não é o chamado acordo com o qual a China concordou”, disse ele em entrevista à imprensa.

O motivo pelo qual a última rodada de negociações não chegou a um acordo foi porque os EUA tentaram “alcançar interesses injustificados através de pressão extrema”, disse Lu.

EUA. CHINA. REUTERS. 20 DE MAIO DE 2019. Trump diz que tarifas fazem empresas deixarem a China e que acordo não pode ser igualitário
Por David Lawder e Nandita Bose

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que suas tarifas sobre produtos chineses estão fazendo com que as empresas transfiram a produção da China para o Vietnã e outros países asiáticos e acrescentou que qualquer acordo com a China não pode ser igualitário.

Em entrevista ao canal Fox News, gravada na semana passada e exibida no domingo à noite, Trump disse que os Estados Unidos e a China “tinham um acordo muito forte, nós fizemos um bom negócio, e eles mudaram. E eu disse que tudo bem, nós vamos tarifar seus produtos então.”

Nenhuma negociação entre os principais negociadores chineses e norte-americanos foi marcada desde a última rodada, que terminou em 10 de maio - mesmo dia em que Trump elevou as tarifas de sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses de 10% para 25%.

Trump elevou as tarifas depois que a China azedou as negociações ao buscar grandes mudanças em um acordo que, segundo autoridades dos EUA, tinha sido amplamente aceito.

Desde então, a China adotou um tom mais severo em sua retórica, sugerindo que a retomada das negociações destinadas a encerrar a guerra comercial, que já dura 10 meses, provavelmente não acontecerá em breve.

Trump, que disse que a entrevista com o apresentador da Fox News Steve Hilton ocorreu dois dias depois de ele ter aumentado as tarifas, afirmou que ficará feliz em simplesmente manter tarifas sobre produtos chineses, porque os Estados Unidos receberão 100 bilhões de dólares ou mais em tarifas.

Mas ele acrescentou que acredita que a China acabará fazendo um acordo com os EUA “porque eles estão sendo massacrados com as tarifas, a China está sendo totalmente destruída”.

Mas ele explicou que disse ao presidente chinês, Xi Jinping, antes das rodadas de negociações mais recentes, que qualquer acordo não poderia ser igualitário entre os dois países e teria que ser mais favorável aos EUA por conta das práticas comerciais anteriores da China.

EUA. CHINA. REUTERS. 20 DE MAIO DE 2019. Google suspende negócios com Huawei após Trump incluir empresa em lista negra
Por Angela Moon

NOVA YORK (Reuters) - O Google suspendeu negócios com a Huawei que exigem transferência de equipamentos, programas e serviços técnicos, exceto aqueles disponíveis ao público através de licenças de código aberto, disse uma fonte a par da questão à Reuters no domingo, um revés contra a empresa de tecnologia chinesa que foi colocada em uma lista negra pelo governo norte-americano de Donald Trump.

Mas os usuários de smartphones Huawei com aplicativos do Google continuarão podendo usar e baixar atualizações de aplicativos fornecidos pelo Google, disse um porta-voz do Google, confirmando reportagens anteriores da Reuters.

“Estamos cumprindo a ordem e analisando as implicações”, afirmou o porta-voz. “Para os usuários do nossos serviços, o Google Play e as proteções de segurança do Google Play Protect continuarão a funcionar nos aparelhos Huawei existentes”, disse o porta-voz, sem dar mais detalhes.

A suspensão pode prejudicar o negócio de smartphones da Huawei fora da China, já que a gigante chinesa perderá imediatamente acesso a atualizações do sistema operacional Android, do Google. Versões futuras dos smartphones da Huawei que funcionam com Android também perderão acesso a serviços populares como os aplicativos Google Play Store, Gmail e YouTube.

“A Huawei só poderá usar a versão pública do Android e não conseguirá ter acesso a aplicativos e serviços patenteados do Google”, contou a fonte.

Na quinta-feira, o governo Trump acrescentou a Huawei Technologies a uma lista negra comercial, adotando de imediato restrições que tornarão extremamente difícil para a empresa fazer negócios com empresas norte-americanas.

Na sexta-feira, o Departamento de Comércio dos EUA disse que cogita diminuir as restrições à Huawei para “evitar a interrupção de operações e equipamentos de rede existentes”. Não ficou claro de imediato no domingo se o acesso da Huawei a programas de aparelhos portáteis será afetado.

O impacto da inclusão da Huawei na lista negra do governo dos EUA ainda é desconhecido, já que sua cadeia de suprimento global ainda o está analisando. Especialistas em chips questionam a capacidade da Huawei de continuar operando sem ajuda dos EUA.

Os detalhes sobre os serviços específicos a serem afetados pela suspensão ainda estão sendo debatidos internamente no Google, segundo a fonte. Advogados da Huawei também estão estudando o impacto da lista negra, disse um porta-voz da companhia chinesa na sexta-feira.

Representantes da Huawei não estavam disponíveis de imediato para mais comentários.



INDÚSTRIA



CNI. 20/05/2019. Confiança do empresário cai pelo quarto mês consecutivo. Pesquisa divulgada pela CNI acumula recuo de 8,2 pontos desde fevereiro e chega a 56,5 pontos em maio. Apesar da queda, o ICEI está dois pontos acima da média histórica e permanece distante da linha divisória dos 50 pontos


O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu 1,9 ponto em maio e atingiu 56,5 pontos. Essa é a quarta queda consecutiva do indicador, que acumula recuo de 8,2 pontos desde fevereiro. As informações são da pesquisa divulgada nesta segunda-feira (20) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os indicadores variam de zero a cem pontos. Quando estão acima de 50 pontos mostram que os empresários estão otimistas.

Segundo a pesquisa, o ICEI está dois pontos acima da média histórica (54,5 pontos) e permanece distante da linha divisória dos 50 pontos. “Apesar dessa sequência de quedas, a confiança do empresário ainda pode ser considerada elevada”, destaca a CNI.

De acordo com o economista da CNI Marcelo Azevedo, o ICEI costuma aumentar na passagem de dezembro para janeiro e, com mais intensidade, em períodos de mudança de governo. “Agora passamos por um momento de reavaliação, já que os empresários estão percebendo mais dificuldades nesse início de ano em relação à avaliação feita no fim de ano”, destaca. “Uma queda na incerteza melhoraria o índice. O andamento da Reforma da Previdência seria muito importante para uma recuperação da confiança e poderia sinalizar o andamento de outras reformas também importantes, como a tributária, que teria efeitos mais imediatos na economia.”

A retração no índice foi causada, principalmente, pela piora das condições atuais da economia e da empresa, que recuou dois pontos e atingiu 47,8 pontos em maio. Conforme o documento, ao se afastar da linha divisória, o índice mostra que o empresário percebe piora das condições de negócio.

Em relação às expectativas, apesar do recuo de 1,8 ponto ante abril, o índice registrou 60,8 pontos e ainda permanece bem acima da linha divisória dos 50 pontos. Isso sinaliza confiança do empresário sobre a melhoria das condições futuras da economia e da empresa.

REGIÕES – O ICEI de todas as regiões, portes e segmentos retraíram em maio. As maiores quedas ocorreram nas regiões Norte, com recuo de 3,8 pontos, e Centro-Oeste, com queda de 3,3 pontos. Em relação ao porte, a retração foi maior nas médias empresas, de 2,6 pontos. Entre os segmentos, a maior diminuição na confiança do empresário ocorreu na indústria de extração: 4,6 pontos.

Esta edição do ICEI foi feita entre entre 2 a 13 de maio com 2.404 empresas. Dessas, 952 são pequenas, 885 são médias e 567 são de grande porte.



AGRICULTURA



CEPEA/ESALQ/USP - CNA. 20/05/2019. PIB-AGRO/CEPEA: PIB DO AGRONEGÓCIO APRESENTA LEVE ALTA EM FEVEREIRO

O PIB do Agronegócio brasileiro, calculado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), registrou leve alta de 0,07% em fevereiro de 2019. Apesar disso, ainda acumula queda de 0,46% no primeiro bimestre deste ano.

Entre os ramos, o agrícola teve elevação de 0,19% em fevereiro, mas acumula baixa de 0,32% de no ano. Já o pecuário teve queda tanto no resultado mensal (-0,27%) quanto no acumulado de 2019 (-0,87%). Pesquisadores do Cepea ressaltam que estes resultados ainda não contemplam dados relativos ao volume de produção de atividades importantes do ramo pecuário, indisponíveis até o fechamento do relatório.

INSUMOS – O segmento de insumos agrícolas registrou alta tanto no mês quanto no ano, impulsionado por indústrias de fertilizantes e de defensivos. No primeiro caso, os maiores preços de janeiro a fevereiro de 2019 favoreceram a estimativa de faturamento para o ano e, no segundo, a produção esperada significativamente maior levou ao resultado estimado. No caso dos insumos pecuários, o aumento do PIB em janeiro refletiu principalmente o comportamento da indústria de rações.

PRIMÁRIO – No segmento primário, ainda se verifica pressão relacionada ao crescimento dos custos de produção, porém, tanto no primário agrícola quanto no pecuário observam-se elevações médias de preços e de quantidade produzida. Entre os produtos agropecuários, destacaram-se com maiores preços neste primeiro bimestre de 2019: batata, arroz, cacau, feijão, laranja, milho, soja, algodão, trigo, uva, frango e leite.

AGROINDÚSTRIA – Para a de base agrícola, a menor produção esperada para o ano pressionou os resultados de fevereiro. Já no caso da indústria de base pecuária, a renda do segmento esperada para o ano tem sido pressionada pelo aumento previsto dos custos de produção, embora os preços dos produtos pecuários industriais tenham, em média, se elevado no primeiro bimestre deste ano (em comparação com o mesmo período do ano passado).

SERVIÇOS – Verificam-se baixas no mês e no acumulado do ano. Porém, a alta registrada em fevereiro para serviços do ramo agrícola e indicadores de mercado mostrando crescimento de vendas do grupo de produtos alimentícios e bebidas, além da elevação das exportações do agronegócio relativamente ao mesmo período do ano passado, devem impactar em uma reação no segmento para os próximos meses.

DOCUMENTO: https://www.cepea.esalq.usp.br/br/releases/pib-agro-cepea-pib-do-agronegocio-apresenta-leve-alta-em-fevereiro.aspx



DESIGUALDADE DE RENDA



FGV. IBRE. PORTAL G1. JORNAL VALOR ECONÔMICO. 20/05/2019. Desigualdade de renda sobe pelo 17º trimestre e é recorde
Por Bruno Villas Bôas


A desigualdade da renda dos trabalhadores seguiu sua trajetória de crescimento nos primeiros meses deste ano e atingiu
seu maior nível em pelo menos sete anos, mostra um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação
Getúlio Vargas (Ibre/FGV) obtido com exclusividade pelo Valor.
O índice de Gini do rendimento domiciliar per capita do trabalho subiu de 0,625 no quarto trimestre do ano passado para
0,627 no primeiro trimestre deste ano - o indicador mede a desigualdade numa escala de zero a um, sendo zero a igualdade
perfeita. Foi o décimo sétimo aumento trimestral consecutivo do indicador.
De acordo com o levantamento, o índice do primeiro trimestre estava no
maior patamar desde o primeiro trimestre de 2012, início da série histórica.
Os cálculos foram feitos a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, divulgada na semana
passada.
O movimento ocorre apesar de o governo Jair Bolsonaro ter fixado o salário
mínimo em R$ 998 a partir de 1º de janeiro deste ano, aumento real de 1,1%
frente ao valor do ano passado. Foi o primeiro ganho real do mínimo em dois
anos. O valor é definido com base na inflação pelo INPC e o desempenho do PIB de dois anos anteriores.
Daniel Duque, pesquisador do Ibre/FGV e autor do levantamento, diz que a lenta melhora do mercado de trabalho nos
últimos anos foi concentrada nas pessoas com melhores qualificações e experiência profissionais, o que potencializou a
desigualdade. O desalento - quando uma pessoa desiste de procurar emprego - é maior entre os menos qualificados.
"O desalento vem batendo recorde e ajuda a explicar por que, mesmo com redução do desemprego no ano passado, a
desigualdade seguiu crescendo. São pessoas que estão em domicílios já de menor qualificação, de menor renda, e que
desistiram de procurar trabalho", disse o pesquisador do Ibre/FGV.
Para o pesquisador, a desigualdade da renda do trabalho aumentou, contudo, mais lentamente neste início de ano. Isso
pode ser um sinal de que, em algum momento deste ano, o índice de Gini pode voltar a recuar. Para isso, contudo, será
necessário, segundo ele, aprovar a reforma da Previdência e evitar nova piora de expectativas.
"O que a reforma da Previdência vai trazer de positivo de curto prazo é evitar a volta da crise, da recessão. O cenário sem a
reforma é catastrófico", disse Duque. "O risco é termos uma reversão do mercado de trabalho, uma piora da economia. É o
grande risco que estamos vendo no Brasil atualmente".
O pesquisador de Princeton Marcelo Medeiros diz que não existe uma medida mágica para a redução da disparidade de
renda no país. Ele afirma que diversas iniciativas precisam ser adotadas para progressos no curto, médio e longo prazos -
desde distribuição de renda por políticas sociais até redução de privilégios tributários.
Segundo ele, o investimento na melhoria da qualidade da educação tende a ter poucos efeitos no curto prazo para reduzir a
desigualdade de renda. Os efeitos são relevantes, porém, no longo prazo, após entre três e cinco décadas. Este é o tempo
necessário para que haja uma mudança geracional no mercado de trabalho.
"O trabalhador que está hoje no mercado estudou entre as décadas de 70 e 90. É claro que também temos trabalhadores
que estudaram nos anos 2000, mas eles são minoria. Não podemos corrigir esse passado, mas podemos investir no futuro",
disse Medeiros, acrescentando que vê com preocupação o corte da verba da educação.
Nos últimos anos, Medeiros desenvolveu trabalhos mostrando que a desigualdade não caiu como imaginado no país na
última década. Com base em dados da Receita Federal, seu trabalho mostrou que a melhor distribuição da renda do
trabalho foi compensada pelo rendimento de capital da parcela mais rica da população.
"Um efeito neutralizou o outro. Mas isso não é verdade especificamente para a renda do trabalho. Eu concordo com a ideia
de que essa desigualdade estava se reduzindo e, agora, nos últimos anos, vimos o movimento contrário. A desigualdade da
renda do trabalho voltou a crescer, o que não se via desde quase os anos 80", acrescentou o pesquisador.



APOIO ÀS EMPRESAS



FGV. IBRE. 07/05/19. Revista Conjuntura Econômica. Caio Megale, secretário do Ministério da Economia defende revisão de políticas de subsídio a empresa
Por Solange Monteiro, do Rio de Janeiro

Caio Megale - secretário da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) 

Como a produtividade está inserida no Ministério da Economia?

A Sepec reúne os temas ligados a produtividade dos quatro antigos ministérios que formam hoje o Ministério da Economia – Fazenda, Planejamento, Trabalho e Indústria e Comércio Exterior. Dentro da Sepec, eles estão subdivididos em Infraestrutura, qualificação da mão de obra, advocacia da concorrência e a minha área, de indústria, comércio, serviços e inovação.

Quais políticas sua secretaria está coordenando?

São poucos os instrumentos que estão na nossa secretaria. Um dos que tratamos diretamente hoje é o ex-tarifário, que reduz tarifa de importação para produtos sem similar no mercado nacional. Hoje ele é restrito, e temos que agilizar, até porque a importação de bens de capital tem relação estreita com investimento. O outro tema que estamos reavaliando são os Processos Produtivos Básicos (PPB). A ideia é, mantendo o espírito da lei da Zona Franca de Manaus e da Informática, dar maior liberdade para a empresa escolher como montar seu processo produtivo, respeitando requisitos. Isso vai reduzir nosso trabalho e a ingerência do governo nas decisões empresariais.  Mas a maior parte dos temas que atravancam a produtividade estão espalhados pelo governo. Nosso papel é fazer articulação com essas áreas e desenhar agenda de trabalho em diversas frentes para tentar resolver problemas. Como disse Paulo Guedes, temos que reduzir as bolas de ferro que os empresários têm de carregar no seu dia a dia.

Em sua opinião, como deve ser uma política de apoio a empresas para que estimule a ser mais eficientes?

Produtividade é um tema multidimensional. A linha do governo, e do Ministério da Economia, é foco na abertura. Há evidências claras que países mais abertos, mais expostos à concorrência, tendem a ser países mais produtivos e inovadores. Mas se pegar o caso do México, o país abriu a economia e não cresce. Por quê? Muitas vezes programas acabam direcionando mais recursos para os menos eficazes, que crescem menos. Nossa ideia não é escolher setores, mas gerar ambiente favorável para que os mais produtivos se desenvolvam, e estamos estudando formas de melhor direcionar recursos. Esse tema é particularmente dramático no momento em que estamos vivendo uma crise gravíssima; pois a má alocação nessas ocasiões não só é ineficiente como eleva a dívida pública, que por sua vez traz outros efeitos. Faremos uma avaliação criteriosa dos programas, para eliminar muletas quando se pode. Se há um problema estrutural crônico, tem que ter ajuda, mas temporária. Caso contrário, em vez de ajudar o mercado a funcionar bem, ficaremos no dilema do ovo ou da galinha: “tem subsídio porque o mercado não funciona, não funciona porque tem subsídio.” Queremos estabelecer uma relação franca com o setor produtivo. Mostrar ao setor privado que o governo está aberto e disposto a tirar o peso do dia a dia da economia, mas ao mesmo tempo deixar claro que existem restrições, responsabilidades que gestor público tem em suas mãos. A arte é encontrar o meio termo.

DOCUMENTO: https://portalibre.fgv.br/navegacao-superior/noticias/noticias-1502.htm


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LGCJ.: